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Brasil reforça liderança global na busca por novos tratamentos contra a dengue

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O Brasil voltou a assumir o papel de protagonista no enfrentamento da dengue durante o seminário Aliança Dengue – Cooperação Sul-Sul na Busca por Tratamentos contra a Dengue, realizado nesta terça-feira (26), em Brasília. Organizado pela DNDi, Fiocruz e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o encontro reuniu especialistas, pesquisadores e autoridades do Sul Global para discutir desafios, investimentos e novas tecnologias voltadas ao tratamento da doença — tema considerado estratégico para a saúde global.

Na sessão de abertura, marcada pelo compromisso político, científico e financeiro brasileiro, autoridades destacaram a necessidade de fortalecer a cooperação internacional, impulsionar soluções inovadoras e integrar saúde, clima e vigilância em um contexto de rápida expansão das arboviroses no mundo. A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, ressaltou que o país vive um cenário complexo, ao mesmo tempo em que amplia ações de prevenção e assistência.

“Há 40 anos a dengue é um problema de saúde pública no Brasil e hoje temos relatos da doença em todos os municípios. Com as mudanças climáticas, a situação se torna ainda mais desafiadora”, disse. A secretária lembrou que, em 2023, o Brasil registrou cerca de 6,5 milhões de casos de dengue e mais de 6,2 mil mortes, número que evidencia a urgência de tecnologias acessíveis. “Precisamos de soluções seguras, eficazes e com preço que caiba nas contas públicas”.

Embora as mortes tenham diminuído em comparação ao ano passado, os registros ainda permanecem altos. Segundo Mariângela, o Ministério da Saúde tem adotado um conjunto de estratégias que envolve vigilância, campanhas nacionais, ampliação do acesso ao diagnóstico e reorganização da assistência em todas as regiões. A atuação inclui ainda o Plano de Ação Nacional para Redução da Dengue e outras Arboviroses, apoiado por políticas de manejo clínico, vigilância integrada e fortalecimento da atenção primária.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, reforçou o empenho do governo federal. “Este evento demonstra o compromisso político do governo brasileiro. O presidente Lula tem colocado a dengue como uma das prioridades da agenda nacional e isso se traduz em investimentos, reorganização do sistema de saúde e fortalecimento da resposta às mudanças climáticas”, afirmou.

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Massuda também destacou a importância da COP30, realizada em novembro em Belém, incluir a saúde como eixo estratégico. “O Plano Belém mostra ao mundo que os sistemas de saúde precisam estar no centro da agenda climática. Os impactos do aquecimento global, como já vemos em Curitiba e em várias regiões do país, demandam novas estratégias de prevenção e preparação”, disse.

Segundo Massuda, o registro da vacina contra dengue do Butantan pela Anvisa é um marco que consolida o avanço da pesquisa nacional e reforça o papel do Brasil na inovação em saúde pública. Ele também citou a fábrica de mosquitos com Wolbachia e o desenvolvimento de novas tecnologias de controle vetorial como parte da estratégia governamental. “Estamos priorizando políticas e orçamento para ampliar nossa capacidade de resposta. Mas também precisamos avançar em tratamentos e essa aliança internacional é essencial. ”

Integração

A sessão também reforçou o papel do Brasil como parceiro estratégico em pesquisa clínica e cooperação Sul-Sul. A secretária Mariângela Simão lembrou que a dengue já é um problema global, com expansão inclusive na Europa. “Pesquisas, tecnologias e tratamentos precisam ser acessíveis. É um desafio que nenhum país resolverá sozinho”, afirmou. O encontro destacou ainda a integração da iniciativa Uma Só Saúde, que articula saúde humana, animal e ambiental para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Novos modelos de vigilância, prevenção e resposta foram apontados como fundamentais para os próximos anos.

Debates

Durante a sessão de debates, a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis, Marília Santini, reforçou que a busca por terapias específicas para dengue é uma prioridade estratégica. “Mesmo com avanços importantes em vigilância, controle vetorial e vacinação, ainda temos uma lacuna significativa no cuidado. Um tratamento capaz de reduzir complicações e evitar a progressão dos quadros graves pode transformar completamente a resposta à doença”, afirmou.

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A coordenadora também ressaltou a sobrecarga dos sistemas de saúde. “Temos prevenção, temos manejo clínico, mas ainda faltam pontos de intervenção. Um antiviral ou outro tratamento capaz de reduzir gravidade e mortalidade mudaria completamente o cenário”, concluiu.

Marília reforçou, ainda, a necessidade de enfrentar desigualdades estruturais. “Não temos doenças negligenciadas; temos pessoas negligenciadas. O Brasil precisa ocupar um lugar de liderança no enfrentamento global das arboviroses. ”

A secretária de Ciência, Tecnologia, Inovação do MS, Fernanda De Negri, destacou a importância do investimento do governo no desenvolvimento da vacina do Butantan e reforçou a urgência de ampliar a oferta de testes rápidos, novos diagnósticos e medicamentos. Segundo ela, o Ministério da Saúde vem fortalecendo políticas de inovação para acelerar soluções tecnológicas essenciais ao enfrentamento da dengue. No caso da vacina, trata-se do resultado de políticas de estímulo à indústria e à inovação no país, concretizado com o apoio do governo federal, com investimento de R$ 1,23 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinado ao Butantan, R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 68 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Foto: Zeca Miranda/MS
Foto: Zeca Miranda/MS

Compromisso

O seminário evidenciou o protagonismo brasileiro nas ações voltadas ao enfrentamento da dengue. A secretária Mariângela Simão ressaltou que os investimentos recentes, o avanço da vigilância, a incorporação da agenda climática e a ampliação de parcerias internacionais mostram a direção adotada pelo país para impulsionar soluções inovadoras em saúde pública. “A expectativa é que os diálogos de hoje resultem em novas agendas de pesquisa, ações conjuntas e avanços tecnológicos capazes de transformar a resposta mundial à dengue”, concluiu.

João Moraes
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Nova fase da Operação Gota beneficia 20 comunidades indígenas na Amazônia

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A partir do próximo domingo (30), o Ministério da Saúde inicia uma nova fase da Operação Gota para beneficiar 20 aldeias indígenas na Amazônia Legal. A ação amplia o acesso à vacinação para comunidades remotas, onde as condições geográficas e de transporte demandam uma logística 100% via aérea para o deslocamento das equipes de saúde. 

A operação segue até o dia 6 de setembro e contempla as comunidades atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará. A população terá acesso à todas as vacinas disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). A Operação Gota é uma ação integrada entre as Secretarias de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), do Ministério da Saúde, e a Força Aérea Brasileira (FAB), do Ministério da Defesa.

A ação também será realizada em comunidades indígenas do Médio Rio Purus, com atividades previstas entre os dias 10 e 20 de setembro. No primeiro semestre deste ano, também foram atendidos os territórios do Alto Rio Negro, Alto Rio Juruá e Vale do Javari. Nesses três territórios, foram visitadas 112 aldeias, aplicadas 13 mil doses e vacinados mais de 8 mil indígenas.

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Planejamento das ações

Antes das missões, os DSEI realizam o levantamento das comunidades com maior dificuldade de acesso e identificam as pessoas que deverão ser atendidas. Também são definidos os quantitativos de vacinas, insumos e demais recursos necessários para a realização das atividades. Além da vacinação, as equipes podem realizar outros atendimentos de saúde durante as missões, conforme as necessidades identificadas em cada território. Entre as atividades, estão assistência médica, avaliação e acompanhamento nutricional e outras ações de atenção à saúde.

Sobre a Operação Gota

A Operação Gota (OG) é uma estratégia interministerial iniciada em 1989 e coordenada pelo Ministério da Saúde desde 1992, com o objetivo de assegurar o acesso à vacinação em regiões remotas da Amazônia Legal.

Em 1996, a estratégia foi incorporada ao escopo técnico do Programa Nacional de Imunizações (PNI), consolidando-se como importante instrumento para a promoção da equidade no acesso aos imunobiológicos e para o fortalecimento das ações de vacinação em territórios de maior vulnerabilidade geográfica e social.

Leidiane Souza
Rayane Bueno

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Fonte: Ministério da Saúde

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