Agro
Suplementação prolongada de colina aumenta produção, fertilidade e longevidade de vacas leiteiras, aponta estudo da Kemin
Estudo demonstra ganhos expressivos na produção e reprodução
Um estudo realizado pela Kemin, fabricante global de ingredientes para nutrição animal, mostra que a suplementação de colina encapsulada em vacas leiteiras até 100 dias após o parto proporciona aumento na produção de leite, melhora da fertilidade e redução do descarte do rebanho.
Durante o período de 150 dias de lactação, as vacas suplementadas apresentaram maior produção de leite por dia, e a taxa de prenhez foi 9 pontos percentuais superior em relação ao grupo controle.
Período de transição: momento crítico para a saúde e produção
O período de transição, definido como os 21 dias antes e os 21 dias após o parto, é considerado um dos momentos mais críticos na vida produtiva das vacas.
“Durante essa fase, ocorrem ajustes importantes no organismo da vaca, como adaptação ao aumento da demanda energética, ingestão de alimento menor que a necessária e alterações hormonais, que são fatores determinantes para a saúde, a produção e a reprodução”, explica João Ronchesel, zootecnista e Mestre em Nutrição de Ruminantes da Kemin.
Um manejo eficiente nesse período impacta positivamente toda a lactação, reduz riscos de doenças, melhora a eficiência reprodutiva e aumenta a produtividade do rebanho.
Benefícios comprovados da colina encapsulada
Estudos científicos já destacam os efeitos da suplementação de colina protegida ou encapsulada em vacas no período de transição, incluindo:
- Maior produção de leite durante toda a lactação;
- Redução da incidência de doenças metabólicas e hepáticas;
- Melhor desempenho reprodutivo, com aumento da taxa de prenhez;
- Menor descarte involuntário, aumentando a longevidade do rebanho.
Uma meta-análise apontou que vacas suplementadas com colina encapsulada podem produzir, em média, 1,6 kg de leite a mais por dia.
Lacunas no mercado brasileiro
Apesar dos benefícios comprovados, a suplementação pós-parto ainda é pouco utilizada no Brasil. Segundo Ronchesel:
“Isso ocorre em parte devido à estrutura de manejo das fazendas — poucas possuem um grupo específico para vacas no pós-parto — e à falta de dados consistentes sobre performance de leite para calcular o retorno sobre o investimento.”
Nova pesquisa reforça benefícios da suplementação prolongada
A Kemin conduziu pesquisas de campo na Europa, suplementando vacas até 40 ou 60 dias pós-parto, com resultados positivos na produção de leite e reprodução. A nova pesquisa, estendida até 100 dias pós-parto, apresentou:
Aumento de 9 pontos percentuais no número de vacas prenhes;
- Redução significativa do descarte de vacas, aumentando eficiência e rentabilidade;
- Produção média de 1,1 kg a mais de leite por dia durante 150 dias de lactação.
“Os benefícios do uso da colina encapsulada vão além do período tradicional de transição e tendem a aumentar com o tempo de suplementação. Manter a suplementação pode impulsionar a produção de leite e melhorar os índices reprodutivos do rebanho”, afirma Ronchesel.
Impacto para produtores: vacas mais saudáveis e rebanho mais rentável
Com a suplementação estendida no período pós-parto, os produtores podem garantir vacas mais saudáveis, produtivas e com maior longevidade, transformando o manejo desse período em uma oportunidade de inovação e eficiência para a pecuária leiteira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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