Agro
Votação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental segue indefinida e preocupa setor do agronegócio
A análise dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025) continua sem data para ser retomada pelo Congresso Nacional. A sessão prevista para outubro, que trataria dos vetos feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi cancelada, prolongando a incerteza sobre o futuro do texto sancionado em agosto.
Ao todo, 63 vetos foram aplicados, provocando intenso debate entre representantes do agronegócio, ambientalistas e entidades do setor produtivo. Na véspera da sessão cancelada, a Sociedade Rural Brasileira reforçou publicamente sua defesa pela derrubada integral desses vetos.
Agronegócio busca previsibilidade e segurança jurídica
Para a advogada e especialista em direito agrário Márcia Alcântara, o setor rural vê a lei como uma oportunidade de maior previsibilidade regulatória e melhor gestão de riscos.
Segundo ela, o texto aprovado originalmente poderia trazer redução de assimetrias, maior clareza nos processos e estímulos a financiamentos, ao permitir uma estrutura mais estável para a análise de risco por bancos e seguradoras.
No entanto, Alcântara destaca que os vetos presidenciais limitam o alcance do Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC) e ampliam a margem de decisão dos órgãos ambientais, o que pode resultar em prazos mais longos, custos adicionais de conformidade e fiscalização intensificada.
Setor defende derrubada parcial dos vetos
A expectativa predominante no agronegócio é que o Congresso derrube parte dos vetos, retomando pontos considerados essenciais para a eficiência do processo de licenciamento.
De acordo com a especialista, esse seria o cenário ideal, pois restabelece a proporcionalidade por risco, amplia a aplicabilidade da LAC para atividades moderadas, define prazos objetivos e reduz a discricionariedade — elementos alinhados ao Código Florestal.
Possíveis cenários em análise pelo Congresso
Márcia Alcântara aponta três cenários possíveis para a votação:
1. Manutenção integral dos vetos — cenário conservador
Caso o Congresso mantenha os vetos em sua totalidade, prevalece um modelo mais rigoroso.
Isso exigiria das empresas e produtores uma reestruturação de compliance, adaptação dos cronogramas e aumento da burocracia, resultando em processos mais longos e dispendiosos.
2. Cenário híbrido
Uma alternativa intermediária manteria salvaguardas em áreas sensíveis, ao mesmo tempo em que simplificaria o fluxo de licenças para atividades de baixo risco.
Esse modelo também definiria parâmetros mínimos nacionais, respeitando flexibilidades estaduais.
3. Derrubada parcial dos vetos — cenário considerado ideal pelo setor
Este caminho reequilibraria o texto, garantindo instrumentos proporcionais ao risco, simplificação de procedimentos e segurança jurídica, sem abrir mão de proteções socioambientais.
Adequação do agronegócio pode levar até seis meses
Se os vetos forem mantidos, a especialista estima que o setor precisará de 90 a 180 dias para se adaptar às novas regras.
Nesse período, produtores devem:
- mapear atividades conforme o tipo de licença exigido e a bacia hidrográfica;
- classificar impactos e possíveis condicionantes;
- ajustar o cronograma de obras, plantios e colheitas às novas janelas ambientais;
- readequar práticas operacionais para atender às exigências atualizadas.
Lei avança, mas vetos mantêm incertezas
Alcântara destaca que a Lei 15.190/2025 traz avanços importantes ao padronizar conceitos, incentivar inovação e integrar o licenciamento ao Código Florestal e ao sistema digital de Mensuração, Relato e Verificação (MRV).
Apesar disso, a manutenção de elevado grau de discricionariedade e as limitações impostas à LAC preservam incertezas, sobretudo para atividades de médio impacto.
Desafio é equilibrar segurança jurídica e proteção ambiental
Segundo a especialista, o grande desafio está em construir um modelo que una eficiência e responsabilidade ambiental. Uma solução negociada, com parâmetros nacionais mínimos e fluxos simplificados para atividades de baixo risco, tende a gerar ganhos de produtividade sem comprometer a proteção ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Consumo de diesel no Brasil deve bater recorde em 2026 com 70,8 milhões de m³, impulsionado pelo agronegócio
Demanda por diesel deve atingir novo recorde histórico em 2026
O consumo de diesel no Brasil deve alcançar um novo patamar histórico em 2026, refletindo o dinamismo do agronegócio, da indústria e da logística. Segundo relatório da StoneX, a demanda por diesel B está projetada em 70,8 milhões de metros cúbicos, crescimento de 1,9% na comparação anual.
O avanço é sustentado principalmente pelo ritmo da colheita agrícola, aumento das exportações e intensificação do transporte rodoviário de cargas.
“A recuperação do consumo está diretamente ligada à dinâmica econômica do país, especialmente ao agro e à logística”, destaca o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro.
Início de ano mais fraco, mas tendência é de recuperação
Apesar da projeção positiva, o início de 2026 apresentou desempenho mais moderado. As vendas de diesel registraram queda de 1,7% no primeiro bimestre, impactadas por fatores pontuais:
- Atraso na colheita da soja
- Antecipação de compras no fim de 2025
- Ajustes tributários, como aumento do ICMS
No entanto, indicadores recentes já sinalizam retomada. Em março, o fluxo de veículos pesados em rodovias pedagiadas cresceu 7,5%, refletindo o aquecimento do transporte de cargas no país.
Regiões Sul e Sudeste lideram crescimento da demanda
No recorte regional, o relatório aponta que as regiões Sudeste e Sul devem concentrar a maior expansão do consumo de diesel, impulsionadas por:
- Recuperação da produção agrícola
- Desempenho da atividade industrial
- Intensificação do fluxo logístico rumo aos portos
Já o Centro-Oeste deve apresentar crescimento mais moderado, influenciado pela expectativa de menor produção de grãos, embora haja avanço no transporte de etanol de milho.
Produção nacional cresce e reduz necessidade de importações
Do lado da oferta, a produção nacional de diesel A ganhou força no primeiro trimestre, com alta de 4,5%, impulsionada principalmente em março.
Esse movimento reflete esforços das refinarias para ampliar a oferta interna diante das incertezas globais no mercado de energia.
Com isso, a expectativa é de redução nas importações, que devem somar 17,2 milhões de m³ em 2026, queda de 0,6% na comparação anual.
Biodiesel avança acima do diesel e reforça papel estratégico
No segmento de biocombustíveis, o crescimento será ainda mais expressivo. A demanda por biodiesel deve avançar 7,2%, atingindo 10,4 milhões de m³ em 2026.
O desempenho é impulsionado por:
- Aumento da mistura obrigatória para B15
- Crescimento da demanda por diesel
- Busca por alternativas para reduzir dependência externa
“O crescimento do biodiesel reflete tanto o aumento da mistura quanto o dinamismo da demanda por diesel no país”, explica a analista Isabela Garcia.
Óleo de soja segue como principal matéria-prima
O relatório aponta que o óleo de soja continuará como principal insumo para a produção de biodiesel, com participação estimada em 84,7%.
O avanço é favorecido pela ampla oferta interna e pela expectativa de esmagamento recorde de soja no país.
Em um cenário alternativo com adoção da mistura B16, a demanda por biodiesel pode chegar a 10,76 milhões de m³.
Cenário internacional ainda traz incertezas
Mesmo com o ambiente externo marcado por volatilidade — incluindo tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de energia —, a avaliação é de que a demanda por diesel no Brasil deve se manter resiliente.
Isso porque o consumo do combustível está diretamente ligado à atividade econômica, especialmente:
- Transporte de cargas
- Produção agroindustrial
- Cadeias logísticas
Por outro lado, um cenário de deterioração econômica global pode impactar negativamente o consumo no curto prazo.
A expectativa de recorde no consumo de diesel em 2026 reforça o papel central do agronegócio e da logística na demanda por energia no Brasil, enquanto o avanço do biodiesel consolida a transição para uma matriz mais diversificada e estratégica no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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