Brasil
“Não se enfrenta a violência contra a mulher sem políticas públicas integradas”, diz Luciana Santos
A proteção da mulher no Brasil passa, cada vez mais, por políticas públicas capazes de ampliar autonomia, reduzir vulnerabilidades e enfrentar desigualdades estruturais. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem articulado programas e ações que colocam o empoderamento feminino como ferramenta estratégica para romper ciclos de violência e exclusão, conectando formação profissional, geração de renda e participação social.
Essas ações foram tratadas nesta terça-feira (27), durante a participação da ministra do MCTI, Luciana Santos, no CB Debate, do jornal Correio Braziliense, sob o tema Pela Proteção das Mulheres: um Compromisso de Todos. O encontro reuniu autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e acadêmicos, para discutir estratégias de prevenção à violência de gênero e o papel das instituições públicas e da sociedade nesse enfrentamento.
No evento, Luciana Santos conectou as ações do MCTI ao objetivo maior de proteção da mulher no Brasil, destacando que a ciência, a tecnologia e a inovação podem ampliar a autonomia e reduzir vulnerabilidades. Segundo ela, enfrentar a violência de gênero exige não apenas marcos legais, mas também políticas públicas integradas e mudança cultural.
“A gente só vai enfrentar essa desigualdade de gênero e a condição da opressão se a gente tiver uma combinação de políticas públicas arrojadas em várias áreas que aumentem a autonomia financeira das mulheres”, afirmou Luciana Santos, ao enfatizar a necessidade de fortalecer a participação feminina em ciência e tecnologia, setores que historicamente registram desigualdades estruturais.
A ministra também ressaltou a importância de um jornalismo qualificado para o enfrentamento da desinformação e do ódio, que, segundo ela, pervertem o debate público e prejudicam políticas de proteção. “Divergir não é problema. O problema é quando a intolerância, o ódio e a mentira entram como ingredientes dessa luta de ideias. Isso não é aceitável”, observou.
No MCTI, medidas de incentivo ao protagonismo feminino na ciência e tecnologia são vistas como instrumentos de preservação da mulher ao promover autonomia econômica e social. Entre as iniciativas citadas estão programas de apoio à formação em áreas como tecnologia da informação e inovação, bolsas de pesquisa para mulheres e estímulo à participação em setores estratégicos da economia. Esses esforços são essenciais para a redução de vulnerabilidades associadas à dependência econômica e à exclusão social, fatores que podem agravar ciclos de violência.
Atuação integrada fortalece políticas de proteção às mulheres
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o enfrentamento à violência de gênero exige políticas públicas transversais, capazes de alterar estruturas históricas de exclusão e desigualdade. Para ela, o avanço da presença feminina em espaços de decisão representa uma transformação social que precisa ser acompanhada por ações do Estado em diferentes áreas.
Nesse contexto, Marina ressaltou que a consolidação da mulher como sujeito político e social amplia a capacidade de reação às violências, inclusive àquelas que se manifestam de forma simbólica e silenciosa antes de se tornarem físicas. “As mulheres passaram de um corpo que apenas reagia para um corpo que age, que se coloca como sujeito político, de desejo e de vontade”, afirmou.
A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Daniela Teixeira, chamou atenção para a importância da prevenção e da resposta rápida do poder público como eixo central da preservação da vida das mulheres. Ao abordar a atuação do Judiciário, ela destacou que o foco precisa estar nos estágios iniciais da violência, quando ainda é possível impedir sua escalada.
Segundo Daniela Teixeira, o sistema de justiça tem avançado na celeridade das medidas protetivas, mas o enfrentamento do feminicídio exige ações que vão além do endurecimento penal. “Aumentar penas não impede feminicídios. A proteção da mulher passa pela prevenção, pela atuação desde os primeiros sinais de agressão e pela efetividade das medidas protetivas”, afirmou.
Brasil
Parceria entre Ministério da Saúde e Caixa garante cerca de R$ 1 bilhão para instituições filantrópicas
O Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal firmaram, nesta quarta-feira (3/6), contratos que viabilizam a liberação de aproximadamente R$ 1 bilhão para oito instituições hospitalares filantrópicas do país. As unidades integram a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) e são referência na oferta de atendimentos especializados. Os recursos serão destinados por meio da linha de crédito “Caixa Hospitais FGTS”, que oferece condições facilitadas de financiamento, contribuindo para o equilíbrio financeiro dos hospitais e Santas Casas para a continuidade da assistência para pacientes da rede pública.
“Temos a expectativa de chegar, nos próximos dias, a R$ 2 bilhões em contratos de financiamento da Caixa para essas instituições. Essas instituições têm um papel importante para a população atendida pelo SUS. Para se ter uma ideia, em 2025, nós realizamos 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que foi feito em 2022. A maior parte dessas cirurgias foram feitas pelos hospitais filantrópicos e pelas Santas Casas”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os contratos assinados nesta quarta-feira contemplam:
- Associação de Combate ao Câncer de Goiás (GO)
- Santa Casa da Misericórdia de São Paulo (SP)
- Santa Casa de Porto Alegre (RS)
- Hospital José Silveira (BA)
- Instituto de Câncer de Londrina (PR)
- Associação Hospitalar Vila Nova (RS)
- Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos (RJ)
- Fundação Assistencial da Paraíba (PB)
Além das contemplações desta etapa, outras 115 instituições já receberam aval para apresentar propostas de financiamento à linha CAIXA Hospitais FGTS. São unidades hospitalares habilitadas pelo programa Agora Tem Especialistas na modalidade crédito financeiro.
Hospitais filantrópicos e Santas Casas no Brasil
No total, existem 1.959 instituições filantrópicas no país, sendo 324 Santas Casas. As unidades oferecem uma ampla variedade de especialidades e serviços, incluindo clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, cardiologia, oncologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de leitos de terapia intensiva e atendimento de urgência e emergência. Com essa estrutura, as instituições contribuem diretamente para a redução do tempo de espera, ampliação do acesso a tratamentos especializados e o fortalecimento da assistência hospitalar em municípios de diferentes localidades.
Toda essa rede assistencial registrou nos últimos três anos (2023-2025), um total de 839,6 milhões de atendimentos ambulatoriais e 17,3 milhões de internações. O custo desses procedimentos para o Governo do Brasil foi de R$ 56,3 bilhões. Os números refletem a dimensão da rede filantrópica no atendimento à população brasileira e sua importância para a garantia do acesso aos serviços de saúde em todo o país.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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