Agro
Sorgo ganha espaço no Brasil e se consolida como alternativa estratégica ao milho na safrinha
Sorgo avança e se fortalece no agronegócio brasileiro
O sorgo tem se consolidado como uma alternativa cada vez mais relevante ao milho na segunda safra (safrinha), especialmente em regiões com maior risco climático. Com menor exigência hídrica, maior rusticidade e custo de produção reduzido, a cultura ganha espaço no sistema produtivo brasileiro.
Além do aspecto agronômico, o cereal também se destaca por oferecer maior previsibilidade ao produtor, preservando o caixa mesmo em cenários adversos.
Menor custo e maior previsibilidade atraem produtores
Um dos principais diferenciais do sorgo está no custo de produção. Em comparação ao milho, o investimento por hectare pode ser cerca de 65% menor, reduzindo a exposição financeira do produtor.
O ponto de equilíbrio (break-even) também é mais baixo, o que torna a cultura uma alternativa defensiva, especialmente em áreas com maior risco climático ou em janelas de plantio mais tardias.
Produção cresce e consolida nova posição no Brasil
A produção de sorgo no Brasil tem apresentado forte crescimento nos últimos anos. Para a safra 2025/26, a estimativa é de cerca de 6,9 milhões de toneladas, mais que o dobro do volume registrado cinco anos atrás.
Esse avanço reflete a consolidação da cultura como componente estratégico do sistema produtivo, especialmente em regiões do Cerrado e áreas com limitações climáticas.
Cultura se destaca pela resistência à seca
O sorgo apresenta elevada eficiência hídrica, necessitando de aproximadamente 350 mm de água para completar seu ciclo, contra cerca de 600 mm exigidos pelo milho.
Essa característica torna a cultura particularmente adaptada a estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia e regiões do Matopiba, onde a irregularidade das chuvas é um fator determinante na escolha das culturas.
Demanda cresce com uso em ração e etanol
O uso do sorgo na alimentação animal segue em expansão, especialmente nos setores de avicultura e suinocultura, onde o cereal pode substituir o milho com eficiência nutricional semelhante.
Além disso, o avanço do uso industrial para produção de etanol e o aproveitamento de subprodutos, como DDGs, ampliam as possibilidades de demanda e agregação de valor.
Mercado internacional abre novas oportunidades
No cenário global, a China se destaca como principal importadora de sorgo, respondendo por cerca de 82% das compras mundiais.
A recente abertura do mercado chinês para o sorgo brasileiro representa uma oportunidade estratégica, permitindo ampliar o escoamento da produção e reduzir a dependência do mercado interno.
Preços seguem atrelados ao milho
Os preços do sorgo apresentam forte correlação com os valores do milho, já que ambos competem diretamente na formulação de rações. Em algumas regiões, essa relação já varia entre 80% e 90% do preço do milho.
Apesar disso, o sorgo não possui negociação em bolsa, o que limita estratégias diretas de proteção de preços, sendo comum o uso de hedge cruzado com contratos futuros de milho.
Decisão de plantio depende do risco climático
A escolha entre milho e sorgo na safrinha está diretamente ligada ao risco climático e à janela de plantio.
Enquanto o milho concentra sua melhor janela na primeira quinzena de fevereiro, o sorgo permite semeadura mais tardia, estendendo-se até março.
Em cenários de atraso no plantio, especialmente em solos arenosos, o sorgo tende a ser a opção mais viável, reduzindo riscos de perdas produtivas.
Cultura ganha espaço como estratégia de gestão de risco
Na prática, o sorgo vem deixando de ser uma cultura secundária para assumir papel estratégico na gestão de risco das propriedades.
Em ambientes com maior incerteza climática, o cereal oferece maior previsibilidade produtiva, mesmo com menor potencial de receita por hectare.
Perspectivas indicam expansão sustentável
As perspectivas para o sorgo são de crescimento gradual nos próximos anos, impulsionado por fatores como:
- Mudanças climáticas e irregularidade de chuvas
- Expansão das usinas de etanol no Centro-Norte e Matopiba
- Abertura de novos mercados internacionais, como a China
- Desenvolvimento de híbridos mais produtivos
Nesse contexto, o sorgo tende a se consolidar como cultura complementar ao milho, ampliando sua participação na renda do produtor e fortalecendo sistemas agrícolas mais resilientes.
Complementaridade com o milho define o futuro da cultura
A tendência não é de substituição total do milho, mas sim de complementaridade entre as culturas. O sorgo deve ocupar áreas onde o milho apresenta maior risco ou menor rentabilidade.
Com isso, o cereal caminha para deixar de ser uma cultura de nicho e assumir papel relevante na composição de renda das propriedades rurais brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
El Niño ameaça oferta global de trigo e óleo de palma e pode elevar preços das commodities agrícolas
A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola internacional. O fenômeno poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de importantes commodities, especialmente trigo e óleo de palma, ampliando a volatilidade dos preços e exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.
Análise da Hedgepoint Global Markets aponta que os impactos climáticos tendem a ser distintos entre os principais países produtores. Enquanto a Austrália poderá enfrentar perdas significativas na produção de trigo, Estados Unidos e Argentina podem registrar ganhos produtivos. Já no mercado de óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados na Indonésia e na Malásia, responsáveis pela maior parte da produção mundial.
Austrália concentra os maiores riscos para o trigo
Entre os grandes exportadores mundiais de trigo, a Austrália é considerada a região mais vulnerável aos efeitos do El Niño.
Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas e temperaturas acima da média durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano.
Esse cenário aumenta o risco de déficit hídrico, compromete o enchimento dos grãos e reduz tanto a produtividade quanto a qualidade da safra.
Como a Austrália ocupa posição estratégica nas exportações globais de trigo, qualquer redução relevante na produção costuma repercutir rapidamente nas bolsas internacionais, influenciando os preços e as expectativas do mercado.
Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas
Enquanto o clima tende a dificultar a produção australiana, o El Niño normalmente proporciona condições mais favoráveis em outras regiões produtoras.
Nos Estados Unidos, principalmente nas áreas produtoras de trigo de inverno das Grandes Planícies, o aumento da regularidade das chuvas favorece a recuperação da umidade do solo, reduzindo o risco de estiagens durante o ciclo da cultura.
Embora ocorram episódios isolados de excesso de precipitação, o histórico indica que o impacto líquido costuma ser positivo para a produção norte-americana.
A Argentina também figura entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno.
A maior frequência das chuvas melhora o estabelecimento das lavouras, favorece o desenvolvimento vegetativo e contribui para o enchimento dos grãos, elevando o potencial produtivo do cereal.
Após temporadas marcadas por seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da safra argentina, ampliando sua capacidade de exportação e fortalecendo sua participação no comércio internacional.
Produção de óleo de palma pode sofrer impactos mais fortes em 2027
Além do trigo, o mercado acompanha atentamente os possíveis efeitos do El Niño sobre o óleo de palma.
A commodity apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas do Sudeste Asiático, onde Indonésia e Malásia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.
O fenômeno normalmente provoca redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do estresse hídrico nas áreas produtoras.
No entanto, diferentemente das culturas anuais, os impactos sobre as palmeiras costumam aparecer de forma gradual.
A seca compromete a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, fazendo com que as maiores perdas de produção sejam observadas entre seis e doze meses após o pico do fenômeno climático.
Por esse motivo, os efeitos mais relevantes sobre a oferta mundial de óleo de palma deverão ocorrer ao longo de 2027.
Mercado de óleos vegetais pode sentir reflexos da menor oferta
Uma eventual redução na produção de óleo de palma tende a provocar efeitos em toda a cadeia global de óleos vegetais.
Com menor disponibilidade da commodity, indústrias e consumidores normalmente intensificam a demanda por produtos substitutos, como:
- óleo de soja;
- óleo de canola;
- óleo de girassol.
Esse movimento pode elevar os preços de todo o complexo de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e aplicações industriais.
Intensidade do El Niño será decisiva para os preços internacionais
De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do mercado dependerá da intensidade do fenômeno e do equilíbrio entre as perdas registradas na Austrália e os ganhos produtivos nas Américas.
Segundo o especialista, eventos de El Niño mais intensos costumam sustentar as cotações internacionais do trigo devido à relevância da Austrália nas exportações globais. Já no caso do óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático, onde a redução da oferta poderá se tornar mais evidente ao longo de 2027.
Clima seguirá como principal fator para os mercados agrícolas
A perspectiva de retorno do El Niño reforça que as condições climáticas continuarão sendo um dos principais direcionadores dos mercados agrícolas nos próximos meses.
Além de influenciar a produção mundial de trigo e óleo de palma, o fenômeno poderá alterar fluxos comerciais, estoques globais e estratégias de comercialização, aumentando a volatilidade das commodities e exigindo monitoramento constante por parte de produtores, exportadores e investidores do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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