Brasil
A cientista que levou a genética ao sertão e deu nome a uma doença que atravessava gerações
Foi durante uma mudança de região na cidade de São Paulo (SP), no início dos anos 2000, que Silvana Cristina dos Santos, bióloga e doutora em genética pela Universidade de São Paulo (USP), deu início à fase mais marcante de sua jornada na ciência. Os vizinhos contaram para ela que, de onde vinham, muitas pessoas apresentavam a mesma deficiência física que um dos integrantes daquela família. A cientista não sabia ainda, mas os novos conhecidos a levariam até a identificação de uma condição genética rara: a Síndrome Spoan.
Naturais de Serrinha dos Pintos, no interior do Rio Grande do Norte (RN), os vizinhos foram responsáveis pela conexão de Silvana com a cidade. A chegada da estudiosa à região foi um choque para ela. “De fato, quando eu fui, encontrei várias situações parecidas numa mesma rua”, conta. A primeira visita resultou na identificação de 26 pessoas afetadas pela condição ainda não identificada.
A investigação levou à descoberta da Síndrome Spoan, uma doença genética rara e progressiva que afeta os movimentos, a visão e, com o tempo, compromete funções básicas como caminhar, falar e se alimentar. Os primeiros sinais surgem ainda na infância, com dificuldade para andar — muitas vezes na ponta dos pés — e alterações no olhar. Ao longo dos anos, a condição evolui de forma lenta, mas contínua, levando à perda de autonomia.
A situação, que parecia improvável, revelou que todas essas crianças, jovens e adultos conviviam com uma doença sem nome — e sem diagnóstico. Mais do que nomear a doença, o diagnóstico mudou a forma como essas famílias lidam com a condição. “A partir do momento que você sabe qual é a doença, você não precisa mais ficar buscando a causa, repetindo exames. A gente passa a trabalhar com o que é possível fazer”, explica a pesquisadora. Na prática, isso significa direcionar esforços para reabilitação, acesso a tecnologias assistivas e orientação genética.
As medidas impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes e evitam deslocamentos e exames desnecessários, muitas vezes custosos para famílias que vivem longe dos grandes centros.
O que começou como um caso isolado revelou um cenário muito mais amplo. Ao longo dos anos, a pesquisa mostrou que a realidade de Serrinha dos Pintos não era exceção: outras doenças genéticas raras também estavam presentes por lá. “A gente passou três anos imersos e não demos conta”, relata.
A experiência levou à compreensão de que a prevalência dessas condições pode ser maior em áreas onde populações permanecem mais isoladas e compartilham ancestralidade comum, o que favorece a manifestação de determinadas mutações genéticas.
Imersão na pesquisa
Para entender essa realidade, Silvana foi além. Mudou-se para a região, viveu meses no sertão e passou anos em trabalho de campo, visitando casas, acompanhando famílias e conhecendo de perto os desafios enfrentados pelos pacientes.
“Você não consegue imaginar os desafios que essas pessoas enfrentavam lá”, afirma. A convivência direta transformou não apenas o andamento da pesquisa, mas também a forma de produzir conhecimento científico, aproximando a ciência do cotidiano da população e das condições concretas de vida.
Essa experiência também revelou limites importantes do sistema de saúde. Embora o Brasil tenha avançado na cobertura da atenção primária, o acesso ao diagnóstico de doenças raras ainda depende da presença de especialistas, como geneticistas, que são escassos fora dos grandes centros.
Mãe cientista
Mãe e pesquisadora, Silvana conciliou a carreira científica com a criação das filhas, que a acompanharam em viagens longas e períodos de campo. Durante a sua trajetória, enfrentou desafios que fazem parte da realidade de muitas mulheres, mas sem definir sua atuação a partir desses limites. “Eu nunca me coloquei nesses limites. Fui fazendo o que precisava ser feito”, resume.
Mais de duas décadas depois da primeira viagem, Serrinha dos Pintos deixou de ser apenas um campo de pesquisa. Tornou-se parte da casa, da trajetória e da vida de uma cientista que ajudou a transformar o desconhecido em diagnóstico e o diagnóstico em possibilidade de cuidado para famílias que, por gerações, viveram sem respostas.
Instituída em 2004 por decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é realizada anualmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com universidades, instituições de pesquisa, agências de fomento, escolas, museus, governos locais, empresas e entidades da sociedade civil. Em 2026, ao adotar como tema as Mulheres e Meninas na Ciência, a iniciativa reforça a centralidade de trajetórias como as de Silvana — pesquisadora cujos trabalhos demonstram, na prática, como a produção científica liderada por mulheres amplia o impacto social da ciência, conecta conhecimento às necessidades da população e contribui para a construção de um sistema científico mais diverso e representativo.
Conheça também a trajetória da pesquisadora Sandra Coccuzzo, que une ciência, gestão e formação de pessoas para ampliar o impacto da pesquisa na saúde pública brasileira, e Rita de Cássia dos Anjos, pesquisadora que investiga um dos maiores enigmas da astrofísica: a origem dos raios cósmicos. Ela transforma esse conhecimento em formação, acesso e diversidade na ciência.
Brasil
Ministério do Turismo detalha ações de apoio ao setor a mais de 600 gestores durante a Marcha dos Municípios
Gestores públicos de todo o país que participaram nesta semana da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios tiveram a oportunidade de conhecer as várias formas de apoio do Ministério do Turismo ao desenvolvimento turístico de suas cidades.
No estande da pasta no evento, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), técnicos promoveram 248 atendimentos diretos sobre repasses de verbas, o suporte financeiro a obras de infraestrutura turística e programas disponibilizados pelo órgão, entre outras ações.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que acompanhou a abertura da Marcha na última terça-feira (19), apontou benefícios do diálogo direto com os representantes dos municípios.
“Nós trabalhamos para que cada gestor público saiba exatamente como acessar nossos programas e recursos. Com isso, nós agimos para, cada vez mais, converter o potencial turístico de suas cidades em desenvolvimento econômico sustentável, trabalho e renda para a população local”, afirmou o ministro.
Técnicos do órgão também receberam 367 gestores na sede da pasta em Brasília, quando prestaram orientações quanto ao cadastro de propostas no Transferegov (sistema federal para transferência e gestão de recursos da União) e à participação de municípios no Mapa do Turismo Brasileiro, entre outras.
“O turismo acontece nos municípios, e o Ministério do Turismo está à disposição aqui em Brasília para, não apenas durante a Marcha dos Prefeitos, mas durante todo o ano, dar o suporte necessário ao fortalecimento do setor nas diferentes regiões do nosso país”, acrescentou Gustavo Feliciano.
Marcha dos Prefeitos
A XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios foi realizada de 18 a 21 de maio, reunindo gestores públicos e representantes dos diversos órgãos do Governo do Brasil. A presença federal no evento reforça o compromisso com o fortalecimento do Pacto Federativo e a ampliação do diálogo com entes locais.
Maior evento municipalista da América Latina, o encontro é organizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com o objetivo de discutir políticas públicas, a gestão e o desenvolvimento de cidades de todo o território nacional.
Por André Martins
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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