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Após aval, acordo com a UE entra em fase decisiva e pode vigorar ainda em 2026

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A confirmação política do acordo entre Mercosul e União Europeia, após a formação de maioria favorável no bloco europeu, abre uma nova etapa para o maior tratado comercial já negociado entre as duas regiões. Agora, o foco se desloca para a assinatura formal e, principalmente, para os processos de ratificação nos parlamentos, etapa que deve definir quando o acordo começará, de fato, a produzir efeitos econômicos.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que a expectativa do governo brasileiro é de que o acordo entre em vigor ainda em 2026. Segundo ele, a assinatura deve ocorrer até o próximo dia 17, dando início ao processo de internalização nos países envolvidos. “A nossa expectativa é de vigência ainda este ano. Para isso, é preciso aprovar uma lei no Congresso brasileiro e no Parlamento Europeu”.

Alckmin destacou que o acordo não depende da ratificação simultânea de todos os países do Mercosul para começar a valer. Caso Brasil e União Europeia concluam seus trâmites internos, o tratado pode entrar em vigor bilateralmente. “Se o Congresso brasileiro votar no primeiro semestre, não dependemos de Argentina, Paraguai e Uruguai. O acordo já passa a valer entre Brasil e União Europeia”, disse.

No Congresso Nacional, a articulação política já foi iniciada. Em nota, o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e vice-presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul, informou que trabalha para acelerar a tramitação do acordo no Brasil. A meta, segundo ele, é concluir a aprovação até julho. A estratégia inclui a criação de uma subcomissão para levantar informações técnicas e econômicas sobre os impactos do tratado, antecipando debates que devem ocorrer durante a análise legislativa.

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A data da assinatura ainda não foi oficialmente confirmada pelo governo brasileiro, embora o chanceler argentino, Pablo Quirno, tenha afirmado que o ato ocorrerá em 17 de janeiro, no Paraguai. Alckmin evitou cravar o dia, mas admitiu que o país é o local mais provável, já que Assunção exerce a presidência rotativa do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve participar da cerimônia durante a cúpula do bloco sul-americano, que começa nesta segunda-feira (12.01).

Com a confirmação política na União Europeia, o debate sobre os impactos econômicos do acordo volta ao centro das atenções, especialmente no agronegócio. O texto estabelece o maior pacto de livre comércio do mundo, mas preserva mecanismos de proteção ao produtor europeu por meio de cotas e salvaguardas. Produtos agrícolas considerados sensíveis seguirão com limites de volume para acesso ao mercado europeu com tarifas reduzidas ou zeradas.

Entre as principais cotas destinadas ao Mercosul estão a de carne bovina, com 99 mil toneladas, a de carne de aves, com 180 mil toneladas, e a de carne suína, com 25 mil toneladas. Açúcar, etanol, milho, sorgo, arroz e mel também terão cotas específicas com tarifas preferenciais. Alguns produtos, como frutas frescas — incluindo abacate, limão, melão, melancia, uvas e maçãs — terão liberalização total, sem restrições de volume.

Apesar das limitações, o ex-embaixador Rubens Barbosa avalia que as cotas não impedem a expansão das exportações brasileiras. Na sua leitura, o acordo cria previsibilidade, reduz barreiras históricas e amplia o acesso a um mercado de alto valor agregado, especialmente para produtos com maior nível de processamento.

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Do lado do Mercosul, o acordo também prevê concessões à União Europeia, sobretudo em produtos agroindustriais. Queijos europeus terão uma cota inicial de 30 mil toneladas, com redução gradual de tarifas ao longo de dez anos, enquanto vinhos e bebidas destiladas terão suas alíquotas eliminadas progressivamente. Laticínios como iogurtes e manteiga também contarão com margens de preferência tarifária.

O tratado inclui ainda cláusulas de salvaguarda que permitem à União Europeia adotar medidas de contenção caso as importações de produtos agrícolas sensíveis cresçam de forma acelerada. A proposta atual prevê um gatilho de 8% de aumento médio em três anos, embora alguns países defendam limites mais baixos, ponto que ainda segue em negociação.

Para setores específicos do agro brasileiro, os ganhos são vistos como relevantes. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) destaca que, após a entrada em vigor do acordo, as tarifas de importação sobre café solúvel e café torrado e moído serão reduzidas gradualmente até zerar em quatro anos, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado europeu.

Com a etapa política superada e a assinatura no horizonte, o acordo UE–Mercosul entra agora em sua fase mais sensível: a transformação de um compromisso diplomático em um instrumento efetivo de integração econômica, capaz de redesenhar fluxos comerciais, investimentos e estratégias produtivas nos dois blocos.

Fonte: Pensar Agro

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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