Agro
Produtores de etanol dos EUA avaliam compras de milho brasileiro, diz associação americana
Alguns produtores de etanol dos Estados Unidos estão considerando comprar milho do Brasil para garantir custos adequados da matéria-prima, à medida que os preços domésticos do grão avançam, disse nesta terça-feira (18) o chefe da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) do país.
“Não ouvi que isso está acontecendo, mas ouvi algumas conversas de que há pessoas em busca disso, por conta do crescente ‘spread’ entre os preços do milho nos EUA e no Brasil”, disse o presidente-executivo da entidade, Geoff Cooper, em entrevista no Ethanol Summit 2019, realizado em São Paulo.
Os preços do milho nos EUA atingiram máximas de cinco anos nesta semana, incluindo um avanço de 25% desde maio, conforme a perspectiva da safra se deteriorou, por conta do clima desfavorável. No Brasil, os preços avançam mais lentamente, e o país está colhendo sua maior safra de milho da história.
A consultoria brasileira Agroconsult relatou que produtores norte-americanos de etanol adquirindo milho de Brasil e Argentina.
Além dos valores, outro fator impulsionando esses negócios é a dificuldade para o transporte do milho de algumas das áreas de produção dos EUA para as instalações domésticas de etanol, devido ao fechamento de hidrovias após as chuvas, disse André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.
Cooper afirmou que os preços do etanol estão seguindo os avanços nos valores do milho, mas ponderou que “em algum momento você fica sem espaço” para novas altas. “Se o etanol não acompanhar, isso colocará ainda mais pressão nas margens, que já estão baixas –já temos algumas usinas operando no vermelho”, disse ele.
A indústria brasileira do biocombustível, amplamente baseada em cana-de-açúcar, acredita que a situação com o milho nos EUA pode expandir a demanda por seu produto.
Produtores do EUA pedem fim de taxação
Em sua apresentação na conferência, Cooper pediu para que o governo brasileiro deixe o sistema de cotas vencer em setembro e não o renove por um período, afirmando que seria algo justo, já que os EUA não taxam o etanol brasileiro.
O Brasil taxa o etanol norte-americano em 20% quando o volume importado excede os 150 milhões de litros por trimestre.
Agro
Brasil mantém força nas exportações de açúcar em 2025, mesmo com recuo no volume total
As exportações brasileiras de açúcar encerraram 2025 com desempenho robusto, apesar da queda em relação ao recorde histórico de 2024. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o país embarcou 33,77 milhões de toneladas ao longo do ano, uma redução de 11,7% frente às 38,23 milhões de toneladas exportadas no ano anterior. Ainda assim, o resultado representa o segundo maior volume da história das exportações da commodity.
Exportações crescem em dezembro e consolidam desempenho do ano
Em dezembro, o Brasil embarcou 2,91 milhões de toneladas de açúcar, o que representa um avanço de 2,9% em relação ao mesmo mês de 2024. O desempenho positivo no último mês do ano ajudou a consolidar a posição brasileira como líder mundial nas exportações do produto, sustentada pela alta competitividade e pela demanda firme de países como China e Bangladesh.
Logística mais eficiente fortalece presença global
O avanço da infraestrutura portuária e os ganhos de eficiência logística contribuíram para que o Brasil ampliasse sua capacidade de escoamento ao longo de 2025. Esse progresso tem permitido que os principais compradores mantenham níveis mais baixos de estoque, garantindo maior previsibilidade no abastecimento e reforçando a confiança no açúcar brasileiro como fonte estável de suprimento.
Açúcar bruto e branco: tendências distintas no mercado
Os embarques de açúcar bruto somaram 2,47 milhões de toneladas em dezembro, leve retração de 1% em relação ao mesmo período de 2024. Já as exportações de açúcar branco cresceram 31,6%, atingindo 443 mil toneladas.
No acumulado anual, o Brasil exportou 29,47 milhões de toneladas de açúcar bruto (queda de 12%) e 4,30 milhões de toneladas de açúcar branco (recuo de 9,6%).
Queda nos preços reduz receita das exportações
Mesmo com o forte volume exportado, o preço médio do açúcar brasileiro caiu significativamente. Em dezembro, o valor médio foi de US$ 374,55 por tonelada, uma retração de 21,6% frente a dezembro de 2024 — o menor patamar desde novembro de 2021.
Como resultado, a receita mensal ficou em US$ 1,09 bilhão, uma redução de 19,4%. No acumulado de 2025, as exportações de açúcar geraram US$ 14,1 bilhões, recuo de 24,2% em comparação ao ano anterior.
China lidera importações do açúcar brasileiro
A China manteve-se como principal destino do açúcar brasileiro em dezembro, com 385 mil toneladas (13,2% do total). Em seguida vieram a Arábia Saudita, com 324 mil toneladas (11,1%), e a Argélia, com 228 mil toneladas (7,8%).
No acumulado do ano, a China também liderou as compras, somando 4,74 milhões de toneladas, crescimento expressivo de 56,9% sobre 2024. A Índia ocupou a segunda posição, com 2,63 milhões de toneladas (queda de 21,6%), e a Argélia ficou em terceiro, com 2,12 milhões de toneladas (recuo de 4,7%).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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