Brasil
Senad e DPU assinam convênio para prestar assistência jurídica gratuita a grupos vulneráveis
Brasília, 01/12/2025 – Nesta segunda-feira (1º), a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), firmou parceria com a Defensoria Pública da União (DPU) para a assinatura de um Termo de Execução Descentralizada (TED). O objetivo do convênio é prestar assistência jurídica integral e gratuita a grupos vulneráveis, especialmente mulheres, população negra, crianças, adolescentes e povos indígenas, garantindo direitos e proteção.
A iniciativa faz parte das ações dos 21 Dias de Ativismo: Mulheres e Política sobre Drogas. Entre os dias 1º e 3 de dezembro, a Senad promove uma programação sobre violência contra a mulher e seu enfrentamento na agenda de drogas.
O valor do TED é de aproximadamente R$ 7 milhões. Ele será aplicado prioritariamente em áreas com maiores índices de exclusão social e de encarceramento por tráfico de drogas, abordando a correlação entre o transporte de drogas feito pelos chamados “mulas” brasileiras e estrangeiras e o tráfico de pessoas.
Os municípios beneficiados serão: Itabuna (BA), Ilhéus (BA), Jequié (BA), Juazeiro do Norte (CE), Paragominas (PA), Sousa (PB), Guarabira (PB), Patos (PB), Campo Mourão (PR), Parnaíba (PI), Floriano (PI) e Ji-Paraná (RO). Nestas cidades, haverá visitação de Defensores Públicos Federais, com apoio de Servidores Públicos Federais.
Para a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, a efetivação desse convênio, dentro do contexto dos 21 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra a mulher, é simbólica.
“É uma mobilização que representa, ao mesmo tempo, um marco simbólico e um chamado urgente. São dias como este que nos lembram que múltiplas formas de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e institucional — atravessam territórios, pessoas, relações e políticas públicas, e que essa violência recai com peso ainda maior sobre mulheres, principalmente negras, indígenas, periféricas, encarceradas, LGBTQIA+ e extremamente vulneráveis”, ressaltou.
Ela afirmou que os 21 Dias de Ativismo são mais do que uma campanha. Representam um convite a olhar de frente para estruturas de desigualdade que não se resolvem com discursos isolados. Exigem integração, cuidado e presença do Estado e da sociedade civil, disse Marta Machado.
De acordo com o subdefensor público-geral federal, Marcos Paderes, a assistência jurídica prestada à população encarcerada ajuda a aproximar o órgão de quem mais precisa.
“A função da Defensoria Pública da União vai além dos processos que recebemos todos os dias. Queremos participar da comunidade, mudar vidas na região onde trabalhamos. Neste caso, queremos atuar para essas pessoas e famílias, para dar celeridade e qualidade ao atendimento da assistência jurídica a quem mais necessita, especialmente em locais que não têm DPU, que correspondem à grande maioria”, explicou o subdefensor público-geral federal.
Para a secretária de Atuação no Sistema Prisional da Defensoria Pública da União (DPU), Gisela Baer, a atuação conjunta trará resultados ainda mais expressivos.
“Nosso intuito é atender e prestar assistência gratuita, atuando objetivamente na vida das nossas mulheres, e reforçar que continuaremos trabalhando lado a lado com a Senad. Tenho certeza de que os resultados serão ainda mais efetivos”, finalizou Baer.
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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