Brasil
Prêmio Jovem Cientista incentiva o desenvolvimento de soluções concretas para questões do cotidiano
Beatriz Vitória da Silva, de 18 anos, aprendeu ainda no ensino médio que a ciência pode nascer do chão da própria comunidade. A estudante da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Pernambuco (PE), e bolsista do programa Mais Ciência na Escola conquistou o segundo lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista. Ela, juntamente com colegas e orientação do IF Sertão-PE, desenvolveu uma solução sustentável para reduzir a poluição causada pela produção de farinha de mandioca e, com isso, transformou a realidade no local em que vive. Trajetórias como essa inspiram o próximo desafio lançado para a premiação: a 32ª edição terá como tema Inteligência Artificial para o Bem Comum. A ideia e convidar estudantes de todo o País a usar a tecnologia para gerar impacto social.
Na edição em que Beatriz Vitória participou, cujo tema foi Resposta às Mudanças Climáticas: Ciência, Tecnologia e Inovação como Aliadas, a competição incentivou estudantes e pesquisadores a desenvolverem soluções concretas para enfrentar um dos maiores desafios do século XXI. Os trabalhos apresentados reforçaram o papel estratégico da produção científica na redução de impactos ambientais, no enfrentamento de eventos extremos e na construção de estratégias de adaptação capazes de proteger populações, ecossistemas e atividades econômicas em todo o País.
A experiência de Beatriz Vitória é exemplo desse compromisso. Ao investigar os impactos da manipueira, resíduo líquido gerado na produção da farinha de mandioca, na comunidade quilombola onde nasceu, no município de Carnaíba (PE), a jovem identificou um problema ambiental e de saúde pública que atravessava gerações. Com apoio do professor orientador e da estrutura do programa Mais Ciência na Escola, ela desenvolveu o projeto FiltroPinha, um sistema de baixo custo produzido a partir das cascas da fruta-pinha, capaz de reduzir a toxicidade do resíduo descartado nas casas de farinha.
“O FiltroPinha foi desenvolvido por um grupo de quatro estudantes, dois de nós do próprio quilombo. Foi muito gratificante perceber que a gente podia criar uma solução par ajudar a nossa comunidade”, afirma a estudante. Para ela, o Prêmio Jovem Cientista reforça que a ciência pode dialogar com a realidade local. “A ciência pode nascer do simples. Essa é uma conquista do grupo e da nossa sociedade.”
Durante a cerimônia, a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andréa Latgé, destacou o caráter transformador da iniciativa do Governo do Brasil. “Vocês são liderança. Quem alcança esse prêmio se torna referência para os colegas e para a comunidade. É muito importante termos boas referências no nosso País”, afirmou.
A secretária também ressaltou a importância de aproximar ciência e política pública. “É fundamental que quem tem curiosidade científica também possa ajudar a formular políticas públicas que tragam mais gente para dentro da ciência”, disse. Para ela, ampliar o acesso à educação científica é um compromisso permanente.
O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, enfatizou o Prêmio Jovem Cientista na revelação de talentos. Segundo ele, além da visibilidade nacional, o reconhecimento fortalece algo essencial para a trajetória científica: a autoestima. “Esse reconhecimento é impulsionador das carreiras científicas. É algo que será necessário ao longo de toda a vida profissional”, destacou.
Na premiação de 2025, dez jovens talentos e duas instituições foram reconhecidos por seus trabalhos e pela capacidade de transformar conhecimento científico em impacto social.
Categoria Mestre e Doutor
1º lugar – Elizângela Aparecida dos Santos (UFVJM – MG)
2º lugar – Luíz Fernando Esser (UEM – PR)
3º lugar – Tauany Aparecida da Silva Santa Rosa Rodrigues (UFRJ – RJ)
Categoria Estudante do Ensino Superior
1º lugar – Manuelle Da Costa Pereira (IF Amapá)
2º lugar – Isac Diógenes Bezerra (IFCE)
3º lugar – Anna Giullia Toledo Hosken (Faculdade de Medicina de Petrópolis – RJ)
Categoria Estudante do Ensino Médio
1º lugar – Raul Victor Magalhães Souza (CE)
2º lugar – Beatriz Vitória da Silva (PE)
3º lugar – Gabriel da Silva Santos (PE)
Também foram concedidos prêmios nas categorias Mérito Científico e Mérito Institucional, reconhecendo o papel de pesquisadores e instituições na formação de novas gerações.
Prêmio Jovem Cientista
O 32º Prêmio Jovem Cientista convida estudantes e pesquisadores a refletirem sobre o tema Inteligência Artificial para o Bem Comum, incentivando a inscrição de projetos que explorem o uso responsável, inclusivo e inovador da IA. A iniciativa busca estimular soluções que contribuam para a melhoria da qualidade de vida, o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação do acesso a direitos. Cada categoria contempla um público específico, desde estudantes do ensino médio até mestres e doutores, conforme critérios estabelecidos em regulamento.
O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do CNPq, agência de fomento do MCTI, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com apoio da Editora Globo e do Canal Futura e patrocínio da Shell. Há mais de 40 anos, a premiação revela talentos, impulsiona a pesquisa no país e investe em estudantes e jovens pesquisadores que buscam soluções inovadoras para os desafios da sociedade brasileira. Todas as informações estão disponíveis no site Prêmio Jovem Cientista.
Brasil
Paraná abrigará centro de competência em hidrogênio verde
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) será a sede do Centro de Competência em Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, que vai fortalecer a capacidade do Brasil na produção limpa e no uso de fontes renováveis de energia. A unidade fará parte do sistema de Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O anúncio foi feito nesta terça-feira (30), em Brasília (DF).
O centro articulará universidades, institutos de pesquisa, empresas e laboratórios em torno do desenvolvimento de tecnologias nacionais de fronteira para produção, armazenamento, transporte, segurança e aplicações industriais do hidrogênio de baixa emissão de carbono.
A estrutura também promoverá a formação de profissionais, pesquisadores e lideranças técnicas altamente qualificadas e a transferência de conhecimento para o setor produtivo. A ideia é incorporar competências em empreendedorismo tecnológico, propriedade intelectual e transferência de tecnologia e estimular a criação de startups, spin-offs e novos negócios em hidrogênio
Segundo a ministra Luciana Santos, essa é uma decisão estratégica de investimento em capacidades científicas e tecnológicas para impulsionar a economia de baixo carbono e a competitividade do Brasil nas próximas décadas. “Nosso compromisso é garantir que o País não seja apenas consumidor das tecnologias do futuro, mas também desenvolvedor dessas soluções”, afirmou a chefe da pasta.
De acordo com o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, com a unidade, o País vai desenvolver conhecimento, avançar fronteiras e dominar diferentes rotas tecnológicas. “A nossa expectativa é que esse centro possa, de fato, desenvolver competência e dar segurança para o Brasil atuar nessa área”, disse.
Serão investidos na unidade R$ 60 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). As plantas piloto funcionarão como ambientes de inovação aberta, conectando a UFPR, a Embrapii, empresas e startup para testar, integrar, demonstrar e escalar tecnologias, reduzindo riscos e acelerando a maturidade tecnológica de produtos e processos.
O centro se integra à Iniciativa Brasileira do Hidrogênio, estratégia conduzida pelo MCTI e criada para articular e fortalecer as ações em ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo em toda cadeia de valor do hidrogênio. O centro de competência integra o Sistema Brasileiro de Laboratórios de Hidrogênio (SisH2-MCTI).
“Essa convergência amplia a integração entre as capacidades científicas já existentes no País, fortalece a cooperação entre instituições de pesquisa e empresas e acelera a transformação do conhecimento em inovação”, finalizou a ministra Luciana Santos.
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