Brasil
Curso de aceleração digital para agentes comunitários de saúde está disponível no Educa e-SUS APS
Os agentes comunitários de saúde (ACS) ganharam um novo reforço na qualificação profissional. O novo curso voltado à aceleração digital na atenção primária foi disponibilizado na plataforma Educa e-SUS APS e, com ele, a Trilha Formativa para ACS está completa, ampliando o acesso nacional e fortalecendo a atuação desses profissionais no território.
A trilha é composta por dois cursos online, autoinstrucionais e independentes: Sistema e-SUS APS para ACS (com carga horária de 20h) e Aceleração Digital na APS para ACS (com 30h). Produzidos pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as qualificações foram elaboradas com apoio direto de agentes de seis municípios pilotos da estratégia e-SUS APS: Biguaçu (SC), Recife (PE), Assis (SP), Medina (MG), Brasília (DF) e Londrina (PR). Essa participação garantiu que o conteúdo valorizasse o olhar dos profissionais.
“O curso foi construído de forma prática, pensando no dia a dia do agente comunitário. Apesar das diversas atualizações do e-SUS ao longo dos anos, sempre senti falta de materiais explicativos em uma linguagem simples, que dialogasse com a realidade do nosso trabalho de campo, especialmente em pontos mais delicados dos cadastros de usuários e domicílios. Por isso, foi muito gratificante ter sido convidado a colaborar na construção de um material pensado de ACS para ACS”, destaca Erivaldo Enesio Barbosa de Morais, agente comunitário de Recife (PE), que participou da produção da trilha.
O que esperar
No novo curso, os agentes aprendem a lidar com conceitos fundamentais da saúde digital, como o uso responsável dos aplicativos do SUS, segurança das informações, boas práticas de registro no prontuário eletrônico e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no cotidiano da atenção primária. Além de conteúdos técnicos, a formação traz exemplos práticos de situações vividas no território, ajudando o ACS a registrar com mais clareza os atendimentos, superar dúvidas recorrentes em cadastros e fortalecer a mediação entre comunidade e serviços de saúde. Na prática, o aprendizado facilita a rotina do agente, tornando o uso das ferramentas digitais mais ágil, seguro e alinhado às necessidades reais das famílias.
Para Vanussa Alves Pereira, agente comunitária de Medina (MG), participar da elaboração foi um momento de troca e de valorização da categoria. “Falar sobre a elaboração da trilha formativa ACS é algo que me deixa com o sentimento de gratidão. Foram momentos únicos, de encontros com colegas e profissionais de várias áreas, em que pudemos compartilhar experiências e construir juntos um curso voltado para nossa realidade. Foi uma honra contribuir para uma capacitação que valoriza e fortalece o trabalho do agente comunitário de saúde”, ressalta.
A trilha completa tem como objetivo apoiar a atuação dos mais de 304 mil ACS de todo o Brasil.
Acesse os cursos no Educa e-SUS APS
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Planta carnívora rara reaparece após 80 anos
Pesquisadores registraram pela primeira vez no Nordeste brasileiro a Utricularia warmingii, uma espécie rara de planta carnívora aquática. Sem ser vista há mais de 80 anos, a planta foi encontrada em uma área alagada conhecida como Lagoa do Bode, no município de Campo Maior (PI). O achado de 2023 foi incluído em uma pesquisa publicada na última edição da revista científica Kew Bulletin, um dos principais periódicos da área.
O estudo foi liderado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com a participação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Para o pesquisador da UFPI e líder da pesquisa, Francisco Ernandes Leite, o registro da planta carnívora no estado acende um alerta para a proteção das áreas úmidas. “Essa descoberta mostra que a espécie vive e sobrevive em regiões em que nunca haviam sido vistas e prova que podemos encontrá-la em tantos outros lugares”, afirma.
Leite explica que planta tem, geralmente, uma única flor branca, com centro amarelado e uma mancha amarela avermelhada. “Ela não tem raízes verdadeiras, então tem vida livre, se deslocando pela água. O que mais chama a atenção é que ela tem pequenas estruturas chamadas utrículos, que funcionam como armadilhas muito rápidas, capazes de capturar micro-organismos, como microcrustáceos, larvas de mosquitos, para alimentá-la”, explica o biólogo botânico.
Ainda que possa ser encontrada em alguns países da América do Sul, como Bolívia, Colômbia e Venezuela, os registros da espécie são raros e espaçados. No Brasil, ela já foi vista no Pantanal e em áreas do Sudeste, mas algumas dessas populações podem ter desaparecido ao longo do tempo.
Em São Paulo (SP), por exemplo, a planta carnívora foi encontrada pela última vez em 1939, o que sugere uma possível extinção local. “O fato de ela não existir mais nessas áreas, que eram os únicos pontos onde a gente tinha a ocorrência conhecida na Mata Atlântica, nos leva a sugerir potencialmente que essa espécie pode estar extinta no bioma, justamente por conta das transformações no habitat”, afirma o pesquisador do INMA e colaborador no estudo Paulo Gonella.
No Brasil, os registros indicam que as populações da espécie estão separadas por grandes distâncias e ocupam cerca de 36 km². A recente descoberta fez com que os especialistas reavaliassem o risco de extinção da planta, que agora passa a ser classificada como Em Perigo. “Espécies como Utricularia warmingii podem ter distribuição geográfica ampla no mapa, mas na prática ocupam apenas pequenos fragmentos de habitat. Isso as torna especialmente vulneráveis à perda de áreas úmidas”, explica Gonella.
Isso ocorre porque as lagoas rasas e áreas alagadas temporárias onde a espécie ocorre estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. Essas áreas são ameaçadas especialmente por mudança no regime de cheias, expansão agropecuária, uso de fertilizantes, introdução de espécies invasoras e alteração na paisagem.
A soma desses cenários leva a redução das chances de recolonização natural, caso a população desapareça, aumentando o risco de extinção regional. “Esse caso também mostra como ainda conhecemos pouco a flora de várias regiões do país. Áreas como o interior do Nordeste permanecem sub amostradas, e novos estudos podem revelar espécies raras ou populações ainda desconhecidas”, finaliza o pesquisador do instituto.
Além da UFPI e do INMA, também colaboraram na pesquisa a Universidade Federal de Mato Grosso do sul (UFMS), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade estadual do Piauí (Uespi) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).
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