Agro
Corvian e Sicredi firmam parceria para fortalecer gestão de risco e monitoramento do crédito agrícola
A transformação digital do crédito rural ganhou um novo impulso com a parceria estratégica entre a Corvian, empresa de tecnologia voltada ao agronegócio, e o Sicredi, uma das maiores instituições financeiras cooperativas do país. O acordo prevê o monitoramento, em nível de campo, de milhões de hectares de lavouras financiadas durante a safra 2026/27, ampliando a capacidade de gestão de risco e o acompanhamento das operações de crédito agrícola.
A iniciativa busca oferecer maior visibilidade sobre as áreas financiadas, apoiar decisões mais precisas na concessão de crédito e fortalecer a conformidade com as exigências regulatórias do setor financeiro.
Tecnologia amplia monitoramento das lavouras financiadas
O Brasil movimenta, a cada safra, milhões de hectares por meio das operações de crédito rural. Em um cenário de expansão da carteira agrícola, acompanhar o desenvolvimento das lavouras tornou-se um dos principais desafios para as instituições financeiras.
Tradicionalmente, esse processo depende de inspeções presenciais e de informações fornecidas pelos próprios produtores, modelos que podem limitar a rapidez e a abrangência do monitoramento.
Com a nova parceria, a Corvian fornecerá ao Sicredi uma plataforma capaz de acompanhar continuamente as áreas financiadas ao longo de todo o ciclo produtivo, do plantio à colheita.
Inteligência de risco reforça gestão do crédito rural
Além do monitoramento das lavouras, a tecnologia permitirá ampliar a inteligência de risco das operações agrícolas.
Entre as principais funcionalidades previstas estão:
- acompanhamento das condições das lavouras em tempo real;
- identificação antecipada de áreas não plantadas;
- detecção de alterações de culturas agrícolas;
- monitoramento de janelas de plantio;
- análises históricas de uso da terra;
- direcionamento mais eficiente de inspeções em campo.
Segundo as empresas, essas informações tornam a avaliação das operações mais precisa, contribuindo para decisões de crédito mais rápidas e melhor fundamentadas.
Plataforma também apoiará operações do Proagro
Outro objetivo da parceria é fortalecer o acompanhamento das operações vinculadas ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
O monitoramento contínuo das áreas financiadas permitirá ampliar a visibilidade sobre os riscos das lavouras, apoiando tanto a gestão da carteira quanto a análise de eventos que possam resultar em pedidos de cobertura do programa.
A iniciativa também busca reduzir a exposição da instituição financeira em processos de subscrição e na gestão de sinistros.
Automação deve agilizar conformidade regulatória
A plataforma disponibilizada pela Corvian também automatiza parte dos processos de geração de informações exigidas pelos órgãos reguladores.
Entre os benefícios esperados estão:
- elaboração mais rápida de relatórios regulatórios;
- redução das atividades manuais de validação;
- integração simplificada com sistemas corporativos;
- apoio ao atendimento das exigências da Resolução CMN nº 5.127.
Segundo as empresas, a automatização contribui para aumentar a eficiência operacional e reduzir custos administrativos relacionados ao compliance.
Plataforma foi desenvolvida para operar em larga escala
A infraestrutura tecnológica utilizada pela Corvian reúne processamento de dados, geração de relatórios e integração com sistemas corporativos em uma única plataforma.
Baseada em um conjunto de tecnologias protegidas por 36 patentes AgTech, a solução foi desenvolvida para atender operações de grande porte, permitindo acompanhar milhões de hectares sem elevar a complexidade operacional das instituições financeiras.
Tecnologia amplia inteligência para todo o agronegócio
De acordo com Guilherme Belardo, diretor-geral da Corvian para a América Latina, a plataforma transforma dados coletados diretamente nas lavouras em informações estratégicas para a gestão do risco agrícola.
Segundo o executivo, esse nível de monitoramento oferece maior precisão na análise das operações de crédito e seguros, contribuindo para decisões mais assertivas em grandes carteiras agrícolas.
Embora o acordo tenha como foco inicial o crédito rural e o monitoramento das operações da safra 2026/27, as empresas destacam que a tecnologia possui potencial para apoiar diferentes segmentos da agricultura empresarial, ampliando a digitalização e a eficiência da gestão no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Impasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Fazenda em busca de um socorro financeiro para o setor, mas esbarrou em um impasse técnico que ameaça o planejamento da próxima safra.
Ao apresentar uma contraproposta com taxas de juros mais acessíveis e prazos estendidos, a bancada ruralista tenta reverter as restrições impostas pelo governo, que, até o momento, limita o auxílio apenas aos prejuízos causados por eventos climáticos, excluindo o impacto das oscilações de mercado que também comprimiram a receita dos produtores.
O agronegócio, motor de cerca de um quarto do PIB nacional, enfrenta um cenário de crescente pressão sobre o fluxo de caixa. Entre 2019 e 2025, uma sucessão de frustrações climáticas, somada à desvalorização dos preços das commodities, gerou um passivo significativo que agora trava a capacidade de investimento para o próximo ciclo produtivo. A urgência da FPA em encontrar uma solução baseia-se no temor de que a falta de crédito provoque uma retração na área plantada e no uso de tecnologia, impactando a produtividade de um setor que é pilar da balança comercial brasileira.
Disputa de números
A divergência entre as propostas em mesa reflete a busca pelo equilíbrio entre a viabilidade do produtor e a responsabilidade fiscal do governo. A FPA defende um modelo de renegociação mais abrangente: para perdas por eventos climáticos, a sugestão é de juros de 4%, 6% e 8% ao ano. Já para perdas causadas por movimentos de mercado, a bancada propõe taxas de 5%, 7% e 9% — valores escalonados conforme o porte do produtor. A entidade pede ainda um prazo de oito anos para pagamento, com dois de carência, e a ampliação do teto de financiamento para R$ 10 milhões por CPF.
O Ministério da Fazenda, contudo, mantém uma postura de maior rigor. A contraproposta do Executivo foca exclusivamente em perdas climáticas, com juros mais elevados — 6%, 9% e 12% ao ano — e um prazo menor de quitação: seis anos de pagamento com dois de carência. Além disso, a pasta sugere um limite de R$ 8 milhões por CPF para a renegociação.
Pontos de consenso e entraves
Embora o impasse nas taxas e na abrangência das dívidas persista, houve avanços em pontos estruturais. O governo concordou em manter o teto de R$ 50 milhões para financiamento a cooperativas, permitindo que estas atuem no repasse de crédito aos cooperados. Também houve progresso na discussão sobre um fundo garantidor e na flexibilização da regulamentação do crédito rural, permitindo que os bancos aproveitem melhor as garantias já existentes, atrelando-as à proporcionalidade da dívida.
Outro mecanismo em debate é a operação “mata-mata” para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A ideia é permitir que produtores emitam novos títulos para quitar dívidas anteriores, uma forma de organizar o passivo e destravar o fluxo financeiro. No entanto, o tratamento das dívidas privadas permanece como um dos pontos mais críticos; a FPA quer evitar que débitos remanescentes sejam renegociados a taxas próximas de 20%, defendendo uma trava atrelada à Selic para não inviabilizar a renegociação.
A expectativa é que um texto de consenso surja nos próximos dias, seja para a publicação de uma Medida Provisória, com vigência imediata, ou o envio de um projeto de lei em regime de urgência. A resolução rápida é tratada pela bancada ruralista como condição indispensável para garantir que o setor mantenha o ritmo de produção que sustenta a economia nacional.
Fonte: Pensar Agro
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