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Agro

Novo protocolo revoluciona avaliação de cafés especiais e amplia valorização do produtor

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A forma de avaliar cafés especiais está passando por uma transformação relevante no Brasil e no mundo. A adoção do protocolo Coffee Value Assessment (CVA) propõe uma metodologia mais objetiva, acessível ao consumidor e alinhada às exigências do mercado, sem abrir mão do rigor técnico que sustenta a qualidade do produto.

Novo protocolo de avaliação de cafés começa a ser implementado

O novo modelo já começou a ser adotado e deve se tornar padrão a partir de 2026, quando todos os Q-Graders passarão a utilizar o formulário CVA em exames e avaliações oficiais.

No Brasil, instrutores do Sistema Faemg Senar foram capacitados em 2025, em treinamento realizado na sede da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), em Varginha (MG).

Além disso, o protocolo será utilizado em eventos importantes, como o concurso de qualidade do programa de Assistência Técnica e Gerencial ATeG Café+Forte.

Avaliação mais objetiva e próxima do consumidor

Uma das principais mudanças do CVA está na forma de descrever aromas e sabores. Antes, os avaliadores tinham liberdade total para registrar percepções, o que muitas vezes gerava descrições complexas e pouco compreensíveis para o consumidor.

Com o novo modelo, o formulário passa a oferecer ուղղ direcionamentos com notas sensoriais mais claras e padronizadas, tornando a avaliação mais objetiva.

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Na prática, isso resulta em descrições mais diretas, como:

  • Amanteigado, nozes e chocolate
  • Frutado, cítrico e frutas amarelas

O objetivo é destacar os principais atributos do café, facilitando a compreensão e valorização pelo consumidor final.

Sistema passa de um para quatro formulários de avaliação

Embora simplifique a linguagem, o CVA amplia a estrutura da análise. O modelo anterior, baseado em um único formulário, dá lugar a um sistema dividido em quatro etapas distintas:

  1. Análise física do café verde: Avalia defeitos e características do grão antes da torra.
  2. Avaliação descritiva sensorial: Caracteriza atributos como sabor, acidez, corpo e doçura.
  3. Avaliação afetiva: Os atributos são pontuados em uma escala de 1 a 9, trazendo uma leitura mais direta da percepção do provador.
  4. Versão combinada para concursos: Permite descrever e pontuar simultaneamente, otimizando o processo em eventos.
História do produtor ganha espaço na avaliação do café

A principal inovação do protocolo CVA está na inclusão de um quarto formulário voltado aos chamados atributos extrínsecos — fatores que vão além da bebida em si.

Nesse espaço, passam a ser considerados elementos como:

  • História do produtor
  • Práticas sustentáveis
  • Características do processo produtivo

Essa abordagem permite que o cafeicultor agregue valor ao produto ao destacar sua trajetória e diferenciais.

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Pequenos produtores tendem a ganhar competitividade

A nova metodologia é vista como uma oportunidade para produtores que investem em qualidade e processos artesanais.

Ao valorizar aspectos além da bebida, o sistema favorece especialmente pequenos cafeicultores, que podem se diferenciar no mercado por meio de práticas sustentáveis e cuidado na produção.

Padronização do mercado e desafios do novo modelo

O protocolo CVA já está em processo de adoção por instituições como a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), que lidera a implementação no país.

Apesar de algumas críticas relacionadas ao possível aumento da subjetividade, especialistas garantem que o sistema mantém sua confiabilidade.

Os avaliadores certificados passam por processos constantes de calibração, o que reduz variações entre análises e assegura consistência nos resultados.

Transição deve manter resultados e exigir adaptação do setor

A expectativa é que, mesmo com mudanças na metodologia, os resultados finais das avaliações permaneçam equivalentes aos atuais.

O principal desafio será a adaptação dos profissionais e do mercado ao novo formato, que busca equilibrar rigor técnico, clareza na comunicação e maior conexão com o consumidor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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