Brasil
Brasil, Bolívia e Peru se unem para discutir proteção das mulheres na Amazônia
Brasiléia (AC), 23/09/2025 – Uma parceria histórica entre Brasil, Bolívia e Peru mostra que a proteção às mulheres não conhece fronteiras. Até sexta-feira (26), autoridades e especialistas dos três países participam, em Brasiléia (AC), do I Seminário Trinacional da Patrulha Maria da Penha – 2025, com o objetivo de fortalecer políticas públicas e alinhar estratégias conjuntas no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Com o tema Proteção sem Fronteiras: Unindo Forças por uma Amazônia Livre da Violência contra a Mulher”, o encontro representa um passo decisivo na integração regional. O evento é promovido pela Polícia Militar do Acre (PMAC), pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre e pelas prefeituras de Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri, reunindo profissionais de segurança pública, gestores e organizações da sociedade civil.
A coordenadora de Prevenção às Violências contra as Mulheres da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Julia Mitiko Sakamoto, que representou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na abertura do seminário, destacou que a iniciativa demonstra o compromisso dos três países em transformar o combate à violência de gênero em prioridade de Estado.
“A cooperação entre países é essencial. As Patrulhas Maria da Penha já mostram resultados concretos na redução da reincidência da violência doméstica, na prevenção do feminicídio e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas”, esclareceu.
A comandante-geral da PMAC, Marta Renata da Silva Freitas Alves, reforçou que o seminário é um espaço de escuta e construção coletiva. “Aqui conseguimos reunir todos os atores envolvidos e pensar em ações que realmente façam diferença na vida das mulheres. O objetivo é transformar o debate em medidas práticas para reduzir a violência, seja no ambiente doméstico, familiar ou na sociedade em geral”, afirmou.
Além de apoiar o evento, a Senasp oferecerá um curso de capacitação voltado a policiais militares que atuam diretamente na proteção das mulheres. O treinamento visa aprimorar o atendimento às vítimas e ampliar a integração das equipes com a rede de apoio local.
Patrulhas Maria da Penha
Criadas para atender e acompanhar mulheres e meninas vítimas de violência doméstica e familiar, as Patrulhas Maria da Penha são compostas por policiais capacitados para atuar na prevenção, fiscalização de medidas protetivas e apoio às vítimas. Elas desempenham papel estratégico ao reduzir o risco de reincidência, garantir o cumprimento das decisões judiciais e aumentar a sensação de segurança das mulheres atendidas.
Segurança e dignidade para as mulheres
No âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), o MJSP tem liderado políticas nacionais para combater o feminicídio e fortalecer o atendimento especializado.
Em 2025, foram lançadas versões revisadas dos Cadernos Temáticos de Referência, que padronizam as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), as Patrulhas Maria da Penha e o Protocolo Nacional de Investigação e Perícias em Crimes de Feminicídio. Os documentos incorporam avanços legislativos, diretrizes de atuação integrada e abordagem com perspectiva de gênero.
Entre 2023 e 2024, o MJSP entregou 370 viaturas para reforçar a estrutura das DEAMs e das Patrulhas Maria da Penha. Também repassou recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) aos estados e ao Distrito Federal – com 10% obrigatoriamente destinados a ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Foram mais de R$ 218 milhões transferidos nesses dois anos, além de outros R$ 116 milhões já previstos para 2025.
A capacitação de profissionais é outra prioridade. Desde 2024, sete edições do Curso Nacional de Atendimento às Mulheres e Meninas em Situação de Violência – Nível Multiplicador já formaram 270 agentes. Para 2025 e 2026, serão realizados cerca de 16 edições do Curso para atuação das Patrulhas Maria da Penha, específico para operadores das Patrulhas Maria da Penha, com a meta de qualificar 640 profissionais.
Outro destaque é a expansão das Casas da Mulher Brasileira, unidades que concentram, em um único espaço, serviços especializados para acolhimento e apoio às vítimas. Por meio de acordo de cooperação técnica com o Ministério das Mulheres, está prevista a implantação de até 17 novas unidades em todo o País.
Brasil
MMA aprova nova regra para registro de resultados de REDD+ no Brasil
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), aprovou uma resolução que define os procedimentos para o registro, na contabilidade nacional, de pagamentos por resultados de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) para entidades elegíveis. A decisão foi tomada durante a 7ª Reunião Ordinária da CONAREDD+, realizada na última terça-feira (26/5).
A definição inclui situações específicas em que os resultados do Brasil de REDD+ não tenham sido positivos ou mesmo submetidos à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).
O mecanismo de REDD+ prevê acesso a financiamento para estados e outras entidades que reduzirem desmatamento e emissões de gases do efeito estufa, mesmo quando o cenário nacional não estiver favorável.
Na prática, com a resolução aprovada, cria-se uma flexibilidade contábil para registro de pagamentos por REDD+, permitindo que estados e programas jurisdicionais aproveitem resultados já reconhecidos anteriormente, mesmo em cenários de desempenho nacional desfavorável. No entanto, é necessário respeitar os limites de pagamento definidos pela CONAREDD+ e as regras de contabilidade climática internacional.
O texto também estabelece que, no caso de programas jurisdicionais de REDD+ com abordagem de mercado, somente poderão ser utilizados limites de captação recebidos a partir de 2013. A resolução passa a valer a partir da data de sua publicação, o que deve acontecer nas próximas semanas.
Grupos de Trabalho
Durante a reunião, o colegiado também aprovou a proposta de resolução que prorroga por mais dois anos a vigência dos três Grupos de Trabalho Técnico da CONAREDD+: sobre Salvaguardas, sobre Repartição de Benefícios, e sobre Mensuração, Relato e Verificação. Os membros também analisaram as propostas de atualização do Regimento Interno da CONAREDD+.
“Para nós, é uma satisfação poder fazer parte e coordenar esse espaço de diálogo e construção coletiva em torno de REDD+ em um momento muito importante para essa agenda no Brasil”, salientou o secretário nacional de Mudança do Clima do MMA e presidente da CONAREDD+, Aloísio de Melo.
Próximos passos
A reunião também contou com informes sobre a atualização da Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+). A Secretaria–Executiva da CONAREDD+ anunciou a conclusão do processo de contratação da consultoria responsável pela revisão da estratégia nacional, conduzida por um consórcio formado pelas organizações WWF e Laclima (Latin American Climate Lawyers Initiative For Mobilizing Action).
Além disso, foram apresentados avanços relacionados ao Sistema de Informações sobre Salvaguardas (SISREDD), incluindo a elaboração de novos indicadores e a preparação do terceiro Sumário de Salvaguardas do Brasil, previsto para ser submetido ainda em 2026.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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