Brasil
MPA realiza oficinas participativas para revisão do ordenamento pesqueiro em quatro bacias hidrográficas
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) promoverá, a partir do dia 13 de abril, uma série de oficinas participativas voltadas à revisão do ordenamento pesqueiro nas bacias Amazônica, do Alto Rio Paraná, do Alto Rio Paraguai e do Rio São Francisco. A iniciativa busca ampliar o diálogo com o setor pesqueiro e subsidiar a atualização das normas que regulamentam a atividade no país.
As oficinas têm como objetivo reunir pescadores e pescadoras artesanais, representantes do setor produtivo, pesquisadores e gestores públicos para discutir propostas e contribuições relacionadas às regras de pesca, especialmente no que diz respeito ao período de proteção à reprodução natural dos peixes (piracema).
Na Bacia Amazônica, as atividades serão realizadas em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), no âmbito do Termo de Execução Descentralizada nº 19/2025. O foco é subsidiar a revisão da Portaria IBAMA nº 48/2007, que estabelece normas de pesca para o período de proteção à reprodução natural dos peixes na referida bacia.
“As oficinas fortalecem a participação social e contribuem para a construção de normas mais legítimas, transparentes e alinhadas às realidades dos territórios”, destaca Tatiane Lemos, Chefe de Divisão de Ordenamento Continental do MPA.
Na Bacia do Alto Rio Paraná, as atividades tiveram início em março, com encontros realizados nos municípios de Barbosa, Pereira Barreto e Itapura (SP). A iniciativa é conduzida pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, no âmbito do Termo de Execução Descentralizada nº 16/2025, e tem como objetivo subsidiar a revisão das Instruções Normativas IBAMA nº 25/2009 e nº 26/2009.
Para a Bacia do Rio São Francisco, as ações são coordenadas pela Universidade Federal de Alagoas, através do Termo de Execução Descentralizada nº17/2025, e visam subsidiar a revisão das Portarias IBAMA nº 50/2007 e nº 18/2008 que estabelecem normas de pesca para o período de proteção à reprodução natural dos peixes e para o exercício da pesca na bacia hidrográfica do rio São Francisco.
Quanto à Bacia do Alto Rio Paraguai, as atividades estão sendo conduzidas pela Universidade Federal do Mato Grosso, no âmbito do Termo de Execução Descentralizada nº 10/2025, com a finalidade de gerar subsídios para a revisão da Instrução Normativa nº 201, de 22 de outubro de 2008, que estabelece o ordenamento pesqueiro para a bacia hidrográfica do rio Paraguai, abrangendo os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
As próximas ações seguem em fase de articulação e terão seus cronogramas divulgados em breve.
Para mais informações, entre em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (61) 3276-4198.
Confira a agenda das oficinas:
- 13/04/2026 – Rio Branco (AC)
Horário: 8h às 17h (horário local)
Local: Sede da Colônia de Pescadores e Aquicultores da Capital (COLPAC Z-8) – Rua Epaminondas Jácome, nº 1383, bairro Cadeia Velha
- 16/04/2026 – Cruzeiro do Sul (AC)
Horário: 8h às 17h (horário local)
Local: CRIEBRB (antiga Escola Barão do Rio Branco) – Rua Rego Barros, nº 107, Centro
- 13/04/2026 – Ladário (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z14 – Rua Castro Alves, nº 214, Boa Esperança
Horário: 8h (horário local)
- 13/04/2026 – Corumbá (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z71– Rua Domingos Sahib, nº 280, Centro
Horário: 14h (horário local)
- 14/04/2026 – Miranda (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z5– Rua Manoel de Pinho, nº 47, Beira Rio
Horário: 8h (horário local)
- 14/04/2026 – Anastácio (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z18– Rua Porto Geral, nº 339, Centro
Horário: 13h30 (horário local)
- 15/04/2026 – Bonito (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z11– Rua Manoel Inácio Farias, Quadra 06, Lote 18, Águas do Miranda
Horário: 8h (horário local)
- 15/04/2026 – Porto Murtinho (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z6 – Rua Cel. Pedro Celestino, nº 1015, Centro
Horário: 14h30 (horário local)
- 16/04/2026 – Aquidauana (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z27 – Rua Cândido Mariano, nº 2178, Guanandy
Horário: 8h (horário local)
- 17/04/2026 – Coxim (MS)
Local: Sede da Colônia de Pescadores Z2– Rua Marechal Floriano Peixoto, nº 10, Centro
Horário: 8h (horário local)
- 12/05/2026 – Três Marias (MG)
Local: Sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Três Marias e Região de Minas Gerais – Rua Getúlio Vargas, nº190, Parque Diadorim
Horário: 9h (horário local)
- 17/05/ 2026 – São Francisco (MG)
Local: Sede da Colônia dos Pescadores Z3 – Rua Tarcísio Generoso, nº160, Quebra
Horário: 9h (horário local)
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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