Agro
Setor de fertilizantes pressiona governo por medidas para conter alta de custos no agronegócio
O setor de fertilizantes no Brasil intensificou a cobrança por medidas urgentes do Governo Federal diante da escalada dos custos de produção no agronegócio. A combinação de fatores externos e internos tem pressionado o mercado e pode provocar retração significativa no consumo de insumos, além de impactos diretos nos preços dos alimentos.
Segundo o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR), o mercado nacional de fertilizantes pode encolher entre 10% e 15% em 2026.
Custos elevados pressionam mercado de fertilizantes
Após registrar recorde de 49 milhões de toneladas entregues em 2025, o setor projeta um cenário de retração neste ano. O aumento dos custos está ligado principalmente aos conflitos geopolíticos envolvendo Irã e Ucrânia, além de mudanças internas na política tributária e logística.
Entre os fatores domésticos, destacam-se a retomada da cobrança de PIS/COFINS sobre fertilizantes — com impacto estimado de 2% nos preços — e a Medida Provisória 1343/2026, que trata do frete mínimo.
De acordo com o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz, esses elementos aumentam significativamente os custos de produção agrícola e dificultam a tomada de decisão por parte dos produtores.
Importações em queda e adiamento de compras preocupam setor
O cenário atual já começa a refletir nas importações e no comportamento do mercado. Há registro de queda nas compras externas de fertilizantes no primeiro quadrimestre do ano.
Diante dos preços elevados, empresas demonstram cautela, enquanto produtores optam por adiar aquisições na expectativa de melhores condições. Esse movimento pode comprometer o planejamento da próxima safra.
Redução no uso de fertilizantes pode impactar produção de alimentos
O alto custo dos insumos deve levar à redução no uso de fertilizantes em nível global. No Brasil, o impacto pode ser ainda mais significativo devido ao esgotamento das reservas nutricionais do solo após sucessivas safras robustas.
Nesse contexto, a diminuição da adubação tende a resultar não apenas em menor produtividade, mas também na redução de áreas plantadas. Como consequência, há risco de queda na produção de alimentos e aumento generalizado de preços.
Entre os produtos que podem ser impactados estão soja, milho, carne bovina, frango, açúcar e café, refletindo um cenário de pressão inflacionária no setor de alimentos.
Conflitos globais agravam oferta e logística
O cenário internacional adiciona novos desafios à cadeia de fertilizantes. Um possível fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, pode provocar perda de até 5 milhões de toneladas na produção de fertilizantes fosfatados em apenas um mês, devido à interrupção do fluxo de enxofre — insumo essencial na produção.
Além disso, o preço do enxofre já vinha em alta antes mesmo dos conflitos, impulsionado pela demanda da indústria de baterias.
Outro fator relevante é a redução nas exportações de fosfatados pela China, devido a restrições impostas pelo governo local, o que afeta diretamente o abastecimento brasileiro.
Riscos logísticos e atraso no plantio entram no radar
Mesmo com prazo para importação de insumos visando a safra de soja, prevista para começar em setembro, há preocupação com gargalos logísticos. O acúmulo de cargas pode gerar filas nos portos e atrasos no plantio.
Paralelamente, conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia, Israel e Irã têm afetado unidades produtoras ao redor do mundo, dificultando a retomada da produção e agravando os riscos de desabastecimento.
A Índia, importante produtora de ureia, também reduziu sua produção devido à escassez de gás. Já a Rússia restringiu exportações de nitrato de amônia, insumo do qual o Brasil importa cerca de 2 milhões de toneladas por ano.
Alta do petróleo pressiona fretes e insumos
O aumento nos preços do petróleo tem elevado os custos dos fretes internacionais, impactando diretamente o valor de fertilizantes como o potássio, que vinha apresentando estabilidade, mas já registra alta.
Embora o setor não aponte desabastecimento imediato, há preocupação com o ajuste do mercado via aumento de preços e redução no consumo por parte dos agricultores.
Entidades pressionam governo por mudanças
Diante do cenário adverso, entidades do setor intensificaram articulações com o Governo Federal em busca de medidas que minimizem os impactos sobre o agronegócio.
O Sindiadubos-PR, em conjunto com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA), tem atuado junto ao Instituto Pensar Agropecuário (IPA) e à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).
Entre as principais demandas estão o adiamento da cobrança de PIS/COFINS, a revisão da tabela de frete mínimo e a negociação com a China para a retomada das exportações de fertilizantes fosfatados.
Dependência externa reforça necessidade de soluções
A possível manutenção das restrições chinesas preocupa o setor. No ano passado, o Brasil importou mais de 2 milhões de toneladas de fosfatados da China, que contribuíram para o desempenho recorde das safras.
Sem esse fornecimento, a tendência é de aumento significativo nos custos para o produtor brasileiro.
Diante desse cenário, o setor reforça a necessidade de ações coordenadas entre governo e iniciativa privada para garantir o abastecimento, preservar a competitividade do agronegócio e evitar repasses ainda maiores aos preços dos alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
-
Política Nacional4 dias agoRelatório final do grupo de trabalho sobre combate à misoginia será apresentado na próxima quarta-feira
-
Paraná5 dias agoFeriado de Corpus Christi altera horários de museus, parques e órgãos estaduais
-
Educação5 dias agoPDDE Equidade: prazo de adesão é ampliado até 10 de junho
-
Paraná6 dias agoMPPR lança segunda fase de operação contra loteamentos irregulares em Ibiporã, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em Londrina
-
Política Nacional4 dias agoDeputado prevê rápida aprovação de controle sanitário para suplementos alimentares
-
Política Nacional4 dias agoCongresso recebe Agenda Legislativa Mulheres do Brasil na próxima quarta
-
Agro6 dias agoMapa reforça fiscalização de micotoxinas em São Paulo com tecnologia portátil de análise rápida
-
Paraná7 dias agoAssistência básica e urgências: Unidades Mistas de Saúde avançam por todo o Estado
