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Política Nacional

Diesel e crise climática: CMO confirma mais de R$ 12 bi para ministérios

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A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, em reunião nesta terça-feira (7), oito medidas provisórias que liberam R$ 12 bilhões extras para ministérios. A maior parte do dinheiro (R$ 10 bilhões) diz respeito à subvenção ao diesel dos caminhoneiros em razão da guerra no Oriente Médio ter causado alta no preço do barril do petróleo durante meses este ano. Na prática, o governo arca com parte do preço do combustível para que seja vendido mais barato pelas distribuidoras ou postos de gasolina ao consumidor.

O restante dos recursos é destinado a respostas do poder público a desastres climáticos em todo o país, como chuvas intensas e enchentes em Minas Gerais, tornado e vendavais no Paraná, incêndios e outros eventos nas regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e no Semiárido em 2025 e 2026. As MPs terão que passar agora pelos plenários da Câmara e do Senado.

Chuvas intensas em Minas

A MP 1.342/2026 liberou R$ 1,3 bilhão extra para contornar danos causados pelas mudanças climáticas — em especial pelas chuvas intensas que ocorreram em fevereiro em cidades como Ubá e Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. Os recursos vão para os ministérios da Fazenda, das Cidades, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. 

Os créditos extraordinários permitem aplicação de:

  • R$ 500 milhões no Programa Minha Casa, Minha Vida, que pode receber 1,5 mil novas unidades no estado mineiro; 
  • R$ 500 milhões em empréstimos, em todo o país, para ações que diminuam ou adaptem as consequências das mudanças climáticas;
  • R$ 5 milhões em assistência social em 51 novos municípios mineiros;
  • R$ 300 milhões em mecanismo que permite juros menores para empresas mineiras tomarem empréstimo destinado a reconstruir seus negócios. Os valores comporão o Fundo Garantidor de Operações.

Diesel dos caminhoneiros

Diante da crise provocada pela guerra no Oriente Médio, que pressionou o preço dos combustíveis, o governo editou a MP 1.344/2026 para conter a alta do diesel rodoviário. A MP também dá aos motoristas de caminhão mais proteção legal contra empregadores que desrespeitam o valor do piso nacional do frete. 

A MP permite gasto extra de R$ 10 bilhões em subvenção para a venda de óleo diesel de uso rodoviário. O crédito extraordinário deve durar até 31 de dezembro deste ano.

Em paralelo, a MP estabeleceu a alíquota de exportação dos óleos brutos do petróleo em 12% e em 50% no caso do óleo diesel, para aproveitar parte dos lucros decorrentes do aumento do preço internacional do petróleo para equilibrar os preços internamente. 

Tornado no Paraná

A MP 1.346/2026 abriu crédito extraordinário de R$ 20,4 milhões para recuperar os estragos causados pelo tornado que atingiu municípios do Paraná em novembro de 2025. O dinheiro é destinado para atenuar os prejuízos  das famílias de projetos de assentamento nos municípios paranaenses de Guarapuava, Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu.

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O valor é em favor do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e de operações de crédito.  As ações citadas pelo governo na justificativa da medida estão:

  •  reconstrução de 8 barracões comunitários, no total de R$ 4 milhões;
  •  operações de crédito para reforma de 191 casas, no total de R$ 9,5 milhões;
  •  operações de crédito para construção de dez casas, no total de R$ 975 mil;
  •  operações de crédito para recuperação produtiva de 251 famílias assentadas atingidas, Fomento Mulher, Fomento Jovem e Fomento Recuperação Ambiental, no total de R$ 5,9 milhões.

Tempestades e vendavais de Norte a Sul

Por sua vez, a MP 1.347/2026 abriu um crédito extraordinário de R$ 285 milhões para financiar ações de resposta e recuperação imediata em municípios atingidos por desastres climáticos no Brasil. 

Os recursos, destinados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, vão custear socorro às populações afetadas, recuperação de áreas destruídas e suporte às prefeituras que solicitaram auxílio federal.

O governo aponta que eventos climáticos extremos causaram impactos severos em diversas regiões brasileiras. Municípios das Regiões Norte, Sul e Sudeste foram atingidos por alagamentos, transbordamentos críticos, tempestades severas e vendavais em 2026. Já a região do Semiárido enfrenta fenômenos de seca e estiagem.

Gás de cozinha

Outra medida aprovada pela CMO foi a MP 1.351/2026, com subvenção econômica de R$ 330 milhões para empresas importadoras de gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha. A medida integra o pacote do governo federal para contenção dos impactos nos preços do petróleo e de seus derivados causados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O crédito extraordinário foi liberado para o Ministério de Minas e Energia (MME) e busca garantir a equalização dos preços do produto importado com o nacional. A subvenção se aplica aos produtos entregues entre 1º de abril e 31 de maio deste ano, com possibilidade de prorrogação por mais dois meses. 

Enchentes e deslizamentos na Zona da Mata

A MP 1.361/2026 liberou R$ 75,3 milhões extras em auxílio financeiro para 10 mil famílias da região da Zona da Mata, no sudeste de Minas Gerais. A medida beneficia as famílias que tiveram danos materiais em razão das enchentes e deslizamentos de terra no início do ano. As famílias devem ser de municípios com estado de calamidade reconhecido pelo governo federal, como Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá.

Os auxílios obedecerão à MP 1.338/2026, de março, que prevê parcela única de R$ 7.300 por família. Os recursos do novo crédito serão destinados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e são mais do que o dobro da primeira leva do auxílio, liberado em março. Os valores também incluem gastos operacionais. A ação ocorre por meio de contrato de repasse com a Caixa Econômica Federal.

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Chuvas e enchentes na Paraíba e Pernambuco

A MP 1.364/2026 permite que famílias afetadas pelas fortes chuvas e enchentes de maio no Nordeste recebam apoio para garantir o acesso à alimentação e retomar a produção rural. Crédito extraordinário de R$ 49,2 milhões em favor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). 

O dinheiro é para o programa Segurança Alimentar e Nutricional e Combate ampliar o atendimento às populações atingidas pelos desastres climáticos registrados em maio, especialmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba. 

Do total de recursos, R$ 40 milhões devem ser destinados à aquisição e distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares. Segundo o governo, os recursos são para compra e doação de cerca de 6 mil toneladas de alimentos, beneficiando 3 mil famílias agricultoras e reforçando cozinhas solidárias. Outros R$ 9,2 milhões são para ações de inclusão produtiva rural, voltadas à recuperação da capacidade produtiva das populações atingidas. 

De acordo com a exposição de motivos da MP, as chuvas afetaram 18 municípios em Pernambuco e 31 municípios na Paraíba, e alcançaram aproximadamente 10 mil famílias. Tanto áreas urbanas quanto propriedades rurais da agricultura familiar foram atingidas.  

Combate a incêndios por Ibama e ICMBio

O governo federal liberou R$ 337,4 milhões para combate a incêndios por meio da MP 1.367/2026, que destina recursos para os seguintes órgãos:

  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama): R$ 149 milhões para prevenir queimadas em 148 mil quilômetros quadrados e R$ 45 milhões para fiscalização ambiental em geral; e
  • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio): R$ 143 milhões para prevenção e fiscalização nas unidades de conservação federais, como reservas e parques nacionais.

A MP cumpre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que cobram providências da União contra aumento de incêndios (ADPF 743) e desmatamento (ADPF 760).

Dinheiro extra

Como uma MP entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União (DOU), a maior parte do dinheiro já está em uso. A aprovação de recursos extras para o Orçamento vigente ocorre em situações de relevância ou urgência e são liberados pela Presidência da República por meio de MPs, pois são recursos não previstos nas peças orçamentárias em vigor. 

Mas o Congresso Nacional deve analisá-las no máximo em 120 dias. Se aprovada, a MP é convertida em lei, mantendo-se os prazos previstos. Caso a MP não seja aprovada, o governo não pode repassar os valores que não tiverem sido usados.

Diferente de outros tipos de crédito adicional, o crédito extraordinário pode ser aberto diretamente pelo Poder Executivo via medida provisória, sem aprovação prévia do Congresso. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Líderes adiam votação de projeto sobre misoginia por falta de consenso

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Líderes partidários definiram a pauta de votação desta semana na Câmara e entenderam que ainda não há consenso para aprovar o texto que criminaliza a misoginia (PL 896/23). A misoginia é o menosprezo ou a discriminação contra a mulher em razão de sua condição – também descrita como ódio ou aversão a mulheres. A proposta em discussão na Câmara já foi aprovada pelo Senado e equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível.

O vice-líder do PL Domingos Sávio (MG) afirmou que é favorável a qualquer ação para combater a violência contra a mulher, mas defendeu que o texto seja claro de forma a evitar futuras interpretações que possam ir contra a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa.

“Há discordância sobre a forma como o texto está apresentado, principalmente por parte de parlamentares evangélicos e católicos, que entendem que isso possa levar à criminalização de algum tipo de manifestação de textos bíblicos, por exemplo”, disse Sávio.

Mercados digitais
O relator do projeto que acrescenta a proteção à concorrência nos mercados digitais entre as atribuições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), deputado Aliel Machado (PV-PR), defendeu a aprovação da matéria antes do recesso parlamentar (PL 4675/25). Machado participou da reunião de líderes e afirmou que o relatório será publicado amanhã. Para ele, trata-se de um projeto prioritário, pois o país já está atrasado em relação ao mundo sobre esse tema.

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A proposta do Poder Executivo cria novos tipos de processo para proteger a concorrência em um mercado que envolve plataformas de internet que usam dados pessoais dos usuários para direcionar publicidade e alavancar negócios de empresas de todos os setores.

“Esse assunto não trata de liberdade de expressão nem de punição por conteúdo. Trata-se de uma questão econômica. Estamos atrasados em relação a esse debate. Com a chegada dessas novas tecnologias e das big techs, que concentram grande poder, estamos tendo um atraso na análise por parte do Cade. É preciso que essa análise avance para proteger tanto o consumidor quanto o empresário”, disse o parlamentar.

Dívida rural
O líder do governo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que o governo deve encaminhar uma medida provisória para tratar de questões mais polêmicas do projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais. Mais cedo, Pimenta participou de reunião entre o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para debater o texto.

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A discussão avançou e uma reunião foi agendada para amanhã entre Durigan, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o líder do governo para tratar de temas como taxas de juros, prazos de financiamento e critérios de enquadramento.

Pimenta ressaltou, no entanto, que os parlamentares querem estender o escopo do projeto para todos os produtores rurais brasileiros, enquanto o texto abrange apenas os que foram atingidos por eventos climáticos extremos nas últimas seis safras.

“Tudo aquilo que for para garantir apoio aos produtores e às produtoras que, nas últimas seis safras, tiveram perdas em pelo menos duas por conta da estiagem ou das enchentes, pode ter certeza de que eu, como líder do governo, estou empenhado em construir esse consenso”, disse o líder.

Para Paulo Pimenta, ampliar o alcance da proposta para todos os produtores rurais que tiveram perdas em função da variação de preço do produto ou da variação de custo dos insumos inviabiliza o projeto.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira

Fonte: Câmara dos Deputados

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