Brasil
Grupo de mulheres une ciência e saber tradicional para produzir chocolate no Amazonas
O cultivo na Comunidade da Missão, em Tefé (AM), nasceu muito antes dos que hoje vivem ali. Sem ter acesso ou dinheiro para comprar nos mercados, a solução para os avós e pais da coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, e de tantos outros da região, era produzir seus próprios alimentos. O que antes era majoritariamente para consumo próprio, se transformou em um comércio sustentável de insumos. A principal matéria-prima é o cacau que, com a proximidade da Páscoa, está sendo transformado em barras e ovos de chocolate artesanal.
“O cultivo nasceu antes de nós. Quando nós nos tornamos gente, já tínhamos o cultivo do cacau e de tantos outros alimentos. Hoje, apenas damos continuidade ao que aprendemos com as nossas famílias”, explica Bernardete, conhecida na região como Dona Bete. Todo o cacau e chocolate produzido pela organização é fruto do trabalho de 22 mulheres.
Segundo a coordenadora, o chocolate amargo que sua mãe fazia sempre esteve presente na sua infância. “Quando eu e meus irmãos íamos para a escola, ela dizia que nós tínhamos que tomar o chocolate para não sermos rudes, para absorver conhecimento com maior facilidade e para deixar nosso corpo mais forte”, conta.
Foi por histórias como essas que o grupo de agricultores foi criado. A produção do doce funciona de maneira simples, sem uma fábrica especializada e sem uso de insumos sintéticos. “Cada mulher cultiva seu próprio cacau, faz seu próprio chocolate e tem sua própria especialidade, seu próprio jeito diferente de fazer, que herdou dos seus avós e pais”, detalha a coordenadora.
A mãe de Dona Bete, por exemplo, quebrava o cacau, tirava o suco, colocava no sol para secar, descascava e moía. “Minha mãe fazia principalmente chocolate amargo. Nós não tínhamos açúcar e, quando ela queria adoçar o chocolate, ela usava garapa de cana. Então, o chocolate que ela fazia era o cacau, garapa, leite de castanha e ovos de galinha”, explica.
O Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), acompanha a produção do grupo, que já vende seu chocolate para marcas. “Por meio do assessoramento técnico, temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, cursos de manejo agroecológico, apoio nas etapas de certificação e acesso a políticas públicas”, explica a coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do instituto, Fernanda Viana.
Segundo a pesquisadora, o conhecimento técnico fortalece, apoia e se integra ao conhecimento tradicional que as mulheres já possuem. A ciência leva informações fundamentais para subsidiar as atividades de manejo que são feitas pelas comunidades tradicionais a partir das pesquisas que já foram e que vêm sendo produzidas ao longo de anos na região do médio Solimões. “Quando a gente integra o conhecimento técnico-científico ao conhecimento tradicional, tem a ciência sendo aplicada na ponta e apoiando a transformação de realidades para um cenário que é mais condizente com essas realidades locais”, continua.
Com isso, hoje, a produção do chocolate artesanal do grupo conta com algumas mudanças. “Nós selecionamos muito bem os grãos do cacau e colocamos em um paneiro ou uma saca bem limpa e deixamos escorrer o mel por dois dias. Depois, cobrimos eles com uma folha de bananeira e deixamos secar no sol por seis dias para fazer a fermentação, para depois torrar e moer”, descreve Dona Bete.
Em 2021, o grupo conquistou a certificação orgânica que garante que os produtos não têm agrotóxicos, transgênicos ou fertilizantes químicos. Eles foram a primeira iniciativa da região a conquistar o reconhecimento.
Brasil
Saúde entrega primeiros veículos para transporte intermunicipal de pacientes e anuncia mais de R$ 400 milhões para o Ceará
Neste sábado (18), o Governo do Brasil deu um passo histórico para assegurar o deslocamento de pessoas que precisam de radioterapia e hemodiálise ofertados em cidades distantes de onde elas moram. Por meio do programa Agora Tem Especialistas, entregou os primeiros 26 veículos de transporte sanitário doados pelo Ministério da Saúde ao Ceará. Trata-se da iniciativa Caminhos da Saúde, que viabilizou, com R$ 15,2 milhões em recursos federais, a aquisição dos micro-ônibus. Esses veículos vão levar pacientes do SUS até onde a assistência é oferecida, em municípios acima de 50 km do local onde residem.
A iniciativa começa no Ceará e se estenderá aos demais estados brasileiros a partir da próxima semana. De Fortaleza (CE), onde chegaram os primeiros micro-ônibus com capacidade para 30 pessoas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da nova frente do programa, já que a dificuldade da garantia de transporte sanitário é um dos principais gargalos para a continuidade de tratamentos.
“Estamos fazendo aqui, no Ceará, a entrega de uma inovação do programa: micro-ônibus, vans e ambulâncias para garantir um transporte digno aos pacientes. E é exatamente essa ideia de você ter um transporte adequado, com dignidade, com acessibilidade, e que não tire a ambulância que serve para outros tipos de atendimento no município”, destacou.

Foto: Walterson Rosa/MS
Redução de distâncias e garantia de tratamento
Atualmente, milhares de brasileiros enfrentam longas distâncias para ter acesso a atendimentos especializados na rede pública de saúde. No caso do Ceará, por exemplo, a população pode percorrer até 350 km para chegar a Sobral, Barbalha ou Fortaleza, cidades onde é ofertado o serviço de radioterapia. Para se submeterem a esse tratamento oncológico ou a hemodiálise, cerca de 14 mil pacientes e seus acompanhantes ganharam a garantia de um transporte gratuito, adequado e contínuo até onde a assistência está. Isso significa que a iniciativa do Governo do Brasil garantirá que a população realize todo o tratamento sem interrupções por conta do deslocamento.
O transporte sanitário do Agora Tem Especialistas vai atender todos os municípios brasileiros dentro de suas macrorregiões de saúde. Isso significa que os veículos não pertencem a um município específico. Eles serão distribuídos conforme a necessidade, o que possibilita organização mais eficiente e integrada do atendimento conforme as características regionais, as demandas locais e distâncias percorridas.
Mais de 400 milhões para fortalecer a saúde no Ceará
Ainda em Fortaleza (CE), o ministro anunciou parte de um pacote de ações do Agora Tem Especialistas. “Hoje estamos entregando mais de R$ 400 milhões do Governo do Brasil para a saúde do Ceará. Esses recursos vão garantir o funcionamento integral do Hospital Universitário Estadual, com mais leitos, mais cirurgias, mais especialidade e a consolidação de um dos mais importante Hospital Universitário do Nordeste. Uma parte desse recurso é também, para equipar as Unidades Básicas de saúde (UBS), ampliando a capacidade de atendimento, o contato com especialistas e o uso da teleconsulta para cuidar melhor das pessoas”, destacou.
Para o Hospital Universitário do Ceará (HUC), Padilha destacou o incremento de R$ 276 milhões no repasse de recursos para custear atendimentos de saúde de média e alta complexidade, possibilitando a implantação de 261 leitos hospitalares. Já o investimento em leitos de UTI passa de R$ 24,7 milhões. Além disso, o HUC foi habilitado como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) com serviço de hematologia com R$ 6,6 milhões.
Além disso, a saúde bucal será reforçada com 32 novas Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) em 32 municípios identificados como vulneráveis e com maior dificuldade de deslocamento da população até as unidades básicas de saúde. As UOMs fazem parte do programa Brasil Sorridente, que reduz barreiras geográficas e amplia a oferta de cuidados nesses locais. O investimento é de R$ 12,8 milhões.
Ainda na área odontológica, o Governo do Brasil entregou ao Ceará 189 equipamentos para tratamento de saúde bucal. Os kits incluem bomba a vácuo, motor para endodontia e localizador endodôntico e representam um investimento de R$ 374,6 mil. Entregou, também, 9 combos de cirurgia que equivalem a R$ 13,8 milhões.
Já para qualificar o atendimento de 36 Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Ministério da Saúde destinou ao estado combos de equipamentos, no valor de R$ 2 milhões, com dinamômetro digital, doppler vascular portátil, eletrocautério, tábua de propriecepção e retinógrafo. Somente o município de Fortaleza recebeu 108 equipamentos.

Foto: Walterson Rosa/MS
Nova maternidade com foco no atendimento humanizado
Na cidade de Caucaia (PE), localizada na região metropolitana de Fortaleza, Alexandre Padilha assinou uma ordem de serviço de R$ 103 milhões para a construção de uma maternidade. Com capacidade para até 100 leitos, oferecerá desde o pré-natal até o pós-natal com estrutura para casos de alto risco, capacitação e humanização no atendimento. Com 8.200 m2 de área construída, essa unidade integra o Novo PAC Saúde com outras 34 selecionadas.
“Celebrando a vida e fortalecendo a saúde do Ceará, damos início à construção de uma grande maternidade, que terá toda a estrutura necessária para mães e bebês. Sabemos que não há nada mais importante para uma família do que a saúde do bebê e da gestante. São mais de 100 milhões de reais em investimentos para construir e equipar esta unidade,” destacou Padilha.
Fortalecimento da formação de especialistas no SUS
Durante a agenda, foi formalizada a Certificação do Instituto do Câncer do Ceará como Hospital de ensino. Com isso, a pasta soma mais de 10 estabelecimentos de saúde certificados só este ano, outros hospitais estão em fase de análise. A ação reforça a prioridade do Governo do Brasil de qualificar os ambientes de aprendizagem, valorizando as unidades de saúde, além de ampliar a integração entre gestão, ensino e Serviço.
A certificação de hospitais de ensino é uma pauta retomada em 2025, pela gestão do presidente Lula. Além de reconhecer as ações prioritárias para a gestão que, aliados a tomada de decisão baseada em evidências, prioriza programas como o Mais Médicos e o Agora Tem Especialistas.
Valorização profissional
O ministro Alexandre Padilha também entregou a profissionais de saúde carteiras de sanitaristas. A profissão foi regulamentada no último dia 7 de abril, medida que representa um avanço estratégico para o fortalecimento do SUS, ao ampliar e consolidar as políticas públicas de saúde no país como vigilância epidemiológica, planejamento de políticas públicas e gestão de serviços.
O Decreto nº 12.921, de 6 de abril de 2026, regulamenta a Lei nº 14.725, de 16 de novembro de 2023, de autoria do ministro Padilha quando deputado, e formaliza o registro profissional. De acordo com o texto, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), será responsável pelo registro. Caberá à secretaria definir o processo de solicitação do registro profissional de sanitarista, incluindo os documentos e dados necessários.
Gabriel Lisita
Fábio Barreto
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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