Brasil
Novo biodigestor transforma resíduos da agricultura familiar em gás de cozinha
Uma tecnologia desenvolvida a partir de cooperação entre Brasil e Alemanha pode transformar o dia a dia de pequenos produtores rurais por todo o País. O novo biodigestor EkoBioGás transforma dejetos da produção agropecuária, como esterco animal e restos de plantas, em gás de cozinha e biofertilizante para uso na lavoura. O equipamento foi concebido a partir de tecnologia alemã adaptada às condições brasileiras, com foco em baixo custo, simplicidade operacional e fácil manutenção. O projeto teve o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Especialistas discutiram os resultados e os caminhos para ampliar a adoção da tecnologia em uma reunião na sexta-feira (12). Estavam reunidos representantes das instituições parceiras do projeto, do MCTI e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A diretora de Tecnologia Social, Economia Solidária e Tecnologia Assistiva da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), Sônia da Costa, classificou a tecnologia como inovadora, além de demonstrar os esforços do Governo do Brasil em torno da descentralização de investimentos e tecnologias no País.
“Eu entendo que essa iniciativa reúne todos os elementos de uma tecnologia social: é de fácil apropriação e demonstra que uma empresa do Nordeste pode liderar soluções inovadoras com potencial de impacto para a agricultura familiar”, avaliou. O equipamento passou por testes, foi validado cientificamente e já está sendo utilizado em cidades nordestinas. “Isso nos dá segurança para pensar em sua ampliação e adoção em maior escala”, completou.
Durante a reunião na sede do MCTI, o representante da In Plantar Meio Ambiente & Engenharia Ltda, Josenberg Rocha Junior, confirmou que o equipamento já passou pelas etapas de validação técnica e que pode ser utilizado especialmente em territórios em que a agricultura familiar tem disponibilidade de resíduos orgânicos para abastecimento dos sistemas. A empresa colaborou com o desenvolvimento do produto.
Segundo ele, a tecnologia reúne condições para ser aplicada em maior escala. “É um projeto social porque ele está ali ajudando pessoas da agricultura familiar a não precisar mais comprar gás, não precisar mais queimar lenha.”
O biodigestor também gera um biofertilizante líquido que pode ser utilizado na produção agrícola. A solução reduz a dependência de insumos externos e contribui para diminuir os custos das famílias rurais. A expectativa é que a tecnologia seja incorporada a programas de assistência técnica, de crédito rural e de desenvolvimento produtivo para pequenos agricultores.
Energia limpa
A iniciativa também dialoga diretamente com a agenda de transição energética e descarbonização da economia. O biogás é produzido a partir da captura do metano liberado pela decomposição de resíduos orgânicos. Em vez de ser emitido para a atmosfera, o gás é aproveitado como fonte de energia renovável. Entre os benefícios do sistema estão a redução das emissões de metano, a diminuição da queima de lenha e a substituição do gás de cozinha convencional.
Para os participantes da reunião, o diferencial do projeto está na combinação entre inovação tecnológica e impacto social. A tecnologia desenvolvida é uma ferramenta capaz de melhorar a qualidade de vida das famílias rurais ao oferecer uma fonte local de energia e um insumo agrícola produzido na própria propriedade. Os especialistas falaram sobre oportunidades para geração de renda adicional a partir do uso do gás e do aproveitamento do biofertilizante nas atividades produtivas.
Globalização do acesso
O novo biodigestor tem potencial de replicação da solução em diferentes regiões do País e do mundo. O equipamento já desperta interesse fora do Brasil e integra uma rede de cooperação internacional para o desenvolvimento de soluções sustentáveis de aproveitamento energético de resíduos orgânicos.
Os participantes defenderam a construção de estratégias conjuntas entre instituições de ciência e tecnologia, órgãos de assistência técnica, instituições financeiras e parceiros do setor produtivo para estruturar projetos-piloto e ampliar a adoção da tecnologia. Entre as possibilidades discutidas estão a utilização de linhas de crédito da agricultura familiar, ações de capacitação e a criação de redes locais de manutenção e acompanhamento técnico.
O Consul Honorário da Alemanha no Rio Grande do Norte, Alex Geppert, destacou que o produto já está sendo usado em outros países e está transformando a realidade da população que passou a usar o EkoBioGás. “Agricultores de países da África, por exemplo, aprenderam a fazer a manutenção e instalação. Também temos interessados em outros lugares, como a Colômbia. Ou seja, o produto é uma colaboração do Brasil com a Alemanha, mas tem um impacto global”, explica.
A expectativa é que a iniciativa se torne um exemplo de como a cooperação internacional, aliada ao conhecimento científico nacional, pode gerar soluções acessíveis para desafios relacionados à segurança energética, à sustentabilidade ambiental e ao desenvolvimento rural. Ao transformar resíduos em energia limpa e fertilizantes naturais, o biodigestor reúne elementos estratégicos para a agricultura de baixo carbono, a economia circular e a transição energética no campo.
“A ideia é que os créditos de carbono gerados pelo projeto contribuam para custear o acompanhamento e a manutenção dos equipamentos, garantindo que a tecnologia permaneça acessível para os agricultores”, afirmou o representante da In Plantar, Josenberg Rocha Junior.
Segundo representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o próximo passo é estruturar mecanismos que permitam ampliar o alcance da tecnologia. Durante a reunião, o coordenador-geral de Pesquisa, Inovação e Patrimônio Genético do MDA, Zaré Augusto Brum Soares, destacou a necessidade de integrar o biodigestor às políticas públicas já existentes de crédito, assistência técnica e desenvolvimento produtivo. “Acho que a gente tem que pensar numa estratégia para utilizar as políticas públicas e pensar em escala. É uma tecnologia que já está neste ponto”, afirmou.
A proposta é articular iniciativas do MDA com o MCTI e demais parceiros para viabilizar projetos-piloto, capacitação técnica e acesso ao financiamento por agricultores familiares.
Brasil
Ministério da Saúde firma contrato para ampliar atendimento especializado pelo SUS em Belo Horizonte
Nesta sexta-feira (14), o Ministério da Saúde formalizou um contrato de R$ 8,9 milhões com o Hospital São Francisco, em Belo Horizonte (MG), para ampliar a oferta de procedimentos especializados e cirurgias eletivas a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025, e tem como objetivo reduzir o tempo de espera da população por consultas, exames e procedimentos especializados.
O acordo prevê a realização de 1.476 procedimentos ao longo de um ano, contemplando áreas como cardiologia, ortopedia, cirurgia geral, ginecologia e oncologia. A contratação foi assinada pela diretora-adjunta do programa Agora Tem Especialistas, Ana Luiza Afonso Guimarães, e pelo superintendente-geral do Hospital São Francisco, Helder Yankous.
A parceria com o Hospital São Francisco, que se destaca na área de ortopedia e recebe pacientes de várias regiões de Minas Gerais, reverterá atendimentos especializados no SUS em créditos financeiros para o abatimento de tributos federais vencidos ou a vencer, conforme as regras estabelecidas pelo programa.
“Quando ampliamos a oferta de serviços, reduzimos o tempo de espera de quem está aguardando por uma consulta, um exame ou uma cirurgia. O grande ganho é garantir que o diagnóstico, o encaminhamento e o tratamento aconteçam no momento oportuno”, destacou Ana Luiza Guimarães.
A iniciativa também busca aproveitar a capacidade dos hospitais para ampliar a realização de atendimentos em áreas de maior demanda.
Expansão da capacidade assistencial
Durante a agenda no Hospital São Francisco, a diretora-adjunta do programa Agora Tem Especialistas também conheceu as novas estruturas que integram o projeto de expansão da instituição. Entre elas estão um novo ambulatório e um bloco cirúrgico com quatro salas, além de 70 novos leitos que deverão entrar em funcionamento ainda neste ano. Com a ampliação, a capacidade de atendimento da instituição aos pacientes do SUS vai crescer cerca de 34%.
Ronny Rodrigues
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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