Paraná
Pai com doença degenerativa leva filha ao altar em poltrona adaptada: ‘Ele não fala, não anda, mas sente muito’
Os poucos passos até o altar de um casamento costumam ser de emoções à flor da pele e nervosismo. No caso de Rosangela Rodrigues Vasconcellos, essa pequena distância lhe trouxe sensações ainda mais intensas.
O pai dela, Antônio Arcanjo Rodrigues, de 54 anos, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) há dez anos, a levou até o altar em uma poltrona adaptada com rodinhas, com aparelhos para respirar e sonda para se alimentar.
A cerimônia ocorreu em fevereiro deste ano, em Curitiba
‘’Eu pretendia só casar no civil, mas não teve jeito, ele é chegado em uma festa. Era o sonho dele me levar ao altar, me ver de branco, segurar minha mão. Ele não fala e não anda, mas sente. E sente muito”, disse a noiva.
De caráter progressivo, a doença ELA afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo e causa a perda do controle muscular. Além de ser uma doença ainda sem cura, a esclerose amiotrófica tem um diagnóstico difícil. O raciocínio intelectual e os sentidos do corpo permanecem normais.
Uma das pessoas que vive com ele essa batalha, diariamente, é a enfermeira Patrícia de Oliveira. Segundo ela, Antônio se comunica apenas pelo olhar, por meio de piscadas.
“Tentamos fazer uma tabela com o alfabeto escrito, mas não foi eficiente. Nos comunicamos da seguinte forma: a pessoa vai ditando o alfabeto e o Antônio pisca na letra em que ele quer escolher, para então com letra por letra montar palavras e construir frases”, explicou Patrícia.
Antônio fez questão – e muito esforço – para estar presente no dia mais importante de uma das filhas gêmeas dele.
“Quando eu vi ele, não dá para descrever. Ele me deu a vida, sempre foi meu tudo. Eu não podia não atender o pedido dele. A perspectiva de vida no primeiro diagnóstico dele foi de seis meses, e ele está firme, ele é apaixonado por viver”, contou Rosangela.
Logística da cerimônia
Conforme a cerimonialista Fernanda Delai, o desafio foi enorme em fazer o casamento, já que envolvia mais do que decoração, comidas ou música.
Ela e os outros profissionais que a acompanham participaram de reuniões com as equipes médicas para ver toda a logística, para saber o que era liberado e recomendado ao Antônio.
“Uma experiência totalmente nova. Pensamos em um ambiente plano, com tomadas para os aparelhos, mesa dele perto da porta, rota pré-estabelecida até o hospital. Os médicos liberaram ele para ficar fora da cama em casa por apenas quatro horas”, explicou.
A noiva, de 29 anos, e o marido Fábio, de 45, se conheceram em uma festa há cerca de 15 anos. Eles têm um filho, Jean, de 12 anos, que teve a missão de levar a poltrona com o avô no casamento.
“A cadeira de rodas do meu pai é muito desconfortável. Então, meu marido adaptou uma poltrona com umas rodinhas. Foi tudo muito bem pensado. No dia da festa, o pai estava com o sorriso de orelha a orelha, cumprimentou todos os convidados e até dançou do seu jeito”, lembrou Rosangela.
Para completar a alegria da realização de um sonho, quem pegou o buquê foi a irmã de Rosangela, a Rosane. E a família Rodrigues já ficou na expectativa de um próximo casamento em breve.
“Somos gêmeas e ela pegar o buquê foi para fechar com chave de ouro. Ela cuida demais do pai, e espero que ele leve ela também até o altar. Nem nos melhores sonhos, eu imaginava um dia tão completo, tão feliz. Foi a celebração da vida, sem dúvidas”, disse a
A doença
Antônio nasceu em Reserva, nos Campos Gerais do Paraná, e trabalhou por 20 anos como auxiliar de produção em uma empresa.
Descobriu a doença em torno dos 40 anos e foi obrigado a se afastar porque as limitações começaram a ficar mais evidentes, mesmo com a cabeça em pleno
“Ele ficava sem almoço porque não conseguia chegar no refeitório, as pernas já não o respondiam mais. Depois, começou a se afogar com os alimentos, teve parada cardíaca e dores. Para uma pessoa ativa, praticante de esportes, aceitar que não dava mais dói muito”, relatou a filha.
Rosangela diz ainda que, mesmo sendo obrigado a parar, não se rendeu nunca. Ele chegou a passar seis meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Foram muitos ‘de hoje ele não passa’, muitas perguntas à minha mãe se ela não preferia que desligassem os aparelhos dele. A doença foi algo drástico sim, mas ele sempre afirma que não quer ser taxado de doente. Ele quer ser lembrado por sua alegria, como um homem forte e realizado”, disse ela.
Segundo a enfermeira Patrícia, mesmo com a doença prejudicando órgãos e paralisando todos os músculos, Antônio consegue interagir com as pessoas.
“Ele entende tudo, ouve bem. Ele sempre diz que é um homem muito feliz, e eu acredito. Não vou só fazer as medicações e tratar ele como um doente. Procuro deixar ele bem tranquilo, contar histórias, levar até a janela para ver o movimento”, relatou a enfermeira.
Patrícia diz que outro “anjo” da vida de Antônio chama-se Thiago, que é o fisioterapeuta dele. “Nós três construímos uma verdadeira amizade e fazemos até planos para o futuro. Tenho certeza de que o amor, o cuidado e o pensamento positivo transformam. Ele vai longe!”, completou ela.
Paraná
Primeiro voo intercontinental da Europa ao Paraná chega ao Afonso Pena no início de julho
O Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, recebe no próximo dia 2 de julho o voo da TAP Air Portugal vindo de Lisboa, o primeiro intercontinental direto que liga o Paraná à Europa. A capacidade da aeronave é para 269 passageiros e os primeiros a usarem a rota sem escalas desembarcam às 22 horas no aeroporto na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
A conexão Paraná-Europa será entre os aeroportos Afonso Pena e o Aeroporto Humberto Delgado, na capital portuguesa. A rota intercontinental foi anunciada em novembro de 2025 pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior. O primeiro diálogo para essa rota aconteceu em 2023, em uma agenda realizada junto com a Secretaria do Turismo em Portugal.
“O voo vai gerar inúmeras facilidades e oportunidades ao Paraná. Nós já somos um dos principais destinos de turistas estrangeiros do Brasil e agora vamos ampliar o mercado para os europeus, além de facilitar viagens de paranaenses para Portugal e outros destinos. Também queremos prospectar mais investimentos para manter o bom momento econômico do Estado”, afirma o governador Ratinho Junior.
Os voos são operados com aeronaves Airbus A330-200. O trajeto de Curitiba a Lisboa tem uma parada técnica no Rio de Janeiro e as partidas acontecem nas terças e quintas-feiras e aos sábados.
“A inauguração da rota entre Lisboa e Curitiba representa mais um passo na estratégia da TAP de ampliar a conectividade entre o Brasil e a Europa. Curitiba passa a integrar uma rede que conecta os passageiros brasileiros a dezenas de destinos internacionais por meio do nosso hub em Lisboa. Além de facilitar viagens de turismo e negócios, esta nova operação reforça os laços históricos, culturais e econômicos entre Portugal e o Paraná, um estado de grande relevância para o desenvolvimento das relações entre os dois países.”, afirma Carlos Antunes, diretor da TAP para as Américas.
Para o diretor presidente do Viaje Paraná, Irapuan Cortes, a conexão direta tem, entre suas vantagens, a redução de, no mínimo, três horas de duração nas viagens que antes eram feitas com escalas. “É uma rota que facilita o intercâmbio de turistas e coloca o Paraná em destaque no país. O acesso aéreo facilitado é uma das primeiras escolhas de turistas por destinos e o Paraná está entrando para a história ao permitir essa entrada de moeda estrangeira”, disse.
O voo inaugural da rota traz, entre os passageiros, jornalistas de Portugal para conhecerem de perto e divulgarem os atrativos paranaenses. No roteiro, estão City Tour em Curitiba para parques da cidade, Torre Panorâmica, Museu Oscar Niemeyer, Feira do Largo da Ordem, entre outros atrativos .
Eles também vão vivenciar o passeio de trem eleito um dos melhores do mundo, que liga Curitiba ao Litoral pela Serra do Mar, em meio à Mata Atlântica, experimentando o prático típico caiçara do barreado. No domingo (5), o grupo de jornalistas portugueses segue para Foz do Iguaçu para vivenciar o que a cidade oferta de melhor para o turismo, como as Cataratas do Iguaçu – uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Segundo o gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena, Eden Pisani Junior, a chegada do primeiro voo comercial vindo da Europa representa um marco para o aeroporto e para toda a conectividade do Paraná. “Realizamos uma preparação operacional e estrutural para garantir uma experiência adequada aos passageiros, incluindo os fluxos necessários para o atendimento de operações internacionais”, disse.
“Receber o esse voo intercontinental reforça a capacidade da nossa infraestrutura e abre um novo capítulo para ampliar conexões, fortalecer o turismo, os negócios e aproximar ainda mais o estado de mercados internacionais”, completou.
PROMOÇÃO – A rota aérea é fundamental para facilitar a vinda de portugueses ao Paraná, mas o Viaje Paraná também atua com outras formas de promoção do Estado como destino. Ao longo desde ano, foram realizadas diversas ações de promoção do voo em agendas na Espanha e outros países da Europa, especialmente aos agentes de viagens, que atuam nas vendas de pacotes turísticos junto aos seus clientes.
“Uma conexão direta é um fator importante para o agente de viagem atender clientes que solicitam pacotes turísticos, seja em viagens de lazer com as famílias ou até mesmo para viagens de negócios, quando procuram um local para promover algum evento, por exemplo. Nada mais assertivo do que mostrar a eles que, além das ofertas de turismo que possuímos, agora também conseguimos receber esse voo sem escalas”, destaca Cortes.
Fonte: Governo PR
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