Paraná
Fundo para calamidades e apoio a Rio Bonito do Iguaçu são destaque em congresso de Defesa Civil
A criação do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), em 2023, e o trabalho de resposta do Estado em Rio Bonito do Iguaçu, atingido por um tornado em 2025 que devastou 90% do município, foram as ações do Paraná destacadas no Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, que reuniu mais de mil técnicos especialistas para discutir soluções, atualizar conhecimentos e compartilhar experiências, em desastres naturais.
Um dos principais foco foram medidas de prevenção e mitigação para o El Niño. O evento, realizado em Porto Alegre (RS), começou terça-feira (23) e terminou nesta quinta (25).
Criado em 2023, o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) permite o envio de valores para municípios com decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade de maneira célere, na modalidade fundo a fundo. O Fecap também custeia obras de recuperação e prevenção em áreas de risco.
Essa ferramenta foi determinante para a rápida resposta do Governo do Paraná em novembro de 2025, quando um tornado devastou o município de Rio Bonito do Iguaçu. O Estado destinou R$ 52,5 milhões para a compra de ônibus escolares, material de construção, cartões reconstrução para a população e subvenção econômica para as empresas, além da construção de imóveis novos para os moradores afetados.
O coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná, coronel Fernando Schunig, disse que o encontro permitiu o alinhamento com as ações adotadas em diversos países diante das mudanças previstas com a formação do El Niño.
“Tivemos a oportunidade de assistir diversas palestras com as maiores autoridades globais para atualizar ações ligadas ao fenômeno que já se aproxima e começa a mostrar seus efeitos em alguns locais do Brasil. São informações essenciais para monitorar e definir novas medidas que possam somar no enfrentamento e diminuição de possíveis danos”, avaliou.
Organizado pelo ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade) e o Governo do Rio Grande do Sul, o congresso abordou temas como Planejamento e preparação dos territórios, além da importância do trabalho das forças de resposta.
O encontro promoveu o intercâmbio de vivências internacionais com a participação de representantes do poder público, da comunidade científica e de organismos nacionais e internacionais da Itália, Países Baixos, Argentina, Equador e Colômbia. O objetivo comum é ampliar a resiliência das cidades e proteger vidas diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
REUNIÃO NACIONAL – Em paralelo ao congresso, houve uma reunião do Conselho Nacional de Gestores da Defesa Civil (CONGEPDEC), presidida pelo coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná. O encontro, com a participação de 17 estados, teve como um dos temas centrais a tramitação da PEC 44/2023, conhecida como PEC dos Desastres, cuja proposta destina 5% das emendas parlamentares individuais e de bancada para ações de Defesa Civil.
Outros assuntos tratados foram os preparativos para a passagem do El Niño, prevista para aumentar de intensidade a partir de setembro. “Pudemos discutir de maneira conjunta quais as ações serão desenvolvidas em nível nacional, de maneira integrada com os estados”, disse Schunig.
As discussões também envolveram painéis sobre a atuação dos serviços meteorológicos e hidrológicos, com destaque para o monitoramento e previsão de tempestades severas, com especialistas da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos.
Diretor do Serviço de Prevenção de Riscos e da Central Única de Emergência da Província Autônoma de Trento, na Itália, Bruno Bevilacqua reforçou a importância do acompanhamento permanente e do planejamento baseado em evidências científicas.
“Não podemos capturar ou controlar a natureza, que é forte e impactante. O que podemos fazer é mitigar e gerenciar os riscos. Para isso, precisamos de planejamento, mapeamento e atualização contínua, porque o território muda e os riscos também”, afirmou Bevilacqua.
Representando a Agência Governamental dos Países Baixos, Peter Glerum traçou paralelos entre as enchentes históricas enfrentadas pelo país europeu e os eventos registrados no Rio Grande do Sul em 2024. Integrante de uma missão técnica que visitou o Estado após as inundações, ele avaliou que o desastre trouxe importantes aprendizados e impulsionou mudanças estruturais.
“Infelizmente, muitas vezes precisamos de um desastre para promover transformações. O desafio é manter o compromisso político e social com a prevenção ao longo do tempo”, afirmou.
A diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Regina Célia dos Santos Alvalá, ressaltou que a gestão de riscos depende da articulação entre diferentes áreas do conhecimento e da integração entre monitoramento, prevenção e comunicação com a sociedade.
“Precisamos conhecer os riscos, precisamos nos preparar, precisamos disseminar e comunicar. E, para isso, é fundamental monitorar e alertar antecipadamente, porque sem informação qualificada não há como proteger vidas”, afirmou.
VISITAS TÉCNICAS – Durante o evento houve visitas técnicas para conhecer as estruturas do Sistema de Proteção Contra Cheias, formado por diques, casas de bombas e 14 comportas que auxiliam a conter o avanço das águas do Rio Guaíba em períodos de transbordamentos.
Fonte: Governo PR
Paraná
Estado inicia vistorias técnicas e investe em sinalização náutica na travessia da Ilha do Mel
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL-PR) iniciou as vistorias técnicas das embarcações participantes do Edital de Chamamento Público nº 01/2025 que trata do credenciamento de operadores do serviço de Táxi Náutico na travessia entre Pontal do Sul e a Ilha do Mel, no Litoral. A ação faz parte do processo de organização e fiscalização do transporte aquaviário intermunicipal e tem como objetivo garantir a conformidade das embarcações antes da autorização para operação.
Amparada pelo Decreto Estadual nº 4.523/2020, a iniciativa integra as políticas públicas da SEIL voltadas à integração de modais, mobilidade sustentável e desenvolvimento socioeconômico da região litorânea. Paralelamente às vistorias, o Estado executa um projeto de implantação e manutenção do sistema de sinalização náutica nos canais de acesso às comunidades de Nova Brasília e Encantadas, na Ilha do Mel.
O secretário de Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, destaca que as ações são fundamentais para garantir a segurança e a regularidade do serviço. “As vistorias garantem que as embarcações atendam os requisitos técnicos e de segurança exigidos. É uma etapa essencial para dar mais confiabilidade ao sistema de travessias”, afirmou.
O processo de credenciamento é composto por quatro etapas: análise documental, vistorias técnicas das embarcações, credenciamento e emissão da autorização para prestação do serviço. Nesta fase, são verificados itens como condições de conservação, equipamentos obrigatórios de segurança, identificação da embarcação, documentação e requisitos operacionais previstos no edital, além de demais exigências técnicas aplicáveis.
As inspeções são feitas por empresa especializada contratada pela SEIL e acompanhadas em tempo integral por servidor da Secretaria lotado na unidade instalada no Terminal de Embarque de Pontal do Sul. O monitoramento permanente visa garantir a observância estrita dos procedimentos e a adequada fiscalização da execução contratual.
As vistorias permitem identificar eventuais não conformidades e indicar as adequações necessárias antes da liberação da operação. Em relação à infraestrutura dos canais, as obras de balizamento estão sendo executadas pela empresa Sináutica Projetos e Serviços de Sinalização Náutica LTDA.
O cronograma de instalação das novas estruturas e faroletes ocorre de forma simultânea à auditoria técnica das embarcações, com previsão global de conclusão para agosto de 2026. Com a consolidação dessas ações conjuntas, a SEIL busca não apenas padronizar e regularizar a operação das embarcações, mas também assegurar um sistema de transporte mais transparente e confiável.
O resultado prático desse trabalho reflete diretamente no fortalecimento da fiscalização e, principalmente, na garantia de uma rota náutica totalmente mapeada, segura e qualificada para moradores, trabalhadores e turistas que utilizam o transporte aquaviário no Litoral.
Fonte: Governo PR
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