Agro
Agroindústria brasileira cresce 0,5% em janeiro de 2026, aponta FGVAgro
Produção agroindustrial inicia 2026 com crescimento moderado
A agroindústria brasileira começou 2026 com leve avanço na produção. Em janeiro, o setor registrou crescimento de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado pelo FGVAgro.
O resultado indica um início de ano positivo, embora ainda moderado, refletindo o desempenho desigual entre os diferentes segmentos da atividade.
Alimentos e bebidas impulsionam resultado do setor
O principal destaque foi o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, que apresentou crescimento de 1,9% na comparação anual. Esse desempenho foi determinante para sustentar o avanço geral da agroindústria no período.
A expansão reflete a demanda consistente por alimentos, tanto no mercado interno quanto externo, contribuindo para o resultado positivo do indicador.
Segmentos não alimentícios registram retração
Por outro lado, o segmento de Produtos Não Alimentícios apresentou queda de 1,5% em janeiro, limitando um crescimento mais expressivo da agroindústria.
A retração foi influenciada principalmente por três setores:
- Produtos Têxteis: queda de 7,6%, marcando o quarto recuo interanual consecutivo;
- Produtos Florestais: retração de 2,3%, impactada pela menor produção de papel e celulose, também no quarto resultado negativo seguido;
- Insumos Agropecuários: recuo de 0,5%, com destaque para a redução na produção de fertilizantes, intermediários e máquinas agrícolas.
Desempenho reflete desafios na cadeia produtiva
Os dados evidenciam um cenário de contrastes dentro da agroindústria, com setores ligados ao consumo direto mantendo crescimento, enquanto cadeias industriais e de insumos enfrentam dificuldades produtivas e demanda mais fraca.
Esse movimento pode impactar o desempenho do setor ao longo do ano, especialmente em segmentos que dependem de investimentos e renovação de capital produtivo.
Cenário externo pode influenciar resultados ao longo de 2026
O levantamento do FGVAgro ainda não considera eventos recentes do cenário internacional, como decisões comerciais dos Estados Unidos e tensões geopolíticas envolvendo o Irã, que podem afetar preços, custos e fluxos de comércio global.
Diante desse contexto, o desempenho da agroindústria ao longo de 2026 dependerá da evolução desses fatores externos, além das condições internas de demanda e produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Pesquisa inédita define manejo de micronutrientes no cacau e pode elevar a produtividade das lavouras
A cacauicultura brasileira acaba de ganhar um importante avanço científico que promete aumentar a eficiência da produção e reduzir custos no campo. Pesquisadores do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) desenvolveram a primeira referência técnica específica para o manejo dos micronutrientes cobre, ferro, manganês e zinco em lavouras de cacau cultivadas na região Sul da Bahia.
Os resultados, publicados na revista científica Soil Science Society of America Journal, estabelecem faixas inéditas de disponibilidade desses nutrientes no solo, oferecendo uma base mais precisa para interpretação de análises laboratoriais e definição das recomendações de adubação.
A expectativa é que a nova metodologia contribua para aumentar a produtividade das lavouras, reduzir desperdícios de fertilizantes, diminuir custos de produção e tornar o uso dos recursos naturais mais eficiente.
Pesquisa cria referência inédita para a cacauicultura brasileira
O estudo foi liderado pelo engenheiro agrônomo e pesquisador do PCTSul, Edson França, mestre em Produção Vegetal, e representa um marco para a nutrição mineral do cacaueiro.
Segundo o pesquisador, a ausência de parâmetros específicos para a cultura fazia com que muitas recomendações de adubação fossem realizadas com base em referências desenvolvidas para outras culturas ou em critérios generalistas.
A pesquisa reuniu centenas de amostras de solo coletadas ao longo de vários anos em áreas comerciais de produção de cacau no Sul da Bahia. A partir da análise dos dados, os pesquisadores conseguiram estabelecer faixas consideradas ideais para cada micronutriente, identificando situações de deficiência, equilíbrio e excesso no solo.
Esses elementos — cobre, ferro, manganês e zinco — são absorvidos em pequenas quantidades pelas plantas, mas exercem papel fundamental no desenvolvimento vegetativo, na formação dos frutos e no potencial produtivo das lavouras.
Adubação mais precisa reduz custos e impactos ambientais
Com a nova classificação, técnicos e produtores passam a contar com informações específicas para definir o manejo nutricional do cacaueiro.
A utilização de parâmetros mais precisos tende a evitar aplicações desnecessárias de fertilizantes, reduzindo desperdícios, diminuindo os custos de produção e minimizando impactos ambientais causados pelo uso excessivo de insumos.
Além do benefício econômico, a adoção de recomendações mais ajustadas contribui para melhorar a fertilidade do solo e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Camada superficial do solo oferece diagnóstico mais eficiente
Outro resultado relevante da pesquisa diz respeito à profundidade ideal para as análises de solo.
Os pesquisadores identificaram que a camada superficial, entre 0 e 10 centímetros, apresenta maior capacidade para indicar desequilíbrios nutricionais nas lavouras de cacau, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos do que o modelo tradicional baseado em amostras coletadas até 20 centímetros de profundidade.
O estudo também verificou que os micronutrientes apresentam distribuição distinta nas diferentes camadas do solo, reforçando a importância de avaliações que considerem múltiplas profundidades para ampliar a confiabilidade dos diagnósticos agronômicos.
Ciência aproxima recomendações da realidade do produtor
De acordo com os pesquisadores, este é um dos primeiros estudos realizados no Brasil a desenvolver classes específicas de interpretação dos micronutrientes para o cacaueiro com base em informações obtidas diretamente em áreas comerciais de produção.
Essa abordagem permite aproximar a pesquisa científica das condições reais enfrentadas pelos produtores, tornando as recomendações técnicas mais eficientes e aplicáveis ao campo.
Até então, a ausência de referências específicas fazia com que muitas decisões sobre adubação fossem tomadas de forma empírica ou utilizando parâmetros desenvolvidos para outras culturas.
Projeto reúne instituições de pesquisa
Os dados utilizados na pesquisa foram obtidos por meio do Projeto Renova Cacau, desenvolvido em parceria com o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia.
O trabalho contou ainda com a participação do Centro de Inovação do Cacau (CIC), unidade operacional do PCTSul, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e de outras instituições de pesquisa.
Com a definição dessas novas referências técnicas, a expectativa é que o manejo nutricional do cacaueiro entre em uma nova etapa, oferecendo maior precisão na adubação, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade da cacauicultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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