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Justiça climática e combate ao racismo ambiental são destaques em painel de alto nível na COP30

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou, na última quarta-feira (13/11), do painel de alto nível que debateu a importância da justiça climática e do enfrentamento ao racismo ambiental na COP30. Promovido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Vice-Presidência da Colômbia, o evento reuniu autoridades dos dois países para discutir os impactos desiguais provocados pelo desequilíbrio ambiental e a urgência de políticas ambientais que considerem os povos historicamente vulnerabilizados.

O encontro contou com a participação das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco; e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; da secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes; do secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exterior, embaixador Maurício Lyrio; e da vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez, referência internacional na defesa dos direitos dos povos afrodescendentes.

Durante o debate, autoridades brasileiras ressaltaram o papel central dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e das populações afrodescendentes na proteção dos territórios e na construção de políticas ambientais mais justas. 

A secretária Edel Moraes enfatizou que o racismo ambiental se manifesta na negação histórica de direitos e na maior exposição desses grupos aos efeitos da crise climática. “No Brasil, reconhecemos 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais que ocupam e protegem parte essencial do território nacional. Mas são justamente esses povos que mais sofrem os impactos da crise climática. Isso é racismo ambiental. A negação histórica de direitos, de água, de infraestrutura e de segurança territorial. Falar em justiça climática é garantir que esses segmentos tenham prioridade nas políticas públicas. Sem enfrentar o racismo ambiental, não haverá transição ecológica justa”, afirmou.

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A ministra Sonia Guajajara reforçou que a proteção dos territórios indígenas e o reconhecimento do protagonismo desses povos são pilares fundamentais para uma transição ecológica que não reproduza desigualdades. “A COP30 reafirma que não existe justiça climática sem enfrentar o racismo ambiental. Garantir direitos humanos, território e participação dos povos indígenas é essencial para uma transição justa. Proteger a floresta é garantir futuro para todos”, destacou.

A ministra Anielle Franco destacou que as desigualdades ambientais enfrentadas diariamente por comunidades negras e periféricas demonstram a urgência de políticas públicas comprometidas com justiça e equidade. “O racismo ambiental evidencia que comunidades negras e periféricas seguem mais expostas aos impactos da crise climática. Enfrentar esse problema é garantir que políticas ambientais considerem justiça, equidade e a proteção da vida em todos os territórios”, pontuou.

O debate também trouxe a perspectiva da política externa brasileira. O embaixador Mauricio Lyrio ressaltou que a abordagem climática integrada a direitos humanos e igualdade racial é central para a atuação internacional do Brasil. “O racismo ambiental revela como a crise climática reproduz desigualdades profundas e afeta de maneira desproporcional comunidades afrodescendentes, indígenas e grupos historicamente vulnerabilizados. A Declaração de Belém reafirma o compromisso do Brasil em integrar igualdade racial, direitos humanos e ação climática em uma mesma agenda. É um chamado à cooperação internacional para que possamos amplificar essas vozes, fortalecer respostas baseadas em justiça e construir um futuro mais inclusivo e resiliente para todos”, afirmou.

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Encerrando o painel, a Francia Márquez celebrou a iniciativa brasileira de avançar uma declaração conjunta contra o racismo ambiental, enfatizando a centralidade dos povos afrodescendentes e indígenas na agenda climática. “A iniciativa do Brasil de avançar uma declaração contra o racismo ambiental é um passo decisivo para construir políticas climáticas mais justas. Reconhecer os povos afrodescendentes e indígenas e garantir a defesa de seus territórios é essencial para enfrentar as desigualdades que a crise climática aprofunda. A justiça climática só será possível quando esses povos forem plenamente considerados na tomada de decisões.”

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Ministério da Saúde reforça preparação do SUS em Roraima diante dos impactos da seca e do El Niño

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O Ministério da Saúde realiza, nos dias 15 e 16 de setembro, uma visita técnica a Roraima para avaliar a capacidade de resposta do estado aos impactos da seca e da estiagem na saúde da população e no funcionamento dos serviços de saúde. A missão será conduzida pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), em articulação com as secretarias de Atenção Especializada à Saúde (SAES), de Atenção Primária à Saúde (SAPS) e de Saúde Indígena (SESAI), além da Secretaria de Estado da Saúde de Roraima.

A iniciativa ocorre diante do agravamento das condições climáticas no estado. Em 2 de setembro, o Governo de Roraima decretou situação de emergência em razão da estiagem, classificada como desastre de nível 2, de média intensidade, pelo período de 180 dias. A atuação do El Niño, atualmente classificado como de intensidade muito forte, pode intensificar a seca nos próximos meses, aumentando o risco de incêndios florestais e os possíveis impactos sobre a população e a rede de saúde.

Os indicadores ambientais já apontam para o agravamento do cenário. Agosto de 2026 registrou o maior número de focos de calor da série histórica para o período em Roraima. Até 27 de agosto, foram contabilizadas 87 ocorrências, superando o recorde anterior, de 78 focos, registrado em 2023.

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Durante a visita, representantes do Ministério da Saúde e do estado vão apresentar o cenário da seca e da estiagem em Roraima, discutir as estratégias de preparação já existentes e avaliar as possibilidades de apoio federal. A programação prevê, ainda, a definição de uma estratégia de intervenção e a construção conjunta de um plano de ação para o enfrentamento dos impactos associados ao El Niño. No segundo dia da agenda, o plano será apresentado e pactuado entre os participantes.

Preparação do SUS

A iniciativa em Roraima integra as ações de preparação e resposta do Ministério da Saúde diante de emergências relacionadas ao clima e ocorre em meio à mobilização nacional para preparar o SUS para os impactos do El Niño.

No início de setembro, gestores dos 26 estados e do Distrito Federal participaram de uma nova etapa de construção dos Planos Estaduais de Enfrentamento ao fenômeno, considerando os riscos, as necessidades e as vulnerabilidades de cada território. A atuação federal inclui o monitoramento de eventos como estiagens prolongadas, ondas de calor, incêndios florestais, baixa umidade, chuvas intensas e enchentes, com a produção de análises para orientar alertas, identificar áreas prioritárias, apoiar a preparação da rede de saúde e atualizar os planos de contingência.

Nesse trabalho, o Ministério da Saúde conta com oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), localizados em Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Santarém (PA), Salvador (BA) e Fortaleza (CE). Os centros reúnem e analisam dados climáticos e epidemiológicos para identificar riscos, apoiar a elaboração de planos de contingência e subsidiar a resposta do SUS diante de eventos extremos.

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A Força Nacional do SUS (FN-SUS) também está disponível para apoiar estados e municípios nas ações de assistência, conforme a necessidade e a avaliação técnica de cada ocorrência. O país conta, atualmente, com três bases regionais em funcionamento — em Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro. Equipadas com posto médico avançado, comunicação via satélite e drones, as estruturas podem deslocar apoio para localidades de suas regiões de referência em até 12 horas. Outras seis bases estão previstas até o fim de 2026.

As iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas. Apresentado durante a COP30, o AdaptaSUS — Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas — estabelece 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de R$ 9,8 bilhões em investimentos para a adaptação estrutural da rede de saúde.

Deborah Novais
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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