Brasil
Casa da Ciência recebe debate sobre como as mudanças climáticas afetam a agricultura brasileira
A Casa da Ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em Belém (PA), recebeu nesta sexta-feira (14) a palestra magna Impacto Potencial da Produção Agrícola Frente às Mudanças Climáticas no Brasil: Padrões e Implicações Atuais, Futuras e Oportunidades, conduzida pelo pesquisador da Rede Clima da Fundação Getulio Vargas (FGV) Eduardo Assad. Ele tem mais de 35 anos de experiência em climatologia, mudanças climáticas e riscos na agricultura. Evento faz parte da programação da sede simbólica do MCTI na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30).
Assad destacou que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera está diretamente ligado ao aquecimento do planeta, fenômeno que já impacta as cadeias produtivas da agricultura e da pecuária. Segundo ele, compreender e antecipar esses efeitos é fundamental para manter o Brasil entre os líderes globais na produção de alimentos. “Ou a gente faz uma opção para ter uma agricultura agroambiental ou esse segundo ou primeiro lugar de produção agrícola vai se perder com o tempo. A discussão não é ambiental contra agrícola. Precisamos buscar caminhos que unam o conhecimento dos dois grupos”, afirmou.
O pesquisador também explicou que, embora a agricultura seja afetada pelas mudanças climáticas, o setor energético segue como principal responsável pelas emissões globais. “O problema não é a agricultura, o problema é a energia, são os combustíveis fósseis. Nós temos que difossilizar a atmosfera e trabalhar com alternativas. A agricultura não passa de 30% das emissões globais. A responsabilidade principal está nos 70% emitidos pelo setor energético”, disse.
Assad apresentou dados que mostram como diferentes regiões sofrem impactos distintos. Pequenos agricultores do Nordeste, por exemplo, enfrentam maior vulnerabilidade, especialmente diante da redução das estações chuvosas, que já diminuíram até 30 dias no País e podem chegar a 100 dias na região. Mantidas as projeções, parte do Nordeste poderá se transformar em área semiárida até 2100.
Soluções
Ele também destacou experiências positivas, como áreas de agricultura regenerativa em Mato Grosso (MT), e reforçou a necessidade de práticas sustentáveis. “Se quiser continuar produzindo para sempre, tem que investir. O ponto principal é desmatamento zero. Esses produtores entenderam que, se não fizerem isso, estão fora do jogo”, afirmou.
Ao concluir, Assad reforçou que secas, ondas de calor e desmatamento já afetam diretamente a produção e exigem respostas integradas de ciência, tecnologia, gestão ambiental e inovação. Segundo ele, o Brasil já dispõe de experiências consolidadas que mostram caminhos possíveis. “Temos soluções aqui. Sistemas integrados, recuperação de pastagens, redução do desmatamento, tudo isso pode transformar o País em um grande sumidouro de carbono”, afirmou. “Precisamos ser mais ouvidos e publicar mais, porque temos dados e conhecimento para liderar esse processo”, finalizou.
Casa da Ciência
A Casa da Ciência do MCTI, no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um espaço de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa.
Brasil
O MTE resgata trabalhador idoso no interior do Paraná
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou, no dia 27 de maio, um trabalhador de 69 anos submetido a condições análogas à escravidão em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ação foi realizada pela equipe de auditores-fiscais do Trabalho com o apoio da Polícia Federal.
O trabalhador atuava como vigia em uma propriedade, localizada em uma área de transição entre a zona urbana e rural do município. O local era utilizado para exposição de veículos destinados à venda ou locação, e cabia ao trabalhador recepcionar eventuais interessados e acionar o empregador para a realização dos negócios.
Durante a fiscalização, a equipe do MTE constatou que o idoso vivia e trabalhava em condições degradantes. Sem acesso à água encanada, ele dependia da solidariedade de uma empresa vizinha para obter água potável, tomar banho e atender outras necessidades básicas. O banheiro existente no local possuía apenas um vaso sanitário, sem abastecimento de água, o que o tornava inutilizável.
Os auditores também informaram que a estrutura disponível para descanso era precária. O trabalhador dormia na cabine de um caminhão, que estava entre os veículos expostos no terreno, por considerar o espaço de alvenaria inadequado para permanência. Suas roupas eram guardadas em um pequeno armário improvisado e, sem acesso a condições adequadas de higiene, ele utilizava um sistema rudimentar para lavar as peças com água da chuva.
Os auditores-fiscais do Trabalho disseram que o trabalhador mencionou que o empregador comprava eventualmente alimentação. O local não tinha água potável, e o trabalhador era submetido a jornadas exaustivas, sem descanso semanal remunerado. Segundo apurado pela fiscalização, ele se encontrava nessa situação havia aproximadamente um ano.
Diante das irregularidades constatadas, o MTE caracterizou a ocorrência de trabalho análogo à escravidão em razão das condições degradantes de trabalho e do excesso de jornada, efetuando o resgate do trabalhador e adotando as medidas administrativas cabíveis para assegurar seus direitos.
O combate ao trabalho análogo à escravidão é uma das prioridades da Inspeção do Trabalho e tem como objetivo garantir condições dignas, seguras e compatíveis com os direitos fundamentais dos trabalhadores brasileiros.
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