Política Nacional
Retrospectiva 2025: aprovadas medidas para reforçar arrecadação, simplificar tributos e regular a economia
A Câmara dos Deputados aprovou, em 2025, projetos que impactam diretamente a área da economia e da tributação. Entre eles estão as novas regras para o devedor contumaz e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. As medidas fazem parte do conjunto de propostas aprovadas ao longo do ano pelo Plenário.
Confira as aprovações do ano, separadas por áreas
Devedor contumaz
A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei complementar que estabelece regras mais rígidas para o devedor contumaz, aquele que adota comportamento repetido para evitar o pagamento de tributos. A proposta aguarda sanção presidencial.
De autoria do Senado, o Projeto de Lei Complementar 125/22 define que o contribuinte só poderá ser enquadrado nessa condição após processo administrativo, com direito à ampla defesa.
O texto estabelece critérios para caracterizar dívida substancial, considerada aquela igual ou superior a R$ 15 milhões e que represente mais de 100% do patrimônio conhecido do devedor. A proposta aguarda sanção presidencial.
Atualização e regularização de bens
Foi convertida na Lei 15.265/25 a proposta que permite a atualização do valor de veículos e imóveis no Imposto de Renda e a regularização de bens lícitos não declarados.
A lei permite que pessoas físicas atualizem os bens a valor de mercado com base na declaração de 2024. Nesse caso, será cobrado imposto de 4% sobre a diferença, em vez da alíquota de 15% a 22,5% aplicada no ganho de capital tradicional.
Já a regularização de bens não declarados será considerada acréscimo patrimonial em dezembro de 2024, com cobrança de 15% de imposto e 15% de multa, totalizando 30%.
Reforma tributária e IBS
Em 2025, a Câmara concluiu a votação do segundo projeto de lei complementar que regulamenta a gestão e a fiscalização do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criado pela reforma tributária.
A maior parte do texto corresponde a um substitutivo do Senado ao PLP 108/24, do Poder Executivo, relatado pelo deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). A proposta aguarda sanção presidencial.
O texto regulamenta o funcionamento do Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) e ajusta alíquotas para setores específicos, como:
- sociedades anônimas de futebol (SAFs), que terão alíquota de 5%;
- outras entidades desportivas;
- bebidas vegetais, que passam a ter redução de 60% das alíquotas.
A proposta também trata da aplicação do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD).
Redução de benefícios fiscais
Na última semana do ano, os deputados aprovaram projeto que reduz em 10% os benefícios fiscais federais e aumenta a tributação de bets e fintechs.
O Projeto de Lei Complementar 128/25, do deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), com vigência prevista para 2026, cria novas regras de transparência e controle das renúncias fiscais, que passam a constar da Lei de Responsabilidade Fiscal. A proposta aguarda sanção presidencial.
A redução não atinge imunidades constitucionais, a Zona Franca de Manaus, a cesta básica nacional nem o Simples Nacional.
Imposto de Renda
A Câmara aprovou a Lei 15.270/25, que zera o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, a partir de 2026.
A norma cria uma cobrança mínima de 10% para rendimentos tributáveis acima de R$ 600 mil por ano, atingindo contribuintes de alta renda.
A redução do imposto será gradual para rendimentos até R$ 7.350, conforme o valor recebido.
De autoria do Poder Executivo, o Projeto de Lei 1087/25 foi aprovado com substitutivo do deputado Arthur Lira (PP-AL).
Economia circular
Os deputados aprovaram a criação da Política Nacional de Economia Circular, que incentiva um modelo econômico sustentável, regenerativo e inclusivo.
O texto define metas de redução, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e cria um Fórum Nacional de Economia Circular, com participação do governo e da sociedade civil. A proposta está em análise no Senado.
O Projeto de Lei 3899/12, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que institui a Política Nacional de Economia Circular, está em análise no Senado.
Processo administrativo tributário
A Câmara aprovou normas gerais sobre processo administrativo tributário, com limites para multas e descontos para pagamento antecipado.
O contribuinte poderá obter redução de até 50% da multa, dependendo do momento em que quitar o débito. O texto também limita as multas a 100% ou 150%, conforme o caso.
De autoria do Senado, o Projeto de Lei Complementar 124/22 foi aprovado com substitutivo do deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG). Como sofreu alterações, está no Senado para nova análise.
Contramedidas comerciais
Em resposta a restrições comerciais externas, foi convertida na Lei 15.122/25 a proposta que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas comerciais com base no princípio da reciprocidade.
A lei permite, em último caso, a suspensão de direitos de propriedade intelectual, como royalties.
Precatórios
Com a promulgação da Emenda Constitucional 136/25, os precatórios federais ficaram fora do limite de despesas primárias em 2026.
A partir de 2027, 10% do estoque de precatórios serão reincorporados gradualmente às metas fiscais. A medida ajuda o governo a cumprir a meta fiscal de 2026.
Outras medidas aprovadas
Em 2025, a Câmara também aprovou propostas que tratam de:
- uso de recursos do Fundo Social (MP 1291/25, convertida na Lei 15.164/25);
- reformulação da Lei de Concessões Públicas (PL 2892/11, em análise no Senado);
- perdão de dívidas tributárias de Apaes (PL 754/21, em análise no Senado);
- criação do Sistema de Compras Expressas (PL 2133/23, convertido na Lei 15.266/25);
- pente-fino em benefícios do INSS, com a criação do Programa de Gerenciamento de Benefícios (MP 1296/25, convertida na Lei 15.201/25).
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Política Nacional
Lei determina avaliação da qualidade de hospitais
A partir de agora, hospitais particulares deverão passar por avaliações da vigilância sanitária sobre a qualidade dos serviços de saúde, com divulgação periódica dos resultados.
É o que estabelece a Lei 15.524, que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela Iniciativa Privada. A nova norma foi sancionada pela Presidência da República e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (29).
Os padrões de qualidade e atributos de qualificação deverão ser definidos pelo órgão nacional de vigilância sanitária, diz o texto. Os estabelecimentos que descumprirem as regras poderão receber multa diária entre R$ 5 mil e 500 mil. A penalidade será aplicada sem prejuízo da responsabilidade civil por danos à saúde do paciente ou por descumprimento de normas de proteção ao consumidor.
De acordo com a lei, os padrões de qualidade e os atributos de qualificação deverão observar no mínimo as seguintes diretrizes:
- garantia da segurança do paciente, por meio da adoção de tratamentos efetivos, conforme comprovação científica, e dos mecanismos necessários para prevenção e recuperação de sua saúde;
- disponibilização de recursos institucionais (corpo técnico, estruturas e processos de cuidado) em quantitativo suficiente para atendimento ágil dos pacientes, evitando-se longas esperas e atrasos potencialmente danosos à saúde;
- cuidado responsivo e centrado no paciente;
- equidade, sendo vedadas distinções de tratamento, especialmente em virtude de gênero, religião, etnia, localização geográfica e condição socioeconômica;
- cumprimento efetivo das normas expedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Os padrões de qualidade previstos na nova lei aplicam-se também aos estabelecimentos públicos de saúde, que devem ser alvo de avaliação e divulgação dos resultados, na forma de regulamento.
Origem da lei
A norma jurídica teve origem no Projeto de Lei (PL) 287/2024, apresentado pelo então senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
Com relatório favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o texto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em 2025. Em seguida, a matéria foi encaminhada à Câmara dos Deputados, onde foi aprovada neste mês e encaminhada à sanção presidencial.
Em 2012, o ex-senador Flávio Dino perdeu o filho Marcelo, de 13 anos. O garoto havia sido internado em um hospital de Brasília após uma crise de asma. Dino e a mãe de Marcelo, Deane Fonseca, processaram o hospital e a equipe médica.
Na ação, eles argumentam que a médica responsável pelo atendimento abandonou o posto da UTI pediátrica, o que provocou demora no atendimento. Em outubro de 2025, o hospital foi condenado a pagar uma indenização aos pais.
Com Agência Câmara
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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