Agro
Soja: conflito no Oriente Médio domina mercado enquanto relatórios do USDA e da Conab trazem poucas mudanças
Conflito no Oriente Médio influencia mercado global da soja
O mercado internacional da soja manteve atenção voltada ao conflito no Oriente Médio ao longo da semana, especialmente devido ao impacto da crise geopolítica sobre os preços do petróleo.
A valorização da commodity energética tende a influenciar o complexo da soja, principalmente o óleo de soja, utilizado na produção de biocombustíveis. Esse fator acabou se tornando o principal driver do mercado, deixando em segundo plano a divulgação de relatórios importantes do setor agrícola.
Dessa forma, tanto o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) quanto a revisão da safra brasileira feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tiveram impacto limitado nas negociações.
Mercado doméstico mantém cautela
Mesmo com a recuperação recente dos preços da soja na Bolsa de Chicago, o mercado brasileiro tem apresentado uma postura mais cautelosa.
Produtores continuam atentos ao avanço da colheita da safra e aguardam melhores oportunidades de comercialização, diante da expectativa de cotações mais favoráveis nos próximos meses.
Relatório do USDA confirma projeções anteriores
O relatório de março do USDA trouxe poucas alterações em relação às estimativas divulgadas em fevereiro, confirmando as expectativas do mercado.
Para a safra 2025/26 nos Estados Unidos, o órgão projeta:
- Produção: 4,262 bilhões de bushels (aproximadamente 116 milhões de toneladas)
- Produtividade média: 53 bushels por acre
Esses números foram mantidos em relação à projeção anterior.
Estoques e demanda nos Estados Unidos
Os estoques finais norte-americanos foram estimados em:
- 350 milhões de bushels (cerca de 9,53 milhões de toneladas)
O volume ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que projetava cerca de 343 milhões de bushels.
Já a demanda foi projetada em:
- Esmagamento: 2,575 bilhões de bushels
- Exportações: 1,575 bilhão de bushels
As estimativas de exportação permaneceram inalteradas.
Produção mundial apresenta pequeno ajuste
No cenário global, o USDA projetou a produção mundial de soja em 2025/26 em 427,18 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa de fevereiro, que era de 428,18 milhões de toneladas.
Para a temporada 2024/25, a produção mundial foi estimada em 427,19 milhões de toneladas.
Estoques globais
Os estoques finais mundiais para 2025/26 foram projetados em 125,31 milhões de toneladas, número levemente acima da expectativa do mercado, estimada em cerca de 125 milhões de toneladas.
No relatório anterior, o volume estava em 125,51 milhões de toneladas.
Para a temporada 2024/25, os estoques globais estão previstos em 123,84 milhões de toneladas.
Produção de Brasil e Argentina
O USDA manteve praticamente inalteradas as projeções para os principais produtores da América do Sul.
- Brasil
- Safra 2025/26: 180 milhões de toneladas
- Safra 2024/25: 171,5 milhões de toneladas
- Argentina
- Safra 2025/26: 48 milhões de toneladas
- Safra 2024/25: 51,11 milhões de toneladas
A estimativa para a produção argentina sofreu leve redução em relação à projeção anterior, que indicava 48,5 milhões de toneladas.
Importações da China permanecem estáveis
O USDA também manteve inalteradas as projeções para as importações chinesas de soja, principal motor da demanda global.
As estimativas indicam:
- 112 milhões de toneladas em 2025/26
- 108 milhões de toneladas em 2024/25
- Conab revisa produção brasileira de soja
No Brasil, o 6º levantamento da safra de grãos divulgado pela Conab apontou pequena revisão na produção de soja.
A estimativa para a safra 2025/26 é de 177,847 milhões de toneladas, crescimento de 3,7% em relação à temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.
Na projeção anterior, a companhia estimava 177,99 milhões de toneladas.
Área plantada e produtividade no Brasil
Segundo a Conab, a área cultivada com soja no Brasil deverá alcançar 48,43 milhões de hectares, aumento de 2,3% frente aos 47,35 milhões de hectares registrados no ciclo anterior.
Já a produtividade média nacional foi estimada em:
- 3.672 quilos por hectare
Na safra anterior, o rendimento médio ficou em 3.622 quilos por hectare, o que representa variação de 1,4%.
Geopolítica e energia seguem influenciando o mercado
Embora os dados de produção e estoques indiquem um cenário relativamente estável para a oferta global de soja, o comportamento do mercado continua sendo fortemente influenciado por fatores externos.
Entre os principais pontos de atenção dos investidores estão:
- evolução do conflito no Oriente Médio
- movimentação dos preços do petróleo
- impacto sobre o óleo de soja e biocombustíveis
Esses fatores devem continuar determinando a direção das cotações da soja no mercado internacional nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro
-
Política Nacional6 dias agoHorário eleitoral gratuito: veja as regras para as eleições de 2026
-
Paraná5 dias agoAtuação do Ministério Público do Paraná viabiliza implantação do serviço de acolhimento para crianças e adolescentes no Município de Pitangueiras
-
Paraná6 dias agoMinistério Público ajuíza ação civil pública para suspender prorrogação indevida de contrato de concessão dos serviços de transporte coletivo de Guarapuava
-
Paraná6 dias agoTribunal do Júri de Castro condena a 30 anos e 6 meses de reclusão homem denunciado pelo MPPR por tentativa de feminicídio da ex-companheira
-
Educação6 dias agoIdeb: Paraíba inicia análise de resultados nas redes
-
Educação6 dias agoProjeto da Univasf utiliza o esporte para apoiar jovens com TEA
-
Esportes6 dias agoBahia vence o Internacional na Fonte Nova e entra no G-5 do Brasileirão
-
Brasil6 dias agoSecretarias Municipais de Saúde devem formalizar recebimento de equipamentos para as Unidades Básicas de Saúde
