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Soja mantém estabilidade no Brasil e leve alta em Chicago com mercado atento à demanda chinesa e clima na América do Sul

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A combinação entre um cenário climático incerto na América do Sul, a expectativa pelo novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a falta de confirmações sobre novas compras chinesas tem mantido o setor em ritmo de cautela.

Mercado interno mostra estabilidade e sustentação nos portos

No Brasil, os preços permanecem firmes nas principais praças, especialmente nos portos, que seguem sustentados pela demanda internacional. No porto de Rio Grande (RS), a saca chegou a R$ 145,00 no mercado spot, enquanto no interior do estado as cotações se mantiveram em torno de R$ 133,00 por saca.

Em Santa Catarina, a estabilidade também predomina, com tempo mais firme e boa movimentação nas agroindústrias locais. No porto de São Francisco do Sul, a soja é negociada a R$ 142,00 por saca, acompanhando as referências do Paraná.

O Paraná continua sendo o estado com melhor condição agronômica da safra. Em Paranaguá, o preço ficou em R$ 141,74, enquanto Cascavel registrou R$ 131,55, Maringá R$ 131,17, Ponta Grossa R$ 134,07 e Pato Branco R$ 142,00 por saca FOB.

Nos estados do Centro-Oeste, o cenário é misto. Em Mato Grosso do Sul, os produtores se mostram firmes nas negociações, e em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) reduziu as estimativas de produtividade para 60,45 sacas por hectare, refletindo a perda de potencial produtivo em algumas regiões.

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Chicago reage com leve alta e traders aguardam o USDA

Na Bolsa de Chicago, os preços da soja voltaram a subir de forma moderada. Os contratos para janeiro encerraram o pregão a US$ 11,18 por bushel, e os de maio a US$ 11,36. O farelo acompanhou o movimento de alta, enquanto o óleo de soja recuou levemente.

O mercado ainda busca novas referências, com os investidores atentos à demanda da China. Embora o país asiático tenha anunciado a intenção de comprar até 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até o início de 2026 — com potencial de expansão para 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos —, as confirmações oficiais seguem limitadas.

A expectativa também se volta para o boletim mensal de oferta e demanda do USDA, que será divulgado em 9 de dezembro, e pode redefinir as projeções globais de produção e exportação.

Clima e oferta global seguem no radar

As condições climáticas continuam sendo um fator de risco para o mercado. A falta de chuvas regulares em áreas produtoras da América do Sul, principalmente no Brasil e na Argentina, tem preocupado analistas e limitado quedas mais acentuadas nas bolsas internacionais.

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Ainda assim, a melhora na oferta global e a regularização dos estoques mantêm os preços sob controle. Caso as previsões de safra se confirmem, o Brasil deve registrar produção recorde na temporada 2025/26, consolidando-se como principal fornecedor mundial.

Perspectivas e atenção do produtor brasileiro

O produtor brasileiro entra em dezembro atento às condições climáticas e ao comportamento do dólar, fatores que influenciam diretamente a competitividade das exportações. A estabilidade cambial e a forte demanda por parte da indústria de ração e do setor exportador devem sustentar as cotações no curto prazo.

Mesmo com o ambiente global de incertezas, o mercado interno segue sólido, apoiado por fundamentos consistentes e pela expectativa de uma safra volumosa. O cenário indica que o Brasil continuará como referência mundial no fornecimento de soja nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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