Brasil
Ferramenta aprimora gestão de áreas com contaminação química e fortalece vigilância em saúde
O Ministério da Saúde acaba de disponibilizar uma nova ferramenta para visualização e atualização das áreas contaminadas cadastradas no Sistema de Informação de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Solo Contaminado (Sissolo). A inovação promete fortalecer o trabalho dos profissionais das vigilâncias estaduais e municipais, facilitando o acesso, a análise e a correção de dados sobre áreas contaminadas no país.
Implementado em 2004, o Sissolo é o único banco de dados nacional que reúne informações não apenas sobre áreas contaminadas, mas também sobre as populações potencialmente expostas a substâncias e contaminantes químicos — um diferencial em relação a sistemas de órgãos ambientais. Durante a apresentação, os especialistas explicaram o funcionamento do sistema e as cinco funcionalidades que o compõem: cadastro de áreas, pesquisa de áreas, geração de relatórios, edição de regionais de saúde e tabelas básicas.
O controle de acesso segue a lógica do pacto federativo: gestores federais, estaduais e municipais podem cadastrar usuários e definir níveis de permissão, que variam desde visualizações simples e geração de relatórios até edições gerais.
Webinário
Em mais um episódio do ciclo de webinários promovido pela Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM) que aconteceu no dia 04/11, a equipe técnica do MS destacou limitações herdadas da versão atual do Sissolo, que dificultam correções de erros e a criação de novas funcionalidades. Problemas como inconsistências de dados, falhas na geração de relatórios e registros com georreferenciamento incorreto foram identificados como obstáculos à gestão eficiente.
Para superar essas fragilidades, foi criada uma ferramenta complementar de visualização e extração de dados, com foco na visualização geoespacial e na qualificação das informações. A novidade permite identificar duplicidades, corrigir fichas de campo, baixar bases de dados do sistema e gerar estimativas mais precisas de populações expostas, reduzindo erros de superestimação ou subestimação.
A equipe técnica ressaltou que a qualidade dos dados está diretamente relacionada à integração entre as vigilâncias em saúde e os órgãos ambientais. Segundo Lucas Carvalho Sanglard, consultor técnico da CGVAM, “é fundamental que a vigilância em saúde mantenha uma articulação permanente e promova a troca de informações com os órgãos ambientais, assegurando que as áreas confirmadamente contaminadas sejam devidamente cadastradas no Sissolo”.
Durante o encontro, também foi apresentada a Nota Técnica nº 29/2025, que reúne orientações sobre o uso da ferramenta, os procedimentos para solicitação de habilitação de usuários e a articulação necessária com os órgãos ambientais. O documento inclui, ainda, instruções sobre a conversão de coordenadas geográficas para o sistema de referência nacional — procedimento essencial para corrigir inconsistências de localização.
Com a nova ferramenta, o Ministério da Saúde espera ampliar o número de áreas cadastradas, qualificar as informações, reduzir duplicidades e fortalecer as análises de situação de saúde relacionadas à exposição humana a substâncias e contaminantes químicos.
O acesso ao novo recurso foi disponibilizado aos participantes do webinário por meio de QR Code e link, direcionados exclusivamente a profissionais de vigilância em saúde. Fábio David Reis, coordenador substituto da CGVAM, destacou que a ferramenta é de uso interno e voltada à gestão das informações sobre áreas contaminadas.
“É importante que os estados e municípios solicitem a Nota Técnica nº 29/2025 e a habilitação de usuários, pois o sucesso do Sissolo depende da integração entre setores e do uso qualificado dos dados para proteger a saúde das populações expostas”, concluiu.
João Moraes
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
SUS leva quase 4 mil atendimentos e exames especializados a comunidades indígenas no Amazonas
Até o dia 30 de agosto, indígenas da região de Marauiá, no Amazonas, serão assistidos com atendimento médico especializado para a realização de consultas e exames. Nesta etapa, estão previstos 800 atendimentos especializados: 250 em oftalmologia, 150 em pediatria e saúde da criança, 150 em ginecologia e saúde da mulher e 250 em clínica médica. Também estão programados 1.480 exames, sendo 1.000 oftalmológicos, 300 voltados à saúde da mulher, 100 hemogramas e 80 ultrassonografias.
A ação de saúde é realizada em articulação entre a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e a Associação Médicos da Floresta (AMDAF).
As grandes distâncias e o acesso predominantemente fluvial e aéreo dificultam o deslocamento para centros urbanos onde estão concentrados os serviços especializados. Por isso, a iniciativa busca resolver no próprio território casos que, em condições habituais, poderiam exigir Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para São Gabriel da Cachoeira, Manaus ou outras localidades.
“As expedições permitem que o atendimento especializado chegue às comunidades indígenas, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos e ampliando o acesso aos serviços de saúde nos próprios territórios. Essa estratégia fortalece o cuidado e respeita as especificidades de cada povo indígena”, afirma a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé.
A iniciativa também fortalece a atuação das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), amplia a capacidade de diagnóstico e tratamento no território e reduz riscos relacionados às remoções. Em Marauiá, a ação contribui ainda para o enfrentamento de agravos prioritários e para a atenção à saúde materno-infantil, com integração dos casos à Rede de Atenção à Saúde.
As ações estão alinhadas à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e ao Programa Agora Tem Especialistas, instituído pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025.
Atendimento especializado na CASAI Yanomami
Entre os dias 20 e 25 de agosto, uma ação conjunta da AgSUS, do Hospital Israelita Albert Einstein, da Sesai e do DSEI Yanomami levou atendimento especializado a indígenas acompanhados na CASAI Yanomami. O DSEI atende 34.920 indígenas, distribuídos em 429 aldeias e 37 polos-base, em uma área de 96.649 km² com acesso 98% por via aérea. Por causa do difícil acesso, a CASAI funciona como ponto de apoio para pacientes e acompanhantes encaminhados para consultas, exames, internações e tratamentos de média e alta complexidade no SUS.
Antes da expedição, 312 pacientes estavam em acompanhamento ou aguardando consultas especializadas na unidade, com demandas principalmente em pediatria e infectologia.
Durante a expedição, foram realizados atendimentos na área de pediatria e saúde da criança, ginecologia e obstetrícia, infectologia, ortopedia e radiologia. Também foram realizadas teleinterconsultas em infectologia, neurologia adulta e pediátrica, cirurgia geral e dermatologia.
Atendimentos no Território Pirahã
No início do mês, os atendimentos foram realizados no território do povo indígena Pirahã, no sul do Amazonas. Ao longo de oito dias, foram realizados 1.155 atendimentos, entre consultas e exames, para 478 indígenas que vivem na região. A ação teve caráter eletivo e foi direcionada à ampliação do acesso a serviços especializados e à redução da demanda reprimida no território.
Edjalma Borges
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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