Política Nacional
Motta: “Não está no nosso horizonte discutir a autonomia do Banco Central”
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não vai pautar projetos que modificam a autonomia do Banco Central. Segundo o presidente, foram os deputados que capitanearam a conquista da autonomia da instituição, e a decisão foi muito importante para o País.
Motta participou de evento promovido pelo BTG Pactual sobre as Perspectivas e Prioridades do Parlamento em 2026. O líder do PT, Pedro Uczai, defendeu a revisão da autonomia em razão dos prejuízos causados pelo caso Banco Master e das taxas de juros elevadas.
“Enquanto estivermos à frente da Câmara, não vamos pautar nenhuma revisão da autonomia do Banco Central, porque entendemos que essa autonomia trouxe segurança, previsibilidade e confiança nas instituições do País”, disse o presidente.
“Estamos vendo e sentindo a posição de uma instituição quando funciona bem, tomou as providências necessárias [no caso Master] sem interferência política de quem quer que seja”, defendeu Motta.
Proposta de CPI do Banco Master
Hugo Motta também foi questionado sobre a proposta de criação de CPI para investigar denúncias de irregularidades do Banco Master. O presidente explicou que há 16 pedidos de criação de CPIs para serem analisados por ele sobre diversos assuntos, como exploração de crianças e adolescentes e planos de saúde, por exemplo. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, só podem funcionar cinco CPIs ao mesmo tempo.
“Não descarto, mas cumpro o regimento e vamos analisar esses pedidos que estão postos. O que eu quero que fique claro é que todo malfeito possa ser discutido conforme as leis do País, sem condenação prévia de quem quer que seja”, afirmou.
Impostos
Motta também afirmou que não acredita que haja propostas por parte do governo que envolvam aumento de impostos. Segundo ele, o Congresso pactuou com o Poder Executivo toda a peça orçamentária de 2026 com o corte de gastos tributários, aumento de impostos de bets e, portanto, permitiu que o orçamento fosse aprovado com tranquilidade. “Não vejo como caminhar numa agenda com aumento de impostos”, disse o presidente.
O parlamentar explicou que o Congresso tem respondido quando necessário às medidas que o Executivo toma e ressaltou que o ambiente no Legislativo é avesso a mais aumento de impostos porque entende que toda essa agenda de aumento de arrecadação foi cumprida.
“Não vejo mais janela para aumento de tributo e imposto. O governo não tem priorizado e não vejo a discussão desse tema”, reforçou.
Plano de carreira
Questionado sobre a aprovação da reestruturação do plano de carreira dos servidores da Câmara, Motta explicou que o projeto faz parte de um conjunto de iniciativas semelhantes do Poder Executivo, do Poder Judiciário, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU). Os projetos do Poder Executivo e do TCU foram aprovados no final do ano passado, e os da Câmara e do Senado no início deste mês. O projeto do Poder Judiciário já foi sancionado pelo presidente da República.
Motta disse que o projeto da Câmara prevê um reajuste de 8% para o conjunto de servidores da Casa, índice semelhante ao dos demais projetos, inclusive do Executivo.
Quanto à proposta de reajuste que supera o teto do funcionalismo, explicou que, na Câmara, refere-se apenas a 72 servidores que ocupam cargos de alta responsabilidade, como o diretor-geral da Casa e o secretário-geral da Mesa, por exemplo. Motta lembrou que a proposta de reforma administrativa em análise na Câmara prevê uma exceção para até 5% dos servidores de cada instituição, que podem ter um tratamento diferenciado e receber acima do teto, em razão da responsabilidade do cargo que ocupam.
Motta frisou que a Câmara seguiu essa diretriz e que aprovou regras já existentes no Senado e no TCU. Afirmou ainda estar com a consciência tranquila quanto ao projeto da Câmara, pois é coerente com a proposta de reforma administrativa e com o compromisso de eficiência da Casa.
Segundo o presidente, o aumento está previsto no orçamento da Câmara: “Todo esse aumento foi dado dentro do orçamento da Câmara. Nós devolvemos R$ 760 milhões no ano passado e, mesmo com esse aumento, que é justo, nós devolveremos mais de R$ 700 milhões aos cofres públicos.”
Ele ressaltou que o projeto nada tem a ver com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou aos órgãos públicos a revisão dos “penduricalhos” incluídos nas folhas de pagamento sem previsão legal. “Nós precisamos colocar o dedo nessa ferida, e por isso defendo a reforma administrativa. Foi uma decisão feliz do ministro Dino, e atende aos anseios da sociedade”, afirmou, ressaltando que o projeto da Câmara está alinhado com a reforma.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Câmara dos Deputados
Política Nacional
Centrais sindicais temem vulnerabilidade de categorias não contempladas pelas regras da PEC 6×1
Em reunião com os parlamentares da comissão especial que analisa o fim da escala de trabalho 6×1, representantes de centrais sindicais mostraram preocupação com os trabalhadores que ficarem de fora da redução de jornada para 40 horas semanais. De acordo com o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Lúcio Clemente, o problema está na restrição ao benefício de acordo com o salário do trabalhador.
O texto apresentado pelo relator prevê que as regras não se aplicam aos profissionais com curso universitário que ganhem mais de duas vezes e meia o teto de remuneração da Previdência Social, o equivalente hoje a R$ 21.188. Os trabalhadores poderão negociar as jornadas individualmente com os patrões. Para Lúcio Clemente, essa norma reduz a proteção desses trabalhadores.
“Isso é uma preocupação grande, porque os efeitos do ponto de vista do impacto sobre o conjunto das categorias podem não ser pequenos. É difícil de mensurar agora, mas nós estamos falando de parte da força de trabalho que, em geral, poderá ficar fora da proteção sindical dos acordos e convenções coletivas”, alertou.
Lúcio Clemente afirmou ainda que as centrais de trabalhadores discordam do prazo concedido para a adequação dos contratos de trabalhadores terceirizados do setor público. A proposta prevê que as empresas, nesse caso, terão até um ano para promover a mudança de jornada. Para o sindicalista, a transição deveria ser a mesma dos demais empregados.
Relatório
O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou o texto na segunda-feira (25). A proposta assegura a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição do salário, e garante duas folgas semanais, uma preferencialmente aos domingos.
No caso das folgas, o direito será assegurado assim que a emenda constitucional entrar em vigor. Já a jornada será reduzida para 42 horas por semana 60 dias depois da vigência da norma e para 40 horas, 12 meses depois desse período.
Integrantes da comissão afirmaram que a votação da proposta pode ocorrer nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. O presidente do colegiado, deputado Alencar Santana (PT-SP), adiantou que vai reabrir a sessão de debate sobre o texto às 10 horas da manhã para tentar concluir a votação até as 17 horas.
Segundo o parlamentar, se a comissão aprovar a proposta nesse período, o presidente da Câmara, Hugo Motta, se comprometeu a votar o texto no plenário no mesmo dia.
“Se a gente conseguir isso, o presidente Hugo Mota vai levar essa matéria amanhã à noite ainda para o plenário. Se a gente não conseguir, vai ficar na feira, mas vamos trabalhar amanhã, tentando ali garantir a votação em comissão a tempo de levar o plenário amanhã à noite – até porque é quarta-feira, é um dia em que aqui é a Casa tem forte presença, o que é bom”, disse.

Mobilização
Os deputados presentes à audiência pública foram unânimes em pedir mobilização para garantir que o texto seja aprovado. A deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das propostas que deu origem à mudança, pediu atenção total à votação.
“Nós teremos que permanecer vigilantes, lutando contra os inimigos da classe trabalhadora, que irão fazer todas as manobras possíveis para tentar destruir o texto. Depois de votado aqui na Câmara dos Deputados, nós vamos ter que continuar nossa articulação e nossa mobilização, porque no Senado não tem nada dado. O Senado já está tentando fazer algumas manobras. Eles estão pensando: ‘vamos então deixar passar aqui, o pessoal vai dar uma esquecidinha, e depois a gente massacra o texto no Senado’”,, disse ela.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
-
Paraná5 dias agoPrograma de irrigação no Noroeste do Paraná avança com a compra de torres de fluxo
-
Agro7 dias agoEnologia de precisão ganha espaço no Brasil e impulsiona nova era da produção de vinhos
-
Política Nacional6 dias agoDeputados aprovam projeto que torna crime aumento abusivo de preços de combustíveis
-
Polícial6 dias agoNovas viaturas e equipamentos reforçam atuação da PMPR na região oeste do Paraná
-
Política Nacional7 dias agoMedida provisória libera financiamento para motoristas de aplicativo e taxistas
-
Entretenimento6 dias agoStar Wars volta aos cinemas com ‘O Mandaloriano e Grogu’: ‘Sucesso!’
-
Brasil6 dias ago“Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio é avanço civilizatório”, destaca ministro do MJSP após comemoração dos 100 dias da iniciativa
-
Política Nacional6 dias agoDebatedores divergem sobre medidas do governo para conter preços dos combustíveis
