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Agro

Preços do milho sobem em setembro com forte demanda e riscos de quebra nos EUA

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O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, aponta uma recuperação significativa nos preços do milho em setembro, tanto no mercado internacional quanto no doméstico. A alta foi impulsionada por temores de quebra de produtividade nos Estados Unidos e pela manutenção da forte demanda global.

Milho se valoriza na CBOT com preocupações climáticas e alta demanda

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho apresentou alta de 7% em setembro em comparação a agosto, alcançando US$ 4,12 por bushel. O movimento foi motivado por condições climáticas adversas — clima seco e quente em agosto — que aumentaram os riscos de perdas nas lavouras norte-americanas.

Com o avanço da colheita, as previsões de menor produtividade vêm se confirmando, o que sustenta os preços. Além disso, a demanda sólida por milho para a produção de etanol e as exportações firmes dos Estados Unidos também contribuíram para o cenário de valorização.

Preços domésticos acompanham tendência de alta internacional

No Brasil, o mercado interno refletiu o movimento externo. A maioria das praças registrou valorização em setembro:

  • Campinas (SP): alta de 1,5%, com o milho cotado a R$ 64,80/saca;
  • Sorriso (MT): avanço de 4%, para R$ 46,50/saca.

Apesar do cenário positivo, os produtores mantêm cautela nas vendas. Até o momento, 55% da safra 2024/25 foi comercializada, abaixo da média dos últimos cinco anos, de 60%.

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Plantio da 1ª safra avança com boas condições climáticas

A primeira safra de milho segue com bom ritmo de plantio, especialmente na região Sul do país, onde as condições climáticas são favoráveis.

De acordo com a Conab, 31% da área projetada já foi semeada, com destaque para os estados de:

  • Paraná (84%),
  • Santa Catarina (72%),
  • Rio Grande do Sul (83%).

As lavouras apresentam bom desenvolvimento até o momento, o que reforça expectativas positivas para o início do ciclo 2024/25.

Estoques dos EUA superam expectativas do mercado

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, no fim de setembro, que os estoques trimestrais de milho atingiram 38,9 milhões de toneladas — acima da expectativa de 33,9 milhões e também acima do relatório WASDE, que indicava 33,7 milhões de toneladas.

Em setembro de 2024, o volume era de 44,8 milhões de toneladas, e o novo dado pode levar o USDA a revisar o balanço da safra americana para cima nas próximas publicações.

Produção recorde e câmbio podem pressionar cotações

Mesmo com relatos pontuais de produtividade abaixo do esperado, o USDA estima produção recorde de 427,1 milhões de toneladas para a safra americana — alta em relação às 425,3 milhões previstas anteriormente. As exportações também foram revisadas para cima, alcançando 75,6 milhões de toneladas, enquanto os estoques projetados subiram 59,2%, para 53,6 milhões de toneladas.

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Esse aumento na oferta deve trazer conforto ao balanço global e pode pressionar os preços no curto prazo, especialmente com a valorização do real frente ao dólar.

Comercialização lenta e expectativa de maior movimentação em outubro

No Brasil, as vendas de milho seguem abaixo da média histórica, mas a expectativa é de aceleração em outubro, período em que o cereal ocupa o maior volume dos armazéns. Os produtores devem liberar espaço até janeiro para o recebimento da nova safra de soja.

Os estoques de passagem devem crescer de forma significativa em relação à safra 2023/24, garantindo conforto ao abastecimento interno.

Clima favorável e câmbio definem próximos passos do mercado

As condições climáticas favoráveis no Sul do país e a valorização do real são fatores que podem limitar novas altas no preço do milho. Apesar disso, os embarques de exportação seguem firmes — com potencial para atingir 42 milhões de toneladas até o fim do ano.

Mesmo assim, o Brasil deve encerrar 2025 com estoques de passagem elevados, o que contribui para equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Desenrola Rural vai até 20 de dezembro. Saiba aqui como renegociar

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Produtores rurais têm até o próximo dia 20 de dezembro para regularizar débitos do Pronaf e fundos constitucionais sob as regras do Desenrola Rural. Com o semestre final se aproximando, especialistas alertam que a demora na busca pela agência bancária pode significar a perda de condições especiais de parcelamento e descontos de até 96%.

A medida, que visa dar fôlego financeiro aos produtores em um cenário de custos elevados e impacto climático na safra, é uma tentativa de estancar a inadimplência no setor, que já ultrapassa a marca de 8%, segundo dados da Serasa Experian. O programa foca na regularização de débitos de pequenos produtores, permitindo descontos que chegam a 96% sobre encargos e prazos de até 10 anos para o pagamento.

O benefício não é universal. A regra vale exclusivamente para contratos de crédito rural firmados entre 2012 e 2022, especificamente nas operações do Pronaf e nos financiamentos via Fundos Constitucionais (FCO, FNO e FNE). O enquadramento ignora o tamanho da propriedade, focando estritamente na natureza da dívida. Ao formalizar a adesão, o produtor tem o nome retirado dos cadastros de restrição ao crédito, o que devolve a capacidade de tomar novos financiamentos para a safra — peça-chave para a sobrevivência da atividade agrícola.

O principal gargalo para o sucesso do programa está na ponta do atendimento bancário. Especialistas em Direito Agrário alertam que instituições financeiras costumam ignorar a política pública para oferecer “pacotes internos” de renegociação, que frequentemente carecem das vantagens garantidas pelo programa federal.

A recomendação para o produtor ir à agência bancaria munido dos contratos e exigir, expressamente, a aplicação das regras do Desenrola Rural. Aceitar soluções genéricas oferecidas pelo banco sem comparar com as condições federais é um erro que pode custar a rentabilidade da propriedade e o acesso ao crédito no longo prazo.

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O Desenrola Rural, contudo, ignora o médio e o grande produtor, que também sofrem com a crise de rentabilidade do setor. Sem uma política pública universal, esse perfil de produtor depende da aplicação rigorosa do Manual de Crédito Rural (MCR) para a reestruturação de suas dívidas. Na prática, a falta de flexibilidade voluntária dos bancos tem forçado esses produtores a buscar o Poder Judiciário para garantir o direito de repactuar débitos sem colocar em risco a viabilidade do negócio.

Guia prático

Para garantir o direito à renegociação sob as regras do Desenrola Rural e evitar as armadilhas dos “pacotes genéricos” dos bancos, a preparação documental é o passo mais estratégico. O produtor deve encarar a ida à agência não como um pedido de favor, mas como uma formalização de direito garantido pelo programa federal.

Antes de comparecer à agência, o produtor deve organizar um dossiê completo. A falta de um único documento pode ser usada como justificativa pelo gerente para negar o enquadramento ou direcionar o cliente para outras linhas de crédito com juros mais altos.

Documentação essencial

  • Identificação Pessoal: RG e CPF (ou CNH) atualizados do titular do crédito.

  • Comprovação da Propriedade: Matrícula atualizada do imóvel rural, além do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) e a última declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Esses documentos atestam a regularidade da área e são fundamentais para o histórico de crédito junto à instituição.

  • Cédula de Crédito Rural ou Contrato: Este é o documento central. É ele que prova a origem da dívida (se Pronaf ou Fundos Constitucionais como FCO, FNO ou FNE) e o período de contratação (entre 2012 e 2022). Caso o documento original tenha sido extraviado, o produtor deve solicitar formalmente uma cópia autenticada ou declaração detalhada à própria agência antes da data da renegociação.

  • Extrato atualizado da dívida: Levar o demonstrativo do débito facilita a identificação imediata da operação na tela do gerente e evita divergências de valores na simulação do acordo.

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Postura no atendimento

O advogado Gian Tozini, especialista em Direito Agrário, reforça que a documentação serve como escudo contra ofertas pouco vantajosas.

  • Exija o enquadramento: Ao apresentar os documentos, o produtor deve solicitar expressamente a aplicação das condições do Desenrola Rural. Se o gerente informar que “o sistema não libera”, o produtor deve pedir uma justificativa por escrito ou o número de protocolo do atendimento.

  • Não assine sem conferir: É comum que instituições ofereçam renegociações internas, que raramente trazem os descontos de até 96% previstos pelo programa federal. O produtor deve recusar qualquer proposta comercial que não apresente as condições estabelecidas pela norma do governo.

  • Formalize a recusa: Caso a agência insista em ignorar o programa, o produtor tem o direito de registrar uma reclamação no Banco Central, munido do protocolo de atendimento negado.

A organização prévia destes documentos é o que define se a renegociação será uma solução eficiente para o fluxo de caixa da propriedade ou apenas uma postergação de um problema financeiro. O prazo final para essa regularização é 20 de dezembro de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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