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O Brasil que pesquisa, sonha e transforma: 75 anos de CNPq

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Há pesquisas que nascem da curiosidade. Outras, da urgência. Algumas começam num laboratório. Outras, numa sala de aula, num território isolado, no silêncio de uma dor antiga ou no olhar atento de quem vive o problema todos os dias. 

Ao completar 75 anos, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pode ser contado de muitas formas. Pela história institucional. Pelos editais. Pelas bolsas. Pelas descobertas que ajudou a tornar possíveis. Mas há um jeito mais verdadeiro de falar de sua importância: olhar para as vidas que seguiram adiante porque, em algum momento, a ciência pública lhes estendeu a mão. 

A trajetória da professora doutora Gisele Louro Peres, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), é uma dessas histórias. Nascida e criada em Rio Grande, no Rio Grande do Sul (RS), ela diz que nunca imaginou viver uma cena como a de agora, celebrando a data como cientista. “Nem nos meus sonhos mais ousados imaginei estar aqui, celebrando os 75 anos do CNPq. Que honra. Que privilégio”, afirma. 

Sua pesquisa não nasceu apenas de uma pergunta científica, mas de uma inquietação profundamente humana: a dificuldade de diagnosticar o câncer cedo, sobretudo para quem não consegue acessar exames caros e invasivos. Foi dessa realidade que surgiu o trabalho com um biossensor voltado à detecção precoce da doença, capaz de reconhecer marcadores tumorais específicos. “Para mim, toda pesquisa nasce de um lugar: da curiosidade para resolver um problema real… ou da dor”, resume. 

Se no caso de Gisele a pesquisa parte da dor, na trajetória do matemático Cristhiano Duarte a ciência aparece como travessia, retorno e retribuição. Filho de dois servidores públicos, ele relembra um caminho que passou pela iniciação científica, pela circulação internacional e pela consolidação de uma carreira dedicada à física quântica — sempre com a marca do investimento público no horizonte. 

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“Estou onde estou por causa do investimento público: das cotas, da expansão universitária, do apoio contínuo das nossas agências de fomento”, afirma. Foi esse ambiente de formação, de intercâmbio e de pesquisa que permitiu que muitos cientistas, como Cristhiano, colaborassem para pesquisas de ponta, atraiu talentos internacionais e ajudou a colocar grupos brasileiros em posição de destaque em uma área estratégica para o futuro. 

Mas a trajetória dele não é feita apenas de circulação internacional e pesquisa de fronteira. Ela também é marcada pelo desejo de retorno. Depois de passar por diferentes instituições no Brasil e no exterior, ele voltou à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), movido pela vontade de retribuir ao País tudo o que recebeu da educação pública e das agências de fomento.  

Outra história que merece ser contada é a de Alana Vasconcelos, que fala de permanência, oportunidade e futuro. Doutora em educação e ex-bolsista de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas, ela representa uma geração de pesquisadoras que encontrou na ciência um caminho para transformar conhecimento em solução concreta, sem precisar sair do lugar de onde veio. Em Aracaju (SE), construiu sua trajetória articulando pesquisa, inovação e formação de pessoas, mostrando que a produção científica brasileira também ganha força longe dos centros mais tradicionais.  

Ao olhar para esse percurso, Alana resume o que está em jogo quando se fomenta a ciência: “Continuem investindo nas pessoas, em educação, ciência e tecnologia, porque são elas que transformam talentos em soluções e ideias em desenvolvimento para o País”. 

Na Amazônia, a ciência ganha outro ritmo. Anda de barco, escuta o tempo da floresta, aprende com quem vive nela. A jovem pesquisadora Manuelle Pereira, estudante de Engenharia Florestal, levou esse princípio ao centro do trabalho que desenvolveu no Vale do Jari, junto a extrativistas da castanha-da-amazônia. 

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Seu projeto, o Kit Solar Castanheiro, nasceu de uma constatação simples e urgente: muitos trabalhadores passam dias ou meses na floresta sem acesso à energia elétrica, dependendo de geradores caros, poluentes e pouco eficientes. Mas o que torna sua experiência singular não é apenas a solução técnica. É o modo como ela foi construída. “Essa não é uma tecnologia feita para a comunidade, ela foi construída com a comunidade”, afirma. 

Como em tantas outras trajetórias científicas no Brasil, o caminho de Manuelle também foi sustentado por bolsas que permitiram que ela seguisse pesquisando, estudando, indo a campo e acreditando no próprio lugar na ciência. “Essas bolsas não foram apenas um apoio financeiro, elas foram o que me permitiu permanecer na pesquisa”, afirma. 

Em comum, as quatro histórias têm origens diferentes, territórios diferentes, perguntas diferentes. Uma cientista que tenta tornar o diagnóstico do câncer mais acessível. Um pesquisador que voltou para casa para retribuir ao País o que recebeu dele. Uma nordestina que transformou conhecimento em tecnologia de ponta. Uma jovem que aprendeu a fazer ciência ouvindo a floresta Amazônica e seus trabalhadores. 

Ao longo de 75 anos, o CNPq ajudou a fazer da ciência uma política de Estado e uma experiência de vida. Como vinculada do MCTI e um de seus braços mais importantes, sua presença se revela justamente onde ela é menos abstrata: nas pessoas que puderam sonhar mais longe porque houve, antes delas, um compromisso público com o conhecimento. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Infraestrutura quântica desenvolvida no Recife coloca o Brasil na fronteira da cibersegurança

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A mecânica quântica deixou as lousas acadêmicas para percorrer as fibras ópticas sob o asfalto do Recife (PE). Longe de ser uma promessa distante, o domínio dessa tecnologia tornou-se realidade em Pernambuco. Cientistas utilizaram dark fibers (fibras apagadas) — cabos já instalados na malha urbana, mas inativos — para desenvolver a Rede Quântica Recife (RQR). Os pesquisadores criaram o sistema de Distribuição de Chaves Quânticas (QKD), capaz de interligar departamentos universitários. O resultado é a impossibilidade de interceptar informações virtualmente. 

O alicerce dessa segurança absoluta está no emaranhamento quântico. Quando partículas de luz (fótons) compartilham o mesmo estado físico, qualquer alteração em uma delas reflete instantaneamente na outra. Se um invasor tenta espionar ou copiar a chave de segurança durante o trajeto, a simples observação causa um fenômeno chamado decoerência. A conexão se quebra na mesma hora, o sistema acusa o ataque e a mensagem torna-se ilegível. 

O ecossistema criado pela equipe do professor Daniel Felinto, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), evoluiu. Os cientistas consolidaram o Instituto de Tecnologias Quânticas (Quanta), sediado no ParqueTec da instituição, unindo especialistas de física, engenharias e computação. Também fazem parte do grupo pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O amadurecimento científico da ação foi reconhecido publicamente com a conquista do Prêmio Finep de Inovação 2025 da Região Nordeste, na categoria Infraestrutura de Pesquisa e Desenvolvimento.  

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Hoje, com os testes iniciais de 7 quilômetros validados (e com os resultados endossados por publicações como o Brazilian Journal of Physics), os olhos do Quanta estão voltados para a ampliação. Em parceria com as instituições de fomento vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a meta agora é expandir a rede quântica recifense para uma extensão de 40 quilômetros. 

Para o Brasil, dominar a tecnologia QKD significa garantir proteção cibernética de nível estratégico para a defesa nacional e para os sistemas financeiros. A iniciativa teve o apoio do MCTI, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e seu Ponto de Presença em Pernambuco (PoP-PE). Dessa maneira, os pesquisadores puderam sair do ambiente controlado do laboratório para testar a conexão real sob o calor e as interferências de uma metrópole.  

Infraestrutura pronta 

O diferencial do experimento recifense é que ele não exigiu obras bilionárias de cabeamento, e a transmissão de dados utilizou variáveis discretas em redes comerciais de telecomunicações. 

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A infraestrutura mantida em Pernambuco evidencia que o fomento público bem direcionado retém talentos e atrai investimentos. Por meio da articulação entre universidades e governo federal, o Brasil pavimenta seu caminho não apenas como consumidor de alta tecnologia, mas como desenvolvedor de ponta na nova era da internet quântica. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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