Agro
Soja dispara em Chicago com acordo entre EUA e China, tensão no Oriente Médio e clima nos EUA no radar
O mercado global da soja voltou a registrar forte volatilidade nesta terça-feira (19), com os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) mantendo o movimento de alta iniciado na sessão anterior. O avanço das cotações reflete uma combinação entre fatores geopolíticos, expectativa de aumento da demanda chinesa por produtos agrícolas dos Estados Unidos e preocupações climáticas nas regiões produtoras norte-americanas.
Por volta das 9h (horário de Brasília), os principais vencimentos operavam em alta entre 3,50 e 4,25 pontos. O contrato julho era negociado a US$ 12,17 por bushel, enquanto agosto alcançava US$ 12,15 por bushel, sustentando o ambiente positivo para o complexo soja.
A valorização ganhou força após o anúncio de um novo entendimento comercial entre Estados Unidos e China. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, Pequim se comprometeu a adquirir ao menos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas norte-americanos entre 2026 e 2028.
O acordo foi firmado após reuniões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizadas na semana passada em Pequim. O pacote prevê ainda avanços na reabertura do mercado chinês para carnes e produtos agropecuários americanos, além da criação de novos conselhos bilaterais voltados à ampliação do comércio e dos investimentos entre as duas potências.
Compras chinesas impulsionam recuperação da soja
A confirmação das compras chinesas trouxe forte recuperação para as commodities agrícolas em Chicago. Na sessão anterior, o contrato julho da soja encerrou o pregão com valorização de 36 centavos de dólar, ou 3,05%, cotado a US$ 12,13 por bushel. O vencimento agosto fechou a US$ 12,11, com avanço de 2,93%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja teve leve alta, encerrando julho a US$ 334,50 por tonelada. Já o óleo de soja registrou valorização expressiva, apoiado também pelo comportamento do petróleo internacional, fechando a 75,63 centavos de dólar por libra-peso.
Analistas observam que o mercado ainda mantém cautela quanto ao cumprimento efetivo do acordo por parte da China, especialmente diante do histórico recente de tensões comerciais entre os dois países. Ainda assim, o anúncio foi suficiente para estimular forte movimento comprador nos mercados futuros.
Oriente Médio e Estreito de Ormuz seguem no centro das atenções
Além dos fundamentos agrícolas, o cenário geopolítico continua influenciando diretamente os preços das commodities.
O mercado acompanha com atenção os desdobramentos das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos. Notícias de que o governo americano teria adiado novos ataques ao território iraniano ajudaram a reduzir parcialmente a aversão ao risco nos mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, seguem as preocupações em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Informações de que autoridades iranianas estudariam reabrir parcialmente a passagem marítima, porém com restrições aos Estados Unidos, mantêm o mercado em alerta.
Apesar disso, o petróleo operava em queda nesta terça-feira, limitando ganhos mais intensos das commodities agrícolas.
Clima nos Estados Unidos preocupa operadores
Outro fator monitorado pelos investidores é o avanço do plantio da nova safra norte-americana.
Os trabalhos de campo seguem em ritmo acelerado no Meio-Oeste dos Estados Unidos, mas algumas regiões começam a enfrentar excesso de chuvas e temperaturas mais baixas, o que pode trazer impactos localizados sobre o desenvolvimento inicial das lavouras.
As condições climáticas seguem sendo um dos principais direcionadores do mercado neste momento, principalmente diante da elevada sensibilidade dos preços após o recente movimento de recuperação.
Mercado brasileiro acompanha Chicago e enfrenta desafios logísticos
No Brasil, o mercado físico também reagiu ao cenário internacional, embora de forma moderada em algumas regiões.
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram ajustes pontuais no interior, enquanto o Porto de Rio Grande registrou recuo no disponível, com referência próxima de R$ 127,67 por saca. A colheita no estado alcança cerca de 95% da área cultivada.
A Emater/RS-Ascar revisou para baixo a estimativa da safra gaúcha, reduzindo a projeção de 21,44 milhões para pouco mais de 19 milhões de toneladas. A irregularidade climática provocou forte diferença de produtividade entre regiões, com lavouras variando entre 1.200 e 4.200 quilos por hectare.
Em Santa Catarina, os preços apresentaram leve recuperação em municípios como Palma Sola e Rio do Sul, enquanto o Porto de São Francisco do Sul registrou recuo. A colheita estadual já supera 70% da área plantada.
No Paraná, produtores seguem enfrentando pressão logística, aumento dos custos de frete e margens mais apertadas, mesmo diante de uma safra estimada em cerca de 22 milhões de toneladas.
Já no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul registrou valorização expressiva em algumas praças, com destaque para São Gabriel do Oeste. Em Mato Grosso, a produção recorde estimada em 51,56 milhões de toneladas amplia os desafios relacionados à armazenagem, logística e custos para a próxima temporada.
Mercado segue volátil e atento aos próximos movimentos
O mercado da soja permanece altamente sensível às decisões políticas, ao comportamento da demanda chinesa, às condições climáticas nos Estados Unidos e às tensões no Oriente Médio.
A expectativa dos operadores é de continuidade da volatilidade nas próximas sessões, principalmente diante da combinação entre fundamentos agrícolas, fluxo financeiro internacional e riscos geopolíticos que seguem influenciando diretamente o comportamento das commodities globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Pecuária de leite em Minas Gerais reduz emissão de carbono e ganha eficiência produtiva, aponta estudo do Sebrae
A pecuária leiteira de Minas Gerais começa a consolidar avanços importantes em sustentabilidade e eficiência produtiva. Um relatório inédito elaborado a partir de dados de 80 propriedades atendidas pelo programa Educampo, do Sebrae Minas, apontou que fazendas com menores índices de emissão de carbono também apresentaram melhor desempenho zootécnico e econômico.
O levantamento identificou média de 1,15 quilo de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM), indicador utilizado internacionalmente para medir a pegada de carbono na produção leiteira. O resultado posiciona as propriedades mineiras abaixo das médias globais da atividade, estimadas entre 2,4 e 2,5 kg de CO₂e por quilo de leite, segundo referências da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.
O estudo reuniu informações de propriedades responsáveis pela produção anual de 95,6 milhões de quilos de leite. Ao todo, o universo analisado envolve cerca de 18,8 mil animais, com média de produção diária de 23,06 quilos de leite por vaca.
Gestão eficiente reduz emissões e aumenta produtividade
De acordo com o relatório, fatores ligados à gestão da propriedade, produtividade animal e manejo nutricional influenciam diretamente os níveis de emissões nas fazendas leiteiras.
As propriedades com melhor desempenho ambiental apresentaram características em comum, como:
- maior produtividade por vaca;
- maior proporção de animais em lactação;
- menor permanência de animais improdutivos no rebanho;
- melhor aproveitamento da alimentação concentrada;
- maior eficiência no uso dos recursos produtivos.
Segundo a gerente de Agronegócios e Artesanato do Sebrae Minas, Priscilla Lins, a sustentabilidade no campo está diretamente ligada à qualidade da gestão das propriedades.
“A sustentabilidade se desenvolve progressivamente a partir da organização, da disciplina de indicadores e da melhoria contínua na gestão das propriedades. Nesse sentido, a pegada de carbono é determinada pela combinação entre produtividade por animal, estrutura do rebanho, eficiência no uso de concentrado e decisões de manejo”, destaca.
Educampo fortalece monitoramento técnico das propriedades leiteiras
As propriedades participantes já eram acompanhadas mensalmente pelo programa Educampo, metodologia do Sebrae voltada ao monitoramento contínuo de indicadores técnicos, econômicos e financeiros no agronegócio.
O acompanhamento recorrente garantiu maior confiabilidade às informações utilizadas no estudo e permitiu análises mais detalhadas sobre sustentabilidade na cadeia leiteira.
O trabalho também contou com suporte tecnológico da ESGpec, startup responsável pelas ferramentas aplicadas nas avaliações ambientais e produtivas. Entre as soluções utilizadas estiveram:
- PEC Calc, para cálculo da pegada de carbono;
- BEA Score, voltado ao bem-estar animal;
- ESG Farm Score, relacionado às práticas regenerativas na pecuária leiteira.
Na fase inicial do projeto, 25 consultores foram capacitados para aplicação das ferramentas, interpretação dos resultados e acompanhamento dos indicadores ambientais nas fazendas.
Diferenças entre sistemas produtivos reforçam importância da assistência técnica
A análise apontou variações expressivas entre as propriedades avaliadas, com índices de emissão oscilando entre 0,88 e 2,51 quilos de CO₂e por quilo de leite corrigido para gordura e proteína.
Os dados demonstram que os sistemas produtivos possuem diferentes níveis de eficiência e reforçam a importância do acompanhamento técnico contínuo para melhorar os indicadores ambientais e econômicos.
Segundo o relatório, o uso estratégico das informações obtidas permitirá aos produtores orientar decisões ligadas à gestão, produtividade, manejo e sustentabilidade das propriedades.
Sustentabilidade ganha espaço na cadeia do leite
O projeto também fortalece a integração entre produtores rurais, indústria e mercado em torno de uma agenda comum voltada à sustentabilidade da cadeia leiteira.
Para Priscilla Lins, os resultados mostram que a evolução técnica da atividade passa pela combinação entre eficiência produtiva, governança e responsabilidade socioambiental.
“Os resultados iniciais já apontam um movimento estruturado de evolução técnica que integra produtividade, governança e responsabilidade socioambiental. A proposta é construir uma visão mais ampla da atividade leiteira, considerando não apenas a eficiência produtiva, mas também fatores ligados ao cuidado com os animais, à gestão da propriedade e ao impacto social e ambiental da produção”, afirma.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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