Agro
Vinícola Madre Terra se consolida como destino de enoturismo sensorial e gastronômico na Serra Gaúcha
No coração de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, a Vinícola Madre Terra se destaca como um refúgio de experiências enoturísticas e gastronômicas únicas, que conectam o visitante à natureza, à cultura do vinho e ao próprio bem-estar. Em uma área de 45 hectares, o espaço une vinhos autorais, gastronomia afetiva e vivências imersivas, transformando cada visita em uma jornada de sensações e memórias.
Experiências que unem vinho, natureza e propósito
Na Madre Terra, o vinho é o fio condutor de uma série de experiências que exploram os sentidos e celebram o equilíbrio entre corpo, mente e espírito. O visitante pode cozinhar o próprio prato guiado por uma chef, meditar ao ar livre em meio à natureza ou brindar em um barco sobre um lago cercado de verde.
A vinícola abriga cinco lagos naturais, jardins com árvores frutíferas e ornamentais, e espaços de convivência que inspiram contemplação. As experiências são acompanhadas pelos vinhos e espumantes das linhas AuraZ, CicloZ e VentreZ, produzidos sob práticas de agricultura regenerativa, que respeitam os ciclos da terra.
“A Madre Terra não é um lugar apenas para visitar — é um lugar para viver. Cada experiência nasce da intenção de honrar a natureza e criar espaços onde as pessoas possam sentir”, afirma Tainá Zaneti, fundadora e diretora criativa da vinícola.
Vivências exclusivas: gastronomia, espiritualidade e conexão
Entre as opções disponíveis, o visitante encontra experiências que mesclam vinho, arte e espiritualidade, com foco na presença e na reconexão com a natureza:
- Cozinhar, Beber e Comer – a cozinha como ritual
- Uma vivência intimista de 2h30, onde os participantes preparam entrada, prato principal e sobremesa, aprendendo técnicas culinárias enquanto degustam e harmonizam vinhos da casa. O encontro é limitado a seis pessoas e conduzido pela própria Tainá Zaneti, em um ambiente acolhedor e criativo.
- Winefulness – meditação com vinho
- Um dos programas mais emblemáticos da Madre Terra. A experiência integra práticas de yoga, tai chi chuan, óleos essenciais, reiki e degustação de vinhos, em um exercício de alinhamento físico, emocional e energético. Inclui tábua de frutas e degustação de dois rótulos.
- Brinde no Barco – o silêncio como companhia
- Realizada em um dos lagos privativos da vinícola, essa experiência contempla um passeio tranquilo sobre as águas, com direito a Espumante Rosé Brut VentreZ e uma tábua de frutas e pães. A proposta é simples: silenciar, observar e brindar.
- DNA Madre Terra – degustação guiada
- Uma imersão na filosofia e nos vinhos da vinícola. O visitante percorre os jardins e vinhedos em patamares, enquanto conhece os métodos de agricultura regenerativa e degusta quatro rótulos das linhas AuraZ, CicloZ e VentreZ.
- Brunch no Jardim – celebração ao ar livre
- Servido sob encomenda, o brunch reúne frutas frescas, pães artesanais, croissants, massas, cream cheese com salmão e mimosas, em um cenário entre vinhedos e lago. É ideal para grupos e celebrações especiais.
- Wineday – a experiência completa
- O programa mais completo da vinícola inclui Winefulness, passeio guiado, almoço harmonizado e o SolstícioZ – Replantio de Garrafas, ritual em que o visitante enterra uma garrafa com intenções pessoais e a recebe meses depois, respeitando o ciclo lunar.
Todas as experiências devem ser agendadas com antecedência pelo WhatsApp (54) 3500-0260.
Cozinha Aymá: o restaurante dentro de uma horta
Inspirada em sua vivência com os filhos, Tainá Zaneti criou a Cozinha Aymá, um conceito de “hortorante” — um restaurante instalado dentro de uma horta viva. Entre canteiros de temperos, flores e chás, mesas e cadeiras se misturam à terra, simbolizando o ciclo natural da vida.
O espaço, sustentado por uma parede de barro, é o coração da gastronomia regenerativa da Madre Terra. Almoços e jantares autorais são servidos mediante reserva, com menus que seguem o ritmo das estações e dos ingredientes colhidos no próprio local.
Agricultura regenerativa e respeito à biodiversidade
A Vinícola Madre Terra está situada na Capela São João, a 847 metros de altitude, e é reconhecida por seu compromisso com práticas sustentáveis. A propriedade cultiva 3,7 hectares de vinhedos próprios, sendo 1,5 hectare em produção, com variedades como Cabernet Franc, Merlot, Teroldego, Pinot Noir, Chardonnay, Riesling e Gewurztraminer.
A produção é controlada, com rendimento entre 6 e 8 mil quilos por hectare, e complementada por uvas de produtores parceiros da Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste.
A filosofia regenerativa inclui o manejo de cobertura vegetal, integração de espécies nativas e proteção da fauna e flora, reduzindo o impacto dos ventos e equilibrando o microclima local.
Um oásis de biodiversidade na Serra Gaúcha
Com mais de 500 árvores ornamentais de 80 espécies diferentes, a vinícola é também um santuário ecológico. Bosques, trilhas e cinco lagos naturais formam um cenário que muda a cada estação, criando um ambiente de contemplação e conexão.
Entre os atrativos naturais, está a Catedral Gótica da Natureza, uma estrutura viva formada por árvores entrelaçadas, considerada um dos pontos mais simbólicos da propriedade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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