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Brasil celebra criação da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico na COP30
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou na noite do último domingo (16/11), na casa Vozes do Oceano em Belém, durante a COP30, um evento para celebrar a implementação da Estratégia Nacional do Oceano sem Plástico (Enop). A estratégia foi oficializada em decreto no dia 2 de outubro, após dois anos de articulações.
A Enop tem como finalidade orientar e coordenar políticas públicas para prevenção, redução e eliminação da poluição por plástico no oceano, por meio de ações estratégicas e sinérgicas. O decreto pode ser consultado aqui.
A iniciativa apresenta um conjunto de linhas de ação a ser implementado junto à sociedade, nas diversas esferas de governo e com diferentes setores para enfrentamento da poluição marinha por plástico, considerando todo o ciclo de vida do produto, desde a matéria-prima até o descarte de forma adequada.
“O plástico representa a maior parte do lixo encontrado no mar, com impactos diretos e indiretos sobre a biodiversidade, a saúde humana, a pesca, o turismo e o clima. E o Brasil, que é um dos países costeiros mais biodiversos do mundo, precisa enfrentar o problema com medidas estruturantes e abrangentes”, disse a diretora do Departamento de Oceano e Gestão Costeira do MMA, Ana Paula Prates.
Desenvolvida de forma participativa pelo MMA em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Pesca e Aquicultura, Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ibama, ICMBio e Marinha do Brasil, a Enop será implementada em regime de cooperação com os estados, Distrito Federal, municípios, organizações da sociedade civil, comunidade científica e entidades privadas.
O secretário nacional de Mudança do Clima do MMA, Aloisio Melo, disse que o decreto é resultado de muita articulação intersetorial, que culmina com a inclusão da poluição marinha por plástico como um dos temas relevantes da agenda climática. “Temos aqui o resultado de um trabalho que envolveu muitos ministérios, a sociedade, cientistas e, principalmente, povos e comunidades tradicionais”, lembrou.
A celebração teve como anfitriã uma das líderes da Voz dos Oceanos, Heloisa Schurmann. “Acabamos de concluir a primeira volta ao mundo, e nos 17 países pelos quais passamos, incluindo o Brasil, testemunhamos a presença de resíduos plásticos e microplásticos na água. Mas também conhecemos centenas de pessoas e iniciativas comprometidas em reverter o avanço da poluição oceânica. A Enop pode ser um marco na prevenção e redução da poluição por plástico na nossa costa e, consequentemente, no nosso Planeta Água”, afirmou.
Estiveram presentes também o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf; a diretora da Secretaria Nacional de Pesca Industrial do Ministério da Pesca e Aquicultura, Sandra Silvestre de Souza; o diretor do Departamento de Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Leandro Pedron; o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Rodolpho Bastos; e os representantes da Aliança Internacional de Catadores, Severino Lima, e do Movimento Nacional Eu Sou Catador, e Sebastião Antônio dos Santos
Lima exaltou a estratégia estruturada pelo governo federal, que deve dar consistência às atividades ambientais dos catadores e catadoras. O desafio agora, segundo ele, é consolidar a agenda de implementação da Enop, considerada um avanço em termos de legislação. “Ter uma lei como essa é a comprovação da relevância do nosso trabalho, tanto em termos econômicos quanto ambientais”, afirmou.
A Enop
A Estratégia está dividida em oito eixos: normatização e regulamentação, prevenção e circularidade, remoção e remediação, educação ambiental e sensibilização pública, ciência, tecnologia e inovação, capacitação e assistência técnica, diagnóstico, monitoramento e avaliação e fomento e financiamento.
Entre outras medidas, a Enop visa propor normas e regulamentações que proíbam a utilização de microplásticos “intencionalmente adicionados” em produtos cosméticos e de higiene pessoal. Também recomenda a substituição gradual, com vistas à sua eliminação, do plástico de uso único. O decreto incentiva a inserção socioprodutiva de catadores e catadoras, “reconhecendo e valorizando sua função socioambiental”.
No âmbito da educação, a Enop prevê a integração do tema da poluição por plásticos e da sustentabilidade nos currículos escolares, cursos superiores e nas capacitações técnicas e profissionalizantes. Além disso, incorpora mutirões de limpeza de praias, rios, mangues, ilhas, lagos e mar como parte de atividades práticas de educação ambiental.
A iniciativa prevê também a elaboração e divulgação de uma lista nacional de resíduos plásticos mais recorrentemente encontrados no meio ambiente, em especial nas zonas marinha e costeira.
O acompanhamento da implementação ocorrerá no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que definirá metas e indicadores de forma a sistematizar e coordenar ações de prevenção e combate à poluição por plástico nas diversas esferas do governo, alinhado aos compromissos internacionais voltados à sustentabilidade e à conservação dos ecossistemas marinhos.
O acúmulo de resíduos, especialmente microplásticos, prejudica a capacidade dos mares de absorver carbono e equilibrar a temperatura do planeta, agravando ainda mais os efeitos da crise climática. Os danos causados pelos micro e nanoplásticos se estendem à saúde humana. Essas partículas estão presentes no sangue, no cérebro e até na placenta humana. Fragmentos já foram encontrados em mariscos, mel, carne e leite bovino.
A degradação do plástico no ambiente marinho ainda libera metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes, agravando a crise climática. Por outro lado, a própria mudança do clima acelera a fragmentação do plástico, criando um ciclo vicioso que amplia os danos. O oceano, responsável por absorver cerca de 25% do CO₂ emitido pelas atividades humanas, tem sua capacidade de regulação comprometida com a morte de organismos fotossintéticos, como o fitoplâncton, atingidos pelo acúmulo de resíduos.
Também participaram do lançamento da Enop a representante da Secretaria de Meio Ambiente de Augusto Corrêa (PA), Camila Alves; o representante da Cátedra da Unesco para Oceano Limpo, Ademilson Zamboni; da Rede Oceano Limpo, Alexander Turra; da Ellen MacArthur Foundation, Victoria Almeida; do Comando do 4º Distrito Naval da Marinha do Brasil, José Fábio Carneiro da Silva; e da Superintendência de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho do Porto de Santos, Sidnei Aranha, além do deputado estadual de Santa Catarina Marcos José de Abreu, o Marquito.
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Brasil
Ministra Luciana Santos lança iniciativa do MCTI e da Embrapa que levará tecnologia social a sete estados do Nordeste
A água que sobra dos dessalinizadores, normalmente descartada por ser muito salgada, pode passar a ser fonte de produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido. Essa é a proposta do projeto Sal da Terra, lançado nesta sexta-feira (26), em Petrolina (PE), pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Desenvolvida pela Embrapa Semiárido, a proposta surgiu de uma encomenda tecnológica realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes). O projeto recebeu investimento de R$ 21 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Ao longo de três anos, a iniciativa será implantada em comunidades atendidas pelo Programa Água Doce, iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), localizadas em sete estados do Nordeste — Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte — e vai levar tecnologias para que a população rural aproveite de forma sustentável a água salobra e o concentrado salino produzido pelos sistemas de dessalinização.
Durante o lançamento, Luciana Santos afirmou que o projeto mostra como a ciência pode responder a problemas concretos da população. “Estamos falando de um projeto que representa bem o papel da ciência no Brasil, que é converter conhecimento em solução concreta para melhorar a vida das pessoas. Transformar, pelo conhecimento brasileiro, o rejeito salino gerado pelos sistemas de dessalinização em oportunidade produtiva, promovendo o uso sustentável da água, a segurança hídrica e alimentar, a geração de renda e o fortalecimento da agricultura familiar.”
A diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferências de Tecnologias da Embrapa, Ana Margarida Castro Euler, afirmou que o projeto atende necessidades atuais de todo o globo. Para ela, a gestão dos recursos naturais, da inclusão socioprodutiva e da bioeconomia são indispensáveis no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação diante às mudanças climáticas.
“Esse projeto é fundamental para adaptação ao clima, para convivência com a seca, para produção de uma fruticultura. Para uma produção de alimentos que não só alimenta todos nós, brasileiros, mas o mundo inteiro”, disse.
Desafio ambiental
Em muitas comunidades do Semiárido, a água disponível no subsolo é salobra — contém uma concentração de sais que a torna imprópria para o consumo humano. Para garantir água potável, são utilizados sistemas de dessalinização, que separam a água dos sais por meio de membranas filtrantes.
O processo, no entanto, produz dois resultados: de um lado, a água própria para consumo; de outro, um concentrado salino, conhecido como rejeito da dessalinização. Quando descartado sem tratamento, esse material pode provocar salinização do solo e contaminação de áreas ao redor dos dessalinizadores.
É justamente sobre esse desafio que atua o projeto Sal da Terra. Em vez de tratar o concentrado salino como um resíduo, a iniciativa desenvolve tecnologias para incorporá-lo a sistemas produtivos adaptados às condições do Semiárido.
Na prática, o Sal da Terra vai implantar e recuperar 50 Unidades Produtivas de Agricultura Biossalina, com assistência técnica e capacitação para cerca de 700 agricultores familiares, técnicos e extensionistas e desenvolver pesquisas voltadas ao cultivo de plantas adaptadas à salinidade, produção de bioinsumos, criação de tilápias, cultivo de microalgas e aprimoramento de sistemas de irrigação para regiões com escassez de água.
Segundo a ministra, o projeto demonstra que investimentos em ciência podem gerar impactos econômicos, sociais e ambientais para a população. “O que antes era um problema ambiental passa a ser parte da solução. É isso que a ciência faz, amplia horizontes. E, no Semiárido, essa capacidade é decisiva.”
FNDCT impulsiona soluções para o Semiárido
O Projeto Sal da Terra integra a estratégia do MCTI de ampliar os investimentos em pesquisa aplicada voltada aos desafios sociais e ambientais do país. Durante a cerimônia, a ministra Luciana Santos destacou que o fortalecimento do FNDCT permitiu retomar investimentos estruturantes em ciência e tecnologia.
“É importante lembrar que o FNDCT, hoje fundamental para impulsionar projetos como este, tinha sido esvaziado no governo anterior e foi integralmente recomposto por decisão política do presidente Lula. Essa foi uma escolha estratégica para o Brasil, que recolocou a ciência, a tecnologia e a inovação no centro do desenvolvimento nacional.”
Em Pernambuco, entre 2023 e 2025, o MCTI já destinou R$ 1,1 bilhão para ações de ciência, tecnologia e inovação. O valor é quase três vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022. No mesmo período, foram contratados 15 projetos com a Embrapa, por meio da Finep e do FNDCT, totalizando R$ 100 milhões em investimentos.
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