Brasil
Espírito Santo realiza etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho e aprova 13 propostas para a etapa nacional
O Espírito Santo sediou, nesta terça-feira (4 de novembro), a etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), reunindo representantes de trabalhadores, empregadores e do governo no auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, em Vitória. O encontro discutiu os desafios e as perspectivas do mundo do trabalho e resultou na aprovação de 13 propostas que serão encaminhadas à etapa nacional, prevista para março de 2026, em São Paulo.
A cerimônia de abertura contou com a presença do chefe da Assessoria Especial de Promoção à Igualdade no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ronaldo Barros, que representou o ministro Luiz Marinho. Também participaram o superintendente regional do Trabalho e Emprego no Espírito Santo, Alcimar Candeias; a presidente da Central Única dos Trabalhadores do Espírito Santo (CUT-ES), Clemilde Cortes Pereira, representando a bancada dos trabalhadores; o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, representando a bancada dos empregadores; a coordenadora de Cooperação Sul-Sul e Parcerias Estratégicas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fernanda Barreto; o deputado estadual João Coser; e a secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social do Espírito Santo, Cyntia Figueira Grillo.
Durante o evento, o representante do MTE, Ronaldo Barros, destacou a importância do diálogo social e da construção coletiva de políticas voltadas à promoção do trabalho decente. “A Conferência reafirma o compromisso do governo federal com a escuta das diversas vozes do mundo do trabalho e com a formulação de políticas que assegurem condições dignas, igualdade de oportunidades e desenvolvimento com justiça social”, afirmou.
O superintendente regional do Trabalho, Alcimar Candeias, ressaltou que o Espírito Santo tem apresentado resultados expressivos em geração de empregos e formalização, mas que ainda há desafios a superar. “O estado avança na valorização do trabalho formal e na criação de oportunidades, mas é fundamental que esses avanços sejam acompanhados por políticas públicas que garantam inclusão, proteção e igualdade para todos os trabalhadores”, destacou.
A II Conferência Nacional do Trabalho é um espaço tripartite, paritário e democrático, coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que tem como objetivo construir coletivamente diretrizes para o fortalecimento do trabalho decente e do diálogo social em todo o país.
Confira mais informações sobre a II CNT aqui.
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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