Agro
Mapa reforça compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a cooperação internacional em Bruxelas
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, entre os dias 16 e 18 de junho, do evento de encerramento do programa AL-INVEST Verde, realizado no SQUARE Brussels Meeting Centre, em Bruxelas, na Bélgica. A iniciativa, financiada pela União Europeia com orçamento de € 47,5 milhões, promoveu ações voltadas ao crescimento sustentável, ao fortalecimento institucional e ao comércio verde em 15 países da América Latina e do Caribe, consolidando-se como uma das principais plataformas de cooperação birregional em sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
Representando o Mapa, a assessora especial do ministro André de Paula, Sibelle Andrade, participou da sessão de abertura dedicada à cooperação entre Brasil e União Europeia, ao lado do diretor para América Latina e Caribe da Direção-Geral de Parcerias Internacionais (DG INTPA) da Comissão Europeia, Félix Fernández-Shaw, e do embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva.
Em sua apresentação, Sibelle destacou o papel do Brasil como potência agroalimentar e ambiental e apresentou políticas públicas que impulsionam a sustentabilidade da agropecuária brasileira, entre elas o Plano ABC+, o RenovaBio, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e a plataforma Agro Brasil + Sustentável. Também ressaltou o potencial do Acordo Mercosul-União Europeia para ampliar oportunidades em áreas como bioeconomia, bioinsumos e indicações geográficas.
A representante do Mapa também participou da abertura do VII Diálogo Agroalimentar União Europeia–América Latina e Caribe (UE–ALC), ao lado da diretora da DG AGRI da Comissão Europeia, Elisabetta Siracusa, e do diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Muhammad Ibrahim. Durante o painel, destacou a importância estratégica da América Latina e do Caribe para a segurança alimentar global e o papel exercido pelo Brasil na presidência da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), principal fórum de ministros da Agricultura das Américas.
“Na América Latina concentramos uma parcela decisiva da segurança alimentar e ambiental do planeta. Somos a maior região exportadora líquida de alimentos do mundo, reunimos cerca de um terço da água doce renovável global e abrigamos aproximadamente 40% da biodiversidade mundial. Quando discutimos agricultura sustentável, estamos falando de uma responsabilidade compartilhada e de uma oportunidade comum”, afirmou.
O encontro reuniu autoridades da Comissão Europeia, representantes de governos da América Latina e do Caribe, organismos internacionais, instituições de pesquisa e representantes do setor privado para discutir os desafios e as oportunidades da transição sustentável das cadeias agroalimentares. Nesse contexto, a participação brasileira reforçou o protagonismo do país nas agendas de segurança alimentar, sustentabilidade e comércio internacional.
Outro destaque da programação foi a participação do coordenador-geral de Produção Animal do Mapa, Bruno Meireles Leite, no painel Sustainability Policies in the Brazilian Context. Ao lado de representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério Público Federal, Bruno apresentou iniciativas voltadas à intensificação sustentável da pecuária, com destaque para os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), mecanismos de reconhecimento de boas práticas socioambientais e a plataforma Agro Brasil + Sustentável.
O encerramento do programa também evidenciou resultados concretos alcançados pelo AL-INVEST Verde no Brasil, especialmente em iniciativas voltadas ao fortalecimento da rastreabilidade e da transparência das cadeias produtivas nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e Rondônia. A participação de representantes estaduais demonstrou a importância da articulação entre os diferentes níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável e ampliar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais.
Além da programação oficial, representantes do Mapa participaram, em 15 de junho, de uma série de reuniões de alto nível promovidas pelo IICA junto à Comissão Europeia. Os encontros reuniram representantes das diretorias-gerais de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DG AGRI), Parcerias Internacionais (DG INTPA), Comércio (DG TRADE), Meio Ambiente (DG ENV) e do Serviço Europeu de Ação Externa para tratar de temas como agricultura sustentável, comércio agroalimentar, inovação e cooperação técnica.
A participação brasileira em Bruxelas reforçou o compromisso do Mapa com o fortalecimento da cooperação internacional e evidenciou o papel do Brasil como parceiro estratégico da União Europeia na promoção de uma agricultura mais sustentável, resiliente e inovadora. O encontro também consolidou a parceria entre o Mapa, a União Europeia e o IICA como instrumento para ampliar a cooperação técnica e impulsionar agendas comuns voltadas à segurança alimentar, à conservação ambiental e ao desenvolvimento econômico sustentável.
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Agro
Vacinação contra Salmonella reduz mortalidade de suínos em mais de 50% e gera ROI de até 796%
Desafio sanitário cresce na suinocultura brasileira
A suinocultura nacional tem enfrentado um cenário de maior pressão sanitária com o avanço da Salmonella enterica sorovar Choleraesuis. Além dos impactos na produtividade e no bem-estar animal, a presença da bactéria também representa risco para a saúde pública e pode afetar a competitividade do Brasil no mercado exportador.
No campo produtivo, os prejuízos estão associados principalmente à redução do ganho de peso e ao aumento da mortalidade nas fases iniciais de criação.
Vacinação reduz mortalidade em mais de 54% na fase de creche
Um levantamento realizado pela MSD Saúde Animal em uma granja comercial em Minas Gerais apontou resultados expressivos com a adoção de estratégia vacinal preventiva.
A taxa de mortalidade na fase de creche caiu de 6,51% para 2,97%, o que representa uma redução de 54,38% nas perdas de animais.
O desempenho reforça o papel da imunização como ferramenta central no controle da enfermidade dentro dos sistemas produtivos.
Retorno econômico chega a quase R$ 8 para cada R$ 1 investido
Além dos ganhos sanitários, o estudo também evidenciou forte impacto financeiro positivo.
A redução da mortalidade foi associada a um incremento estimado de mais de R$ 163 mil por ano no resultado da granja analisada. O Retorno sobre o Investimento (ROI) atingiu 796%.
Na prática, isso significa que cada R$ 1,00 aplicado na vacinação gerou aproximadamente R$ 7,96 de retorno líquido ao produtor.
Segundo Juliana Fernandes, coordenadora técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal, o resultado reforça o papel estratégico da prevenção sanitária dentro da atividade.
Tecnologia vacinal e eficiência operacional na granja
O estudo avaliou o uso da vacina viva atenuada Porcilis® Argus SC/ST, destacando não apenas sua eficácia, mas também a praticidade de aplicação no manejo diário.
Entre os diferenciais observados estão:
- Aplicação via água de bebida, eliminando o uso de agulhas
- Dose única, simplificando o protocolo sanitário
- Redução de mão de obra e custos operacionais
O protocolo é direcionado a leitões desmamados entre 21 e 25 dias de idade, período considerado crítico para a proteção imunológica na fase de creche.
Alternativas de aplicação ampliam flexibilidade no manejo
A vacina também demonstrou viabilidade de aplicação oral direta com uso de dosador tipo pistola (pig doser), mantendo eficácia e segurança clínica e microbiológica.
Nesse modelo, a administração ocorre em dose única de 1 mL ou 2 mL em leitões desmamados.
Segundo especialistas, a possibilidade de diferentes formas de aplicação contribui para adaptar o protocolo às rotinas de cada sistema produtivo, sem perda de desempenho sanitário.
Resistência antimicrobiana reforça papel da imunização
O avanço da resistência a antimicrobianos tem ampliado a preocupação do setor com estratégias preventivas.
Entre 2017 e 2022, a S. Choleraesuis foi o segundo sorovar mais identificado em suínos no Brasil, representando cerca de 33% dos casos, atrás apenas da S. Typhimurium, com 43%.
Esse cenário reforça a vacinação como uma das principais ferramentas para reduzir o uso de antibióticos, melhorar a sanidade dos rebanhos e garantir maior sustentabilidade econômica da produção.
Perspectiva para o setor
Os resultados observados indicam que programas de imunização bem estruturados podem gerar impacto direto na redução de perdas produtivas e na melhoria da rentabilidade das granjas.
A tendência é que estratégias preventivas ganhem ainda mais relevância diante do aumento dos desafios sanitários e da busca por sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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