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Setor cafeeiro descarta exportação via terceiros para contornar tarifas dos EUA

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou nesta terça-feira (9) que reexportar café brasileiro por meio de outros países não é uma estratégia viável para driblar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida, cogitada por parte do setor, foi descartada pelo presidente da entidade, Márcio Ferreira.

Segundo ele, a prática poderia ser facilmente identificada pelo governo norte-americano. “Não vemos essa possibilidade. Isso foi algo que já foi ventilado desde o início”, destacou.

Tarifas dos EUA impactam diretamente o setor

Em vigor desde 6 de agosto, as tarifas de 50% determinadas pelo presidente Donald Trump sobre diversos produtos brasileiros, incluindo o café, têm afetado de forma significativa a indústria nacional, sobretudo a de café solúvel.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações do segmento para os Estados Unidos recuaram 59,9% em agosto, somando 24.460 sacas de 60 quilos, contra 65.914 no mesmo período de 2024.

“Isso é prejudicial não apenas para nossas indústrias, mas também para nossos parceiros comerciais nos Estados Unidos”, afirmou Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics.

Efeitos globais e risco de alta de preços internos

A Organização Internacional do Café (OIC) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já haviam alertado para os reflexos globais das tarifas norte-americanas, indicando que os preços internacionais poderiam subir.

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No mercado interno, a preocupação também é crescente. O Brasil, que ocupa a posição de segundo maior consumidor de café do mundo, pode enfrentar impactos inflacionários.

“O café está ficando mais caro para os consumidores novamente, e isso está gerando reclamações. Essa pressão de custos tende a contribuir diretamente para a inflação no país”, afirmou Célirio Inácio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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