Brasil
“O pagamento do seguro-defeso está garantido a quem tem direito”, afirma Luiz Marinho
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou, nesta terça-feira (24), de audiência pública da Comissão Mista da Medida Provisória nº 1.323/2025, realizada no Senado Federal, para debater as mudanças no seguro-defeso e a nova gestão do benefício. Durante a reunião, o ministro assegurou que “o pagamento aos pescadores artesanais que atendem aos requisitos legais está garantido” e detalhou as medidas adotadas para prevenir fraudes e garantir que o recurso chegue a quem realmente tem direito.
Em vigor desde novembro do ano passado, a Medida Provisória nº 1.323/2025 alterou a legislação do seguro-desemprego para pescadores e pesadoras artesanais durante o período de defeso e transferiu do INSS para o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a gestão do benefício.
Durante a audiência, o ministro detalhou como o MTE está dando continuidade à política, garantindo o direito dos trabalhadores e das trabalhadoras da pesca que necessitam do benefício quando ficam temporariamente impedidos de exercer a atividade no período da piracema.
Para fortalecer o controle e combater fraudes, a MP ampliou as exigências para os beneficiários. Pelas novas regras, os pescadores devem estar inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), possuir cadastro biométrico e atender aos demais requisitos legais para ter acesso ao benefício.
Luiz Marinho informou que, após ajustes nos sistemas, o pagamento foi iniciado em 2 de fevereiro e já contemplou 135 mil beneficiários. “Tivemos de ajustar sistemas para iniciar o pagamento e já realizamos o pagamento do benefício a 135 mil pessoas”, ressaltou.
Os parlamentares apresentaram questionamentos sobre os novos procedimentos, como o preenchimento de questionário e a confirmação em duas etapas por aplicativo. O ministro reconheceu a necessidade de aperfeiçoamentos, mas destacou que o combate às irregularidades é essencial para preservar o direito dos pescadores regulares. “Quem tiver dificuldade para preencher o questionário pode apresentar recurso. Vamos ajustar o que for necessário para que o pescador tenha acesso rápido ao benefício, que deve ser concedido em até 10 dias”, afirmou.
Receberam o primeiro lote pago pelo MTE, em 17 de fevereiro, os beneficiários que entregaram o Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP) ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), estão com o Registro Geral da Pesca (RGP) regular, residem em município abrangido pelo defeso, estão inscritos no CadÚnico e participaram das entrevistas realizadas pela Fundacentro.
O ministro também destacou que o MTE mantém diálogo permanente com entidades representativas e sindicatos da categoria, com o objetivo de aperfeiçoar os procedimentos e fortalecer medidas de prevenção a possíveis fraudes.
Novas regras
Desde a transição da gestão, os pescadores e pescadoras artesanais devem solicitar o benefício por meio da Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal Gov.br. Nessas plataformas, também é possível acompanhar o andamento do pedido, consultar datas de pagamento e registrar solicitações de revisão.
Para ter direito ao benefício, é necessário cumprir os seguintes requisitos:
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inscrição no Registro Geral da Pesca (RGP) há, no mínimo, um ano, contado da data do requerimento;
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possuir registro biométrico, nos termos do art. 1º da Lei nº 15.077, de 27 de dezembro de 2024;
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estar inscrito no CadÚnico;
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não dispor de outra fonte de renda além da atividade pesqueira;
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ter exercido a pesca no período entre o defeso anterior e o atual, ou nos 12 meses imediatamente anteriores ao defeso em curso — o que for menor —, comprovado por meio do REAP e do recolhimento de contribuições previdenciárias;
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não estar recebendo benefício previdenciário ou assistencial de prestação continuada, exceto pensão por morte, auxílio-acidente e programas de transferência de renda;
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comprovar residência em município abrangido pelas portarias que estabelecem o período de defeso;
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comprovar a comercialização da produção por meio de notas fiscais ou apresentar comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária;
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ter passado por coleta complementar de informações, nos termos da Portaria MTE nº 1.991, de 24 de novembro de 2025, especificamente para os estados do Amazonas, Bahia, Maranhão, Pará e Piauí.
A comissão mista foi instalada em 3 de fevereiro e é presidida pelo deputado Josenildo (PDT-AP). O relator é o senador Beto Faro (PT-PA) e o relator-revisor é o deputado Sidney Leite (PSD-AM). A próxima audiência está marcada para 3 de março, com expectativa de apresentação do relatório final em 10 de março.
Para mais informações sobre o seguro-defeso clique aqui.
Brasil
Como limpar peixe Bacu: passo a passo prático sem erro
O processo de limpeza do peixe é o início da preparação dos pratos. Com algumas técnicas, é possível preparar um prato delicioso para o almoço ou jantar. O bacu também é chamado de bacu-pedra. Pertence à família dos Doradidae principalmente as espécies Lithodoras dorsalis e Acanthodoras cataphractus .
PROTEÇÃO
Use luvas grossas e faca bem afiada. O bacu tem ferrões duros nas nadadeiras e escamas resistentes nas laterais, que podem ferir as mãos.
Trabalhe sobre uma tábua firme, com o peixe bem apoiado para evitar escorregões.
LIMPEZA INICIAL E DESODORIZAÇÃO
Lave o peixe inteiro em água corrente para remover lama e muco.
Esfregue suco de limão por toda a pele e dentro da boca; deixe agir de 5 a 10 minutos e enxágue. Isso ajuda a domar o cheiro e a gordura.
REMOÇÃO DE ESCAMAS E FERRÕES
Com a faca em ângulo, raspe as escamas no sentido do rabo para a cabeça, focando nas laterais e barriga (onde são mais resistentes).
Corte as nadadeiras e retire os ferrões com golpes firmes, sempre afastando a mão da lâmina.
ABERTURA E EVISCERAÇÃO
Faça um corte do ventre em direção à cabeça e abra o peixe ao meio.
Retire as vísceras por completo. O bacu é onívoro (come frutas, peixes e plantas como aninga) e costuma ter muita tripa e sangue. Descarte tudo e lave a cavidade com água corrente.
A região da guelra e da boca é muito dura; quebre o osso com cuidado ou peça esse corte na peixaria.
LAVAGEM FINAL E CORTE CONFORME O PREPARO
Enxágue novamente. Se o odor persistir, passe mais limão rapidamente e torne a lavar.
Para cozidos: corte em postas. A carne fica mais macia ao cozinhar.
Para assar na brasa: deixe inteiro ou abra “borboleta” (sobretudo em peças de 2 a 3 kg).
Para fritar: retire apenas os filés, removendo totalmente pele e escamas — a carne é firme e a pele, muito resistente.
TEMPEROS QUE FUNCIONAM
Base amazônica: jambu e tucupi, chicória (coentro-da-amazônia) e alfavaca.
Complementos: cebola, alho e cominho realçam o sabor sem “brigar” com a gordura natural.
Dica: em dias de inverno amazônico, o bacu tende a ser mais gordo. Ajuste o sal e a acidez (limão/tucupi) para equilibrar.
COZIDO, ASSADO OU FRITO: PONTOS DE ATENÇÃO
Cozido: fogo médio, caldo encorpado e finalização com folhas frescas. A textura fica macia.
Assado na brasa: grelha limpa e quente; pincele óleo para não grudar. A carne ganha resistência e sabor defumado.
Frito: filés sem pele, bem secos; óleo quente para vedar e manter suculência.
CHEIRO FORTE E GORDURA: COMO LIDAR
Limão antes e depois da lavagem ajuda. Tucupi e ervas frescas cortam a gordura.
Retire coágulos e lave bem a coluna de sangue. Bacu e bagre sangram bastante.
CULTURA E CUIDADO À MESA
O caldo é visto como fortificante por moradores do Espírito Santo do Tauá (Santo Antônio do Tauá, no Pará).
Entre saberes populares, é considerado peixe “remoso” (gorduroso e potencialmente indigesto para alguns). Se houver sensibilidade, consuma com moderação.
SEGURANÇA NA PESCA E NO MANUSEIO
Captura típica: linha/espinhel e tapagem em igarapés (cursos de água amazônicos estreitos e pouco profundos), tanto de dia quanto à noite.
Ao tratar em casa, mantenha ferramentas afiadas e distância das mãos ao cortar ferrões e os ossos da cabeça.
DICAS FINAIS
Frio é aliado: peixe bem refrigerado facilita o corte e reduz o odor.
Organização conta: separe área limpa (pós-lavagem) da área suja (evisceração).
Respeite o calendário: no verão, a carne tende a ser mais magra; no inverno, mais gorda — ajuste técnica e tempero ao perfil da peça.
Matéria construída com auxílio da pescadora paraense, Adenilse Borralhos.
Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]
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