Brasil
Olimpíadas científicas mobilizam escolas e revelam jovens talentos
Fevereiro é sinônimo de volta às aulas. Em meio a um ano inteiro de trabalhos e deveres de casa, as olimpíadas do conhecimento se tornaram mais uma ferramenta importante para melhorar o aprendizado e mobilizar os estudantes. As competições revelam jovens talentos e os ajudam a construir o próprio futuro.
Pedro Vitor Soares, de 14 anos, está no 9º ano do Ensino Fundamental no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 201, de Santa Maria (DF), região administrativa a 30 km de Brasília (DF). No currículo tem quase uma dezena de medalhas. A primeira foi na Olimpíada de Matemática do DF, em 2023. No ano seguinte, ele foi ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Depois disso, não parou mais.
“Também participei de outras olimpíadas como Olitef [Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira] com ouro em 2024 e 2025; OMDF [Olimpíada de Matemática do Distrito Federal] fui prata 2023 e 2024; e na Olimpíada Mandacaru de Matemática ganhei prata 2024 e bronze 2025”, enumera.
Pedro conta que sempre gostou de matemática e se destaca na matéria, mas sempre há espaço para melhorar. O segredo para a medalha de ouro na Obmep foi a preparação por meio do site da competição, que traz questões anteriores das provas, ajuda de colegas e professores. Em 2024, o CEF 201 de Santa Maria ficou com o primeiro lugar no ranking de medalhas no DF, com três medalhistas de ouro.
Como todo jovem, Pedro Vitor ainda pensa muito no que vai ser quando crescer, mas já tem uma ideia. “Ainda tenho muitas dúvidas, mas, se eu me esforçar, vou cursar medicina em uma instituição pública. Pretendo chegar a este objetivo com muito esforço e dedicação, conseguindo uma boa nota no Enem. Acredito que esses resultados me ajudem a alcançar meu objetivo”, destaca.
A premiação da Obmep também concedeu ao Pedro uma participação no Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com professores da Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa aprofunda os conhecimentos dos estudantes e os prepara para uma futura carreira acadêmica. “Foi uma ótima experiência”, descreve Pedro.
Olimpíadas científicas
A Lei nº 15.331/2026 oficializou julho como o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento. Ano passado foram mais de 26 milhões de crianças e adolescentes participantes dessas competições. De acordo com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI, há cerca de 130 olimpíadas de diversas áreas do conhecimento, como matemática, ciências da natureza, astronomia e história.
Obmep
A Obmep está com inscrições abertas até 16 de março. Para participar, as escolas devem se inscrever no site da olimpíada. A prova da primeira fase será aplicada em 9 de julho nas próprias instituições de ensino. Os alunos de destaque concorrem a medalhas, menções honrosas e podem fazer parte do Programa de Iniciação Científica Junior, do CNPq.
A competição é promovida pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) com recursos do MCTI e do Ministério da Educação. É a maior competição científica do país, com 18 milhões de estudantes. Em 2025, atingiu recorde de participações, chegando a 99% das cidades do Brasil.
Brasil
Por que é tão importante registrar e mapear a biodiversidade brasileira? A ciência explica
A biodiversidade brasileira é riquíssima. O Brasil é líder em número de espécies de anfíbios e peixes de água doce, por exemplo, e está no top 5 quando se trata de outros vertebrados, como aves, mamíferos e répteis. Com tamanha variedade e importância mundial, mapear os exemplares é fundamental para o monitoramento científico.
A pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) Thais Condez explica que o monitoramento facilita a identificação de padrões de migração, de reprodução e de ocupação dos habitats; e gera informações para pesquisadores, como dados sobre polinização, essenciais para a produção de frutos. Além disso, esse tipo de conhecimento tem impacto na saúde humana, visto que a perda de habitats naturais e a redução da diversidade biológica podem aumentar o contato das pessoas com animais silvestres, favorecendo a transmissão de vírus e bactérias.
Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar. Em alguns casos, porém, as espécies são catalogadas e mapeadas de formas diferentes. Os equipamentos utilizados para registrar peixes, por exemplo, são distintos daqueles utilizados para anfíbios.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leonardo Moreira explica que algumas espécies, por serem migratórias, são de difícil detecção. “Em muitos casos, os pesquisadores enfrentam dificuldades em dizer se determinada espécie passou ou permanece na região”, diz. Essas informações são fundamentais para a criação de estratégias de conservação que considerem não apenas um território específico, mas toda a rota utilizada pelos animais.
A participação da comunidade também está presente nesse tipo de pesquisa. A chamada ciência cidadã, ou ciência comunitária, ocorre quando a população pode auxiliar de algumas formas na identificação de espécies migratórias. Segundo pesquisa do Instituto Brasilieiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação da população passou a ter um papel central na fornecendo registro, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis. Pequenos registros, como fotos, ajudam a identificar a passagem de animais. “A imagem é uma informação super importante, que mostra que determinada espécie ocorre naquela área, ou que, pelo menos, passa por ali em determinada época do ano”, explica.
O levantamento tem como base os dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), que ajuda na junção dessas informações, como um nó, conectando dados nacionais e internacionais. Isso permite que pesquisadores de diferentes países utilizem esses dados em estudos de escala regional e global.
De acordo com o estudo do IBGE, em 2025, os maiores volumes absolutos de espécies catalogadas no Brasil concentram-se nos grupos de aves (19.011.519 registros), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). Já os maiores incrementos em relação a 2022 foram observados em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%).
Entre outros meios de mapeamento estão os satélites, como o Amazônia-1B que ajuda órgãos de monitoramento ambiental a orientar ações de fiscalização, planejamento e resposta a eventos extremos. Estudar a movimentação na área juntamente com pesquisadores que fazem esses registros de espécies torna possível entender em quais áreas determinadas espécies estão ameaçadas.
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