Brasil
AEB firma acordo para ampliar capacidade nacional em balões estratosféricos
A ciência brasileira segue um caminho de autonomia e soberania cada vez mais longo. Agora, a assinatura de uma Carta de Acordo permite o fortalecimento e incremento da rede de lançamento de balões estratosféricos no país, dentro do projeto “Implantação do Centro de Operações com Balões da Região Amazônica (Cobra)”. Responsáveis por coletar dados atmosféricos em diferentes altitudes, os balões funcionam como uma plataforma de sustentação e elevação, permitindo subir em altitudes normalmente não acessadas por aviões, enquanto atua como testes de materiais que serão mais tarde embarcados em equipamentos mais robustos, como satélites, e coleta dados importantes para pesquisadores e cientistas.
“O balão estratosférico nos permite acessar uma faixa da atmosfera onde aviões não operam e, ao mesmo tempo, testar sensores e tecnologias em condições muito próximas às do ambiente espacial. Isso reduz riscos, diminui custos e aumenta a autonomia do Brasil no desenvolvimento de seus próprios sistemas espaciais. Com o fortalecimento dessa capacidade, deixamos de depender exclusivamente de estruturas externas e ampliamos nossa soberania tecnológica”, afirma o tecnologista e Coordenador de Segmento Solo da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Eduardo Quintanilha.
Na gôndula do balão — onde em balões comuns seres humanos aproveitam o passeio — materiais como sensores meteorológicos (temperatura, pressão, umidade); espectrômetros; radiômetros; coletores de gases; câmeras; detectores de radiação e protótipos tecnológicos a serem testados, vão embarcados. “O centro vai reunir competências de diferentes áreas e instituições. O que vai embarcado ali não vem de um único lugar, envolve universidades, pesquisadores, técnicos, parceiros internacionais. É uma construção coletiva da ciência brasileira”, continua o tecnologista.
O Cobra
A Carta de Acordo nº 01/AEB/2025, firmada entre a AEB, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Universidade Federal do Tocantins (UFT), com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Tocantins (Fapto), responsável por viabilizar a execução da ação, busca fortalecer o Cobra. O centro funciona como uma infraestrutura técnico-científica sediada na UFT, criada para capacitar, planejar e executar missões com balões estratosféricos no Brasil, incluindo o desenvolvimento, lançamento, monitoramento e recuperação de cargas úteis científicas e tecnológicas.
Segundo Quintanilha, o fortalecimento do Cobra é um dos principais objetivos do acordo. “O principal objetivo é formar uma equipe brasileira capaz de planejar, executar e recuperar missões com balões estratosféricos de forma autônoma. Não se trata apenas de lançar o balão, mas de dominar toda a cadeia: integrar experimentos, monitorar o voo, analisar os dados e evoluir tecnologicamente a cada missão.”
A Carta estabelece entendimentos, compromissos e responsabilidades entre as partes, prevendo a capacitação de pesquisadores, técnicos e estudantes para a operação autônoma de missões científicas e tecnológicas com balões estratosféricos, com diferentes cargas úteis, tempos de voo e altitudes. “O treinamento do Cobra é estratégico porque devolve ao Brasil uma capacidade que já tivemos no passado e que foi perdida. Estamos preparando engenheiros, técnicos e estudantes para operar missões complexas, com cargas úteis científicas que podem permanecer dias na estratosfera”, afirma Quintanilha.
Melhorias na vida dos brasileiros
As atividades permitem criar tecnologias e serviços que ajudem a monitorar o meio ambiente, emitir alertas de eventos extremos, como chuvas fortes e secas, e gerar informações úteis para aumentar a produtividade no campo. Isso envolve treinar equipes para preparar, lançar e recuperar balões estratosféricos, desenvolver e fabricar os equipamentos que vão nesses balões e realizar voos com experimentos para coletar dados importantes.
Na prática, o uso dos balões ajuda a melhorar a previsão do tempo, a antecipar eventos extremos e a emitir alertas mais precisos para a população. Isso significa mais segurança para quem vive em áreas de risco, mais planejamento para o produtor rural e mais eficiência para setores como a aviação.
“Esses balões coletam informações sobre temperatura, umidade, circulação dos ventos e composição da atmosfera em altitudes que normalmente não são acessadas por aviões. Esses dados alimentam modelos científicos que geram boletins e relatórios usados na prevenção de enchentes, na identificação de risco de queimadas e até na definição de estratégias para aumentar a produtividade agrícola sem ampliar áreas de desmatamento”, complementa Quintanilha.
O projeto facilita também a troca de conhecimento entre a AEB e a UFT ao permitir que a estrutura do Centro de Operações com Balões da Região Amazônica (Cobra) seja usada por pesquisadores do Brasil e de outros países. Para isso, estão previstos cursos e oficinas, visitas técnicas com especialistas, participação em eventos científicos, desenvolvimento e testes de novos equipamentos, voos de balões para validar tecnologias e treinamentos em áreas como engenharia, gestão de projetos e programação.
De acordo com Quintanilha, o acordo capacita equipes brasileiras do Cobra para ampliar as oportunidades de envio de experimentos científicos de universidades brasileiras ao espaço. “A capacitação das equipes do Cobra ao nível internacional permitirá a melhor disponibilidade em cargas úteis para a realização de pesquisas por meio de Anúncios de Oportunidades para a comunidade acadêmica nacional. Este é o foco do objeto desta Carta-Acordo”, afirmou.
Continuidade na cooperação
O projeto dá sequência a uma cooperação entre Brasil e França iniciada em 2021, com um acordo de cooperação firmado entre a AEB e o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES), que prevê parcerias para fins pacíficos, com ênfase em atividades científicas e projetos envolvendo balões. Em 2023, as duas agências assinaram uma Carta de Intenções para a implementação da base de lançamento de balões em Palmas (TO).
Em novembro de 2025, a AEB e a UFT promoveram, em Palmas, o Balloon and Science Workshop, que reuniu pesquisadores e gestores do Brasil e da França visando fortalecer a cooperação científica em pesquisas atmosféricas conduzidas com balões estratosféricos.
O compromisso avançou em setembro de 2025, quando a UFT adquiriu o terreno destinado à construção da base, e foi formalizado em outubro do mesmo ano, durante a 7ª Cúpula de Sustentabilidade Espacial, realizada em Paris. A implantação do Centro de Operações com Balões da Região Amazônica representa mais um passo concreto no processo de consolidação da infraestrutura nacional para pesquisas atmosféricas e aplicações estratégicas
Para Quintanilha, a AEB conecta desafios do setor espacial brasileiro com soluções. “O papel da AEB é tirar projetos do papel e transformá-los em capacidade instalada para o país. Ao estruturar parcerias como essas, a gente fortalece a infraestrutura nacional e cria condições para que o Brasil avance com autonomia no setor espacial”, disse.
Sobre a AEB
A Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), é uma autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.
Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.

- Demonstração de altura entre balões estratosféricos e outros objetos.
Brasil
Lucila da Rocha Lopes é exemplo da liderança feminina na pesca no Espírito Santo
Hoje, 29 de junho, é Dia Mundial do Pescador. Até o dia 4 de julho, pela primeira vez, também comemoramos a Semana Nacional de Promoção da Pesca Artesanal. A iniciativa foi criada pelo Governo Federal por meio da Lei nº 15.414, sancionada pelo presidente Lula em maio deste ano. A ideia é promover a pesca artesanal, atividade que, além de grande relevância econômica, é um símbolo cultural e de resistência das comunidades tradicionais.
Para celebrar a vida dos nossos pescadores e pescadoras, O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) apresenta a série “Águas que Ouvem”. Vamos contar um pouco sobre pessoas que fazem a diferença na pesca nas 5 regiões do país. E para começar, vamos contar a história da Lucila, pescadora artesanal de Itapemirim (ES).
Lucila da Rocha Lopes é um exemplo de liderança feminina na pesca artesanal. Ela é pescadora desde os 13 anos e atualmente é presidente da Colônia Z-10 de Itaipava/Itapemirim. Também teve protagonismo na criação da Associação de Mulheres da Pesca de Itapemirim.
Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo. Ela foi a responsável direta por solicitar e articular a criação da Frente Parlamentar da Pesca junto ao legislativo, garantindo voz política ao setor. Além disso, foi pioneira no estado do Espírito Santo na busca pela implementação do Projeto Catrapovos (Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos), uma parceria com o Ministério Público Federal (MPF) para garantir alimentação saudável e geração de renda para comunidades tradicionais, lutando pela soberania alimentar e desburocratização sanitária.
Lucila construiu parcerias sólidas com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES–Campus Piúma), com a Petrobras e com instituições como Incaper, Sebrae e Senar. Juntos, ofereceram formações multidisciplinares para a capacitação dos pescadores e pescadoras da região, com cursos como o de processamento de pescado, panificação, confeitaria e salgados, visando agregar valor ao produto local.
A pescadora também correu atrás de outras grandes conquistas estruturais para a comunidade. Entre elas, a construção da sede da Colônia Z-10 e da fábrica de gelo de Itapemirim, que contribuiu para o armazenamento adequado do pescado, melhorando a produção de mais de 3.500 pescadores.
Além disso, foi uma das lideranças selecionadas para representar o Espírito Santo na elaboração do documento nacional “20 Demandas das Mulheres Pescadoras Artesanais”. Este trabalho reuniu lideranças de diversos estados para unificar pautas sobre saúde, previdência e reconhecimento profissional das mulheres junto ao Governo Federal e ao Congresso.
A vida de Lucila é apenas um dos milhares de exemplos de histórias de mulheres e homens que brilham na pesca artesanal e fazem da atividade muito mais que uma fonte de sustento para a família, mas um modo de vida que respeita a natureza, os saberes tradicionais e a cultura de um povo.
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura.
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