Brasil
MME fortalece cooperação com União Europeia na área de minerais estratégicos
O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, neste mês de janeiro, mais uma rodada estratégica de articulação com representantes da União Europeia para o fortalecimento da cooperação em minerais estratégicos. A reunião, realizada na última semana, teve como objetivo alinhar critérios, expectativas e prioridades para os anúncios de investimentos previstos no setor mineral brasileiro.
Como resultado dessa agenda de cooperação, a expectativa é que, até o final de março de 2026, investidores vinculados à União Europeia anunciem aportes em até cinco mineradoras com operação no Brasil, com foco em minerais estratégicos essenciais para a transição energética global, como terras raras, lítio, níquel e manganês.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a atuação do governo brasileiro tem sido orientada por uma visão estratégica de longo prazo para o setor mineral. “O Brasil está estruturando uma agenda de cooperação com a União Europeia baseada em critérios claros, previsibilidade e alinhamento com as nossas políticas públicas. Queremos atrair investimentos que gerem valor no território nacional, promovam o desenvolvimento regional, fortaleçam a indústria e contribuam para uma transição energética justa, sustentável e inclusiva”, afirmou o ministro.
Alexandre Silveira destacou ainda que a seleção dos projetos prioriza não apenas critérios técnicos e econômicos, mas também aspectos estruturantes. “Estamos falando de investimentos que incentivem o adensamento da cadeia produtiva, o beneficiamento e o refino no país, a inovação tecnológica e o respeito a padrões ambientais e de baixo carbono. Essa é a lógica que orienta a atuação do MME e do governo federal”, completou Alexandre Silveira.
Além do MME, participaram das discussões a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), assegurando uma abordagem integrada e coerente com as estratégias nacionais de desenvolvimento de longo prazo.
A secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Ana Paula Bittencourt, ressaltou que a coordenação entre os órgãos do governo é fundamental para o sucesso dessa agenda. “A atuação integrada do governo brasileiro permite organizar, qualificar e orientar os projetos apresentados, garantindo que os investimentos em minerais estratégicos estejam alinhados aos compromissos ambientais e com a transição energética justa e inclusiva”, afirmou.
Geopolítica favorável
A agenda de cooperação com a União Europeia ocorre em um contexto geopolítico favorável, marcado pelo avanço do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado, aprovado preliminarmente pelos Estados-membros da União Europeia em janeiro de 2026, posiciona os minerais estratégicos como um dos eixos centrais da aproximação entre os blocos, ao reconhecer a importância do Brasil para a segurança de suprimento europeia de matérias-primas estratégicas.
O acordo preserva flexibilidades relevantes para o Brasil no setor mineral, assegurando o direito de implementar políticas de agregação de valor, estímulo ao processamento local e desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. Essas diretrizes convergem com a estratégia conduzida pelo MME de atrair investimentos que vão além da extração primária, promovendo beneficiamento, refino, inovação tecnológica e maior inserção do País nas cadeias globais de valor associadas à transição energética.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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Brasil
Parteiras e parteiros indígenas de todo o Brasil se reúnem em encontro nacional
Entre os dias 08 e 11 de junho, a capital de Rondônia será palco de um movimento histórico: o primeiro Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas. Organizado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o evento não é apenas uma reunião técnica, mas um gesto de reconhecimento ao protagonismo de mulheres e homens que, há gerações, protegem os ciclos da vida e a sobrevivência física e cultural de seus povos.
O encontro responde a um chamado das próprias comunidades e busca reconhecer as “tecnologias da floresta”, à luz do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante três dias, representantes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), além de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mergulharão em uma jornada de escuta sensível e troca de experiências.
Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como figuras cruciais para a saúde materna, as parteiras tradicionais desenvolvem um saber construído na prática e na transmissão oral. Esse conhecimento acumulado será o centro das atenções em Porto Velho. A programação prevê diálogos sobre o preparo do corpo para a gestação, o uso de ervas medicinais e o cuidado com as adolescentes desde a primeira menstruação.
“Este encontro representa um passo importante no reconhecimento das parteiras e parteiros indígenas como guardiões de conhecimentos ancestrais”, destaca a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Segundo ela, a iniciativa visa construir caminhos para que esses saberes sejam respeitados e integrados às políticas públicas de saúde.
Tecendo o futuro da saúde indígena
A metodologia do evento foi desenhada para ser tão profunda quanto os temas tratados. Atividades como a dinâmica “Tecendo Conhecimentos” e a construção da “Árvore do Conhecimento” permitirão que os participantes sistematizem suas práticas de forma coletiva.
O encontro ainda prevê a elaboração de dois documentos orientadores: o Guia de Parteira para Parteira, focado em boas práticas, rituais e o uso de kits de cuidado; e o Guia para Profissionais de Saúde, uma bússola para que as equipes de saúde saibam como acolher e articular as práticas tradicionais com a medicina biomédica de forma culturalmente sensível.
Ao promover esse diálogo intercultural, o Ministério da Saúde reafirma que a equidade e a integralidade do SUS só são plenamente alcançadas quando a espiritualidade e a autonomia dos povos indígenas são levadas em conta no ato de cuidar. O evento que se inicia em 9 de junho promete ser um marco onde a tradição e a modernidade se encontram para garantir que o nascimento em territórios indígenas continue sendo um ato de celebração da vida.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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