Agro
Comercialização de algodão avança em Mato Grosso e preços sobem em Nova York
Safra 2025/26 tem vendas adiantadas no Mato Grosso
A comercialização do algodão da safra 2025/26 em Mato Grosso atingiu 54,81% da produção projetada, conforme relatório semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado nesta segunda-feira (9). O avanço mensal foi de 8,10 pontos percentuais, refletindo maior participação dos produtores nas negociações à medida que a semeadura avançava no estado.
Em comparação com o mesmo período da safra anterior, as vendas estão 5,99 pontos percentuais à frente, impulsionadas por preços futuros mais elevados, que estimularam a antecipação das negociações.
O relatório do Imea também apresentou a primeira estimativa de comercialização da safra 2026/27, que já alcançou 5,35% da produção prevista. Esse número representa 1,96 ponto percentual acima do mesmo período da safra anterior, mas ainda 2,16 pontos percentuais abaixo da média histórica dos últimos cinco anos.
O instituto alerta que o cenário de rentabilidade limitada deve levar os produtores a manter cautela nas decisões de comercialização nos próximos meses.
Algodão inicia pregão em alta na Bolsa de Nova York
No mercado internacional, o algodão começou o pregão desta quinta-feira (12) em terreno positivo na Bolsa de Nova York. Por volta das 9h35 (horário de Brasília), o contrato referência era negociado a 64,19 centavos de dólar por libra-peso, com ganho de 15 pontos na abertura, refletindo ajustes técnicos e expectativa por novos dados de exportação dos Estados Unidos.
Os contratos futuros seguem sob influência de um ambiente técnico favorável, com volumes de negociação ainda mostrando interesse dos operadores. Na sessão anterior, os futuros registraram ganhos de 15 a 28 pontos, mesmo diante de forças externas contrastantes no mercado de commodities.
No cenário global, o petróleo bruto permanece sob atenção, enquanto indicadores internacionais sugerem ajustes em oferta e demanda, fatores que impactam a percepção de risco e retorno dos ativos agrícolas. Apesar disso, os operadores continuam ativos, com volumes expressivos nas últimas sessões, embora haja leve queda no interesse aberto, indicando ajustes ou encerramento de posições.
O início positivo em Nova York ocorre em meio à expectativa de novos relatórios de exportação e indicadores semanais, que devem trazer mais clareza sobre a demanda externa pelo algodão brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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