Paraná
Colégio do Paraná promove protagonismo feminino na ciência com startup inovadora
No Colégio Estadual Conselheiro Carrão, em Assaí, na Região Metropolitana de Londrina, a participação feminina na ciência vem crescendo nos últimos anos com um grupo de 20 alunas empenhadas em pesquisar inovações sustentáveis. A SunRise é uma startup que nasceu dentro do colégio, a partir de um grupo de cinco estudantes que, em 2022, criaram um biodiesel à base de óleo de cozinha usado. Hoje, a iniciativa conta com seis pesquisas diferentes focadas em inovações sustentáveis e lideradas por meninas.
A startup reflete o aumento da presença feminina na ciência brasileira. De acordo com um relatório publicado pela agência Elsevier-Bori em 2024, o número de mulheres autoras de artigos e pesquisas científicas no Brasil cresceu 29% entre 2002 e 2022, alcançando 49% da autoria destes estudos.
No Colégio Estadual Conselheiro Carrão, o interesse surgiu a partir das próprias estudantes, conta o professor-orientador do projeto, Matheus Rossi de Souza. Um grupo de alunas decidiu se unir e criar um projeto para o hackathon municipal, inspirando outras colegas no processo.
“O projeto começou com a iniciativa de cinco alunas. Não havia, inicialmente, a intenção de criar uma iniciativa para promover o protagonismo feminino, simplesmente aconteceu. Não imaginávamos que o projeto se expandiria dessa forma e nos orgulhamos muito da determinação e referência que as meninas representam para o colégio”, explica o professor.
Hoje, a startup funciona no laboratório da escola e abriga seis projetos liderados por meninas, com a participação de estudantes meninos apenas em um deles – a equipe de minifoguetes, que já existia anteriormente e foi integrada à SunRise. A participação feminina na equipe, porém, chega à 80% dos alunos.
Os outros projetos que estão em desenvolvimento pela SunRise são filamentos feitos a partir de garrafas pet para impressoras 3D, óculos sonar para cegos e pessoas com baixa visão com vibracall, um broche sensorial inteligente, uma placa solar e bioplástico fúngico, além do biodiesel.
Aluna da 2ª série do Ensino Médio Maite Kaory Iryoda (16) é a atual CEO da SunRise. Ela fala sobre a importância de promover um ambiente de incentivo para as meninas desenvolverem suas pesquisas. “Muitas vezes, elas não têm o apoio necessário para seguir na área científica, então é muito inspirador e gratificante ver as meninas que entram aqui com, uma ideia simples de fazer parte de um projeto pequeno, saírem já ingressadas em faculdades e com pesquisas que contribuem para a carreira delas”, pontua.
IMPACTO NO FUTURO – O professor Matheus Rossi de Souza ressalta como o incentivo à pesquisa científica impacta diretamente no futuro das adolescentes da escola. Segundo ele, o projeto do biodiesel, por exemplo, foi fundamental na escolha profissional das alunas envolvidas. “Essa iniciativa tem um impacto significativo na vida dos adolescentes. Destaco o exemplo da Fabiana, uma das alunas que iniciaram o projeto e que recentemente ingressou na Universidade Federal do Paraná (UFPR) para cursar Engenharia Química. Ela é um exemplo do sucesso que o projeto pode proporcionar”, diz.
O professor também aponta que algumas estudantes não buscam o projeto para seguir carreira científica, mas a experiência continua válida. “É importante reconhecer que existem dois tipos de interesse: o interesse pela pesquisa em si e o interesse em participar de eventos e atividades. Ambos são válidos. O aluno que deseja seguir carreira na área de pesquisa adquire experiências práticas que representam um diferencial no futuro. O aluno que busca a experiência de participar de eventos também desenvolve habilidades valiosas para sua vida profissional”, explica.
Ainda de acordo com o docente, existe uma preocupação da start up em ter o menor impacto possível nas aulas, visto que a escola funciona em tempo integral. “Tentamos conciliar as atividades do projeto priorizando as aulas obrigatórias como português e matemática. Nas aulas de prática experimental, por exemplo, que ministro, aproveito para direcionar atividades relacionadas à pesquisa. Além disso, utilizamos o horário de almoço para as atividades da start up, pois há um clube de protagonismo científico nesse período”, conta.
INCLUSÃO E SUSTENTABILIDADE – Dentre os projetos desenvolvidos na SunRise está o broche sensorial inteligente, um dispositivo para pessoas neurodivergentes que pode ser utilizado para indicar o humor por meio de um led que altera sua cor entre verde, amarelo e vermelho.
“O verde mostra quando aquela pessoa está aberta para conversar ou demonstrar os seus sentimentos; o amarelo indica que no momento ela pode interagir, mas prefere ficar mais quieta e o vermelho aponta que realmente não está conseguindo falar com outras pessoas, ou seja, ela está em um momento de estresse”, explica a aluna líder da pesquisa, Lavinia Silva Braga (15), da 1ª série do Ensino Médio.
O broche também possui a função de aromaterapia, com um compartimento para a essência que mais agrada o usuário e controle por aplicativo para liberar o aroma em momentos de crise.
Segundo a aluna, a ideia do broche surgiu após a observação no colégio e identificação dessa necessidade para colegas neurodivergentes. “Analisamos a nossa escola e tivemos a ideia de fazer o broche para que ele ajudasse as pessoas autistas a serem incluídas no ambiente escolar. Receber o incentivo pela SunRise é importante não só pelo apoio, mas a tecnologia também fez toda a diferença”, conta.
Outro projeto que nasceu na startup foi o bioplástico, feito a partir do micélio, parte estrutural dos fungos que fica normalmente no solo e tem capacidade de agregar resíduos orgânicos e formar materiais resistentes. “A decisão de estudar o fungo para a produção de bioplástico surgiu da necessidade de encontrar alternativas sustentáveis ao plástico convencional, que gera impactos ambientais muito graves, devido à poluição do microplástico e o acúmulo em aterros”, diz a líder da pesquisa, Lívia Vargas (16), da 2ª série do Ensino Médio.
A aluna explica que o material formado pelo fungo é biodegradável e pode virar produtos como embalagens e talheres descartáveis, inclusive capas de celular. “O micélio se une a resíduos orgânicos como cascas de frutas e borras de café formando materiais resistentes, moldáveis e que se decompõem em semanas no solo, transformando em produtos de valor agregado e reduzindo a dependência de recursos não renováveis”, detalha.
Ambos os projetos estão desenvolvendo os primeiros protótipos para testar a viabilidade dos produtos. “Atualmente, o broche encontra-se na fase de desenvolvimento do que denominamos protótipo fumaça. Este estágio preliminar foca na montagem do sistema elétrico para validar a viabilidade técnica e planejar a integração de todos os componentes. O bioplástico está na mesma fase, porém ainda estamos iniciando o cultivo do fungo para só então desenvolver o protótipo fumaça”, explica o professor coordenador da startup.
BIODIESEL – O projeto que deu início ao que hoje é a SunRise, em 2022, teve grande repercussão após participar do hackathon municipal e chegou a ser testado por uma semana abastecendo um ônibus escolar da cidade, comprovando sua eficiência. Atualmente, a ação continua presente na start up, com uma nova equipe, mas recebendo constantemente uma consultoria com as ex-alunas, que agora estão cursando suas graduações. Fabiane Hiraki Kikuti (18) é egressa e uma das integrantes do grupo que desenvolveu o biodiesel. Ela cursa Engenharia Química na UFPR, em Curitiba, e fala do projeto com muito carinho.
“O sentimento que tenho ao ver o projeto hoje é uma mistura de orgulho, felicidade e saudade. Ver que algo que criamos do zero, anos atrás, hoje abriga outros projetos e inspirou tantas meninas é incrível. Espero que as novas integrantes passem a amar tanto o projeto quanto amamos”, conta.
Ela destaca que a experiência na escola ajudou na escolha de sua profissão, além de proporcionar conhecimento prévio da prática em laboratório. “Não existe teoria que substitua o impacto da prática. Acredito que todos deveriam ter acesso à pesquisa científica, especialmente as meninas, que ainda são minoria nessa área”, reforça.
Atualmente, o projeto está em busca de parcerias com indústrias químicas, a fim de profissionalizar a produção do biodiesel e viabilizar a arrecadação do óleo de cozinha e outros insumos necessários. “Uma coisa é produzirmos experimentalmente, em pouca quantidade, mas produzir em escala engloba questões como segurança e medidas sanitárias, tudo acaba sendo mais complexo. Nesse sentido, a parceria com a indústria é fundamental e essa é a nossa próxima meta no projeto”, finaliza o professor.
Fonte: Governo PR
Paraná
Operários da Ponte de Guaratuba festejam entrega da estrutura no Dia do Trabalhador
A Ponte de Guaratuba, um sonho de mais de 40 anos, será inaugurada nesta sexta-feira (1º) em uma data simbólica: o Dia do Trabalhador. Centenas de trabalhadores ajudaram a pôr fim a uma espera que ia muito além do tempo de travessia com o ferry boat. Era uma espera que segurava o desenvolvimento de Guaratuba e do Litoral do Paraná como um todo. A espera acabou.
Foram mais de mil trabalhadores que atuaram no pico da obra simultaneamente. Ao todo, são 3 milhões de homem/hora trabalhada – número de trabalhadores × hora trabalhadas – durante toda a obra, contribuindo para que fosse executada em tempo recorde. Pedreiros, carpinteiros, operadores de máquinas, armadores, soldadores, trabalhadores de Guaratuba ou de outras partes do Brasil. Todos em uma força-tarefa para concretizar o sonho dos paranaenses dentro do cronograma, seguido à risca.
Entre eles está Abrão de Oliveira, carpinteiro presente na obra desde o início, em abril de 2024. Morador de Guaratuba há 15 anos, ele sabe bem as dificuldades impostas durante anos pela falta da estrutura. “Muitas vezes eu passei perrengues aqui, indo para Paranaguá, encarando a fila da balsa. A ponte foi um bom projeto tirado do papel. Há muitos anos estávamos esperando por isso”, conta, orgulhoso por participar de um momento histórico para a cidade que o recebeu há mais de uma década.
“É um sentimento de muita honra. Estou feliz por isso e por ter ajudado o nosso Litoral, concluindo essa obra”, continua. E a família de Abrão em Reserva, sua cidade natal, já tem planos para vir conhecer a ponte que ele ajudou a construir. “Lembro dos parentes quando vinham para as praias, sempre me perguntavam ‘como é que está o andamento da obra?’. Todo mundo na expectativa para que quando acabasse não precisar encarar a fila do ferry boat”, comenta.
Presente desde as fases iniciais da construção da ponte, o pedreiro Walcir Andrade Tobias chegou para trabalhar na obra em setembro de 2024. Ele, que também é morador de Guaratuba, veio do Mato Grosso do Sul há mais de 30 anos. “Foi um grande privilégio poder construir essa ponte que é um sonho tanto nosso, enquanto trabalhadores, quanto de toda a população. Estamos aqui prestando um bom serviço, e creio que foi bom, porque estou até agora”, brinca.
Walcir enxerga na ponte a possibilidade de um futuro melhor para Guaratuba, sem esquecer da importância histórica que o ferry boat teve para a cidade. “Tinha que enfrentar esse abençoado ferry boat, e falo abençoado porque serviu não só a nós, mas a muita gente. Quando era para fazer viagem para lá, tinha toda aquela demora”, diz, apontando para o lado mais próximo de Matinhos.
“O nosso sonho sempre foi um dia falar que temos a ponte, mas ninguém de fato acreditava que esse dia chegaria e, graças a Deus, deu tudo certo”, complementa. “Faz mais de 30 anos que estou aqui e também estou incluído nesse sonho. Para mim, é um grande prazer ter essa ponte que veio para unir tudo aqui.”
E se engana quem pensa que apenas os paranaenses estavam ansiosos pela entrega da estrutura. “Todo ano meus irmãos vêm para cá e sempre me perguntam ‘e a ponte, vai sair?’. Hoje eles estão juntos na inauguração, então é um grande privilégio”, finaliza.
“PRIMEIRA PONTE” – Vindo de um pouco mais distante, a cerca de 1,2 mil km, o encarregado de montagem Alessandro Barreto saiu de Itumbiara, em Goiás, especialmente para trabalhar na Ponte de Guaratuba. Ele chegou em fevereiro de 2025 para atuar em um dos trechos mais icônicos da estrutura: o estaiado. “A minha trajetória foi no meio do mar, nos dois pilares centrais da ponte, apoio 4 e apoio 5”, explica.
“Por incrível que pareça, essa é a minha primeira ponte. Eu trabalhei a minha vida inteira em usinas hidrelétricas, então essa foi a primeira oportunidade que tive de trabalhar em uma estrutura como essa”, ressalta. Ele detalha a experiência de construir uma ponte estaiada. “A diferença é que aqui eu trabalho dentro do mar. Na hidrelétrica, trabalhamos primeiro na terra para depois encher e formar o rio da usina. Trabalhar na terra a gente já está acostumado. No mar foi a primeira vez, então achei mais interessante.”
E se a temperatura em Guaratuba pode passar dos 30ºC, a brisa do mar ajuda a diferenciar o calor daqui em comparação ao goiano. “Essas regiões mais frias eu já conhecia, pois trabalhei por aqui e em Santa Catarina também. Eu gosto muito dessa região e do frio, acho o clima bem gostoso. Quando surgiu a oportunidade de vir para o Paraná, eu não pensei duas vezes. Me adapto bem ao frio”, conta.
Agora, com a ponte entregue, o sentimento é de dever cumprido. “Fico muito feliz de ter participado desse projeto. Todo mundo aqui falava disso, só que eu não tinha conhecimento. A partir do momento que eu cheguei, as pessoas comentavam o quanto essa obra era esperada há anos, e hoje é um sonho que está acontecendo. Batalhamos muito para chegar no que está hoje para essa inauguração”, finaliza.
PONTE – Com investimento de mais de R$ 400 milhões do Governo do Estado, a obra ficou sob responsabilidade do Departamento de Estrada de Rodagens do Paraná (DER/PR), autarquia da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL), e foi executada pelo Consórcio Nova Ponte.
A Ponte de Guaratuba é uma das principais obras de infraestrutura do Paraná e conta com 1.244 metros de extensão, com quatro faixas de tráfego, duas faixas de segurança em cada sentido, calçadas com ciclovia e guarda-corpos. Contando com os acessos na PR-412, a obra compreende cerca de 3 quilômetros ao todo.
Fonte: Governo PR
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