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Agro

Baixo interesse pelo trigo mantém Brasil dependente das importações em 2026

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Os preços do trigo devem seguir em queda no início de 2026, desanimando produtores brasileiros e limitando o avanço da produção nacional. De acordo com estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a baixa rentabilidade da cultura reduziu o interesse por novos investimentos, o que deve manter a dependência do país em relação ao cereal importado.

Ao longo de 2025, o cenário de preços deprimidos já vinha restringindo a margem dos produtores, resultando em menor área plantada e menor estímulo para a próxima safra. Segundo os pesquisadores, essa combinação de fatores impede uma recuperação consistente do mercado doméstico no curto prazo.

Importações devem crescer e garantir abastecimento interno

Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil deve importar aproximadamente 6,7 milhões de toneladas de trigo entre agosto de 2025 e julho de 2026. O ritmo das importações tende a se intensificar a partir de dezembro de 2025, superando o volume observado no início da safra.

Mesmo com o aumento da entrada do produto estrangeiro, o total disponível internamente no período deve atingir 16,02 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% em relação ao ciclo anterior. Desse volume, 11,8 milhões de toneladas devem ser consumidas no mercado interno, enquanto 2,24 milhões serão destinadas à exportação.

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Estoques atingem maior nível desde 2020

A Conab estima que os estoques finais da temporada, em julho de 2026, alcancem 2 milhões de toneladas, o equivalente a 8,7 semanas de consumo. Trata-se do maior nível de cobertura desde 2020. Ainda assim, o Cepea alerta que a ampla disponibilidade, somada à concorrência internacional, reduz as chances de valorização dos preços no mercado brasileiro.

Argentina amplia oferta e pressiona o mercado brasileiro

Além da fraca atratividade interna, o mercado brasileiro enfrenta pressão do trigo argentino. A Bolsa de Cereales projeta que a Argentina deve colher 27,8 milhões de toneladas na safra 2025/26 — um novo recorde de produção. O aumento da oferta no país vizinho reforça a competitividade do cereal argentino e tende a ampliar as importações pelo Brasil, que segue sendo o principal destino do produto.

Com a produção doméstica limitada e os preços internacionais em queda, o Brasil deverá encerrar 2026 mantendo a forte dependência do trigo importado para suprir sua demanda interna.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

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A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

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Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

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O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Fonte: Pensar Agro

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