Brasil
MMA promove debates sobre sociobiodiversidade e conservação do Cerrado
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou, em Brasília, um ciclo de mesas temáticas durante o XI Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, de 10 a 13 de setembro. A iniciativa reuniu representantes de comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, gestores públicos e pesquisadores para discutir estratégias de conservação e valorização da sociobiodiversidade no Cerrado.
O objetivo foi oferecer diálogo entre ciência, comunidades tradicionais e políticas públicas. Os debates trouxeram como temas os eixos temáticos trabalhados no âmbito do Projeto GEF Áreas Privadas: Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais, coordenado pela Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio) do MMA.
A iniciativa executa ações de conservação e desenvolvimento rural sustentável na Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O território é considerado prioritário devido à sua importância biológica que abriga muitas espécies endêmicas e 45 ameaçadas de extinção e uma cultura diversa. A atuação é feita em parceria com a Fundação Pró-Natureza (Funatura).
Cadeias da Sociobiodiversidade do Cerrado
A primeira mesa, promovida no dia 12, tratou dos desafios e oportunidades das cadeias produtivas do Cerrado, com foco no ganho de escala, inserção no mercado e contribuição para a conservação ambiental e inclusão social.
A diretora do Departamento de Gestão Socioambiental e Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Cláudia Pinho, destacou a importância do diálogo entre as comunidades e outros setores da sociedade. “O fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade é um caminho essencial para integrar conservação, geração de renda e valorização cultural. Esses espaços de diálogo permitem que comunidades, empreendimentos e governo construam juntos soluções que ampliam os resultados da Rede Sociobiodiversidade e conectam políticas públicas à realidade dos povos e territórios do Cerrado”.
O debate destacou a relevância de produtos como o baru e o pequi, além do papel das cooperativas no fortalecimento da economia local.
A diretora da Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base em Economia Solidária (Copabase), de Minas Gerais, Dionete Figueiredo, ressaltou que o trabalho das cooperativas vai além da produção. “As cooperativas do Cerrado são instrumentos de resistência e de futuro. Quando organizamos a produção, mostramos que é possível gerar renda, conservar o bioma e dar visibilidade ao trabalho das comunidades. O fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade é também o fortalecimento da nossa autonomia”.
Ecoturismo no Cerrado e comunidades
A segunda mesa, realizada dia 12, discutiu o ecoturismo como estratégia para conectividade, desenvolvimento sustentável e conservação do bioma. O debate contou com a presença do diretor do Departamento de Áreas Protegidas da SBio/MMA, Pedro Cunha e Menezes, e de representantes de comunidades tradicionais e de iniciativas de fomento ao turismo comunitário.
Na ocasião, o MMA apresentou a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), que tem a missão de conectar paisagens e biomas por meio de corredores ambientais. A política, de caráter voluntário e por adesão, respeita a autonomia dos territórios. Até o momento são 20 trilhas oficialmente reconhecidas, 13 trilhas em processo de adesão, 23 mil km planejados, 6,5 mil km sinalizados, e 309 unidades de conservação abrangidas.
Segundo Pedro Menezes, “o ecoturismo no Cerrado é um caminho para integrar conservação, fortalecimento cultural e desenvolvimento econômico, com protagonismo das comunidades e respeito ao modo de vida tradicional”.
Nesse contexto, a Trilha de Longo Curso Caminho dos Veadeiros também foi mencionada. Implementada pelo projeto GEF Áreas Privadas, o caminho prevê mais de 500 quilômetros de trilhas, que percorrem unidades de conservação, áreas privadas e comunidades tradicionais, como o Quilombo Capela.
Experiências de turismo de base comunitária foram compartilhadas por representantes do Caminho de Santana (GO), do Povoado Quilombola do Moinho (GO) e do Quilombo Buraquinhos (MG), evidenciando como o turismo pode gerar renda, valorizar a cultura local, manter jovens no território e conter o êxodo rural.
Gestão Integrada da Paisagem
A terceira mesa abordou a gestão integrada da paisagem como estratégia central para conservação e conectividade ecológica no Cerrado. O debate ocorreu no dia 12 e enfatizou que as políticas públicas precisam articular unidades de conservação, propriedades privadas, comunidades tradicionais e territórios privados para reduzir a fragmentação, ampliar habitats para espécies ameaçadas e fortalecer a resiliência do bioma.
“O crescente trabalho de integração territorial entre governo, comunidades e organizações não só amplia a capacidade de conservar áreas-chave do Cerrado, como também fortalece políticas que garantem conectividade ecológica, mitigação de impactos ambientais, justiça territorial e respeito aos saberes locais. Projetos como GEF Áreas Privadas oferecem aos proprietários participação coletiva e fortalecimento das ações de conservação da biodiversidade”, ponderou o chefe de gabinete da SBio/MMA, Carlos Eduardo Marinello.
Alinhamentos com a Epanb
Os debates promovidos no encontro dialogam diretamente com a Estratégia e o Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb), instrumento orientador para a implementação de metas e ações de conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e repartição justa dos benefícios derivados da diversidade biológica para todo o país, com integração de diferentes setores do governo e da sociedade.
A nova Epanb prevê a articulação com outras políticas públicas, como o Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg), que estabelece a meta de recuperação de 12 milhões de hectares até 2030, além de outras ações alinhadas aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
GEF Áreas Privadas
Coordenado pelo MMA, o Projeto GEF Áreas Privadas é financiado pelo Global Environment Facility (GEF), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com gestão financeira do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). A Fundação Pró-Natureza (Funatura) é co-executora no Cerrado. Os principais objetivos do projeto são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem em áreas privadas no Brasil.
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Brasil
Governo do Brasil inaugura Casa do Trabalhador em Belém e amplia acesso a serviços de emprego
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) entregou, nesta quinta-feira (18), a 12ª Casa do Trabalhador do país, localizada em Belém (PA). Situada na Travessa Padre Eutíquio, nº 1308, a unidade faz parte do processo de modernização e padronização das agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine), iniciativa iniciada pelo Governo Federal em 2023.
Durante a cerimônia de inauguração, o secretário-executivo do MTE, Francisco Macena, destacou que a nova estrutura reúne diversos serviços essenciais em um só lugar e anunciou que mais unidades serão entregues em todo o território nacional até o final do ano.
“O que nós queremos não é apenas o trabalhador empregado, mas que ele tenha perspectivas reais de ascensão econômica e social”, afirmou Macena.
Com a modernização das agências, o MTE busca resgatar o papel central das políticas de trabalho e estabelecer um novo padrão na prestação de serviços públicos, garantindo que o cidadão encontre, em um único ambiente, uma oferta integrada e simplificada de serviços, facilitando a rotina de quem mais necessita do apoio do Estado.
Estrutura moderna e acessível
A Casa do Trabalhador de Belém possui 450 m² de área construída. O espaço conta com uma recepção com capacidade para 40 pessoas sentadas, balcão de triagem, 12 guichês de atendimento presencial e cinco postos de autoatendimento.
A estrutura dispõe ainda de salas exclusivas para convocação e captação de vagas, atendimento psicológico, pré-seleção e salas de treinamento. O espaço é totalmente adaptado para pessoas com deficiência (PcD), além de contar com bicicletário e estacionamento próprio.
Nova carta de serviços
No local, a população terá acesso a serviços como intermediação de mão de obra, habilitação para o seguro-desemprego, orientações trabalhistas, emissão da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e atendimento voltado à imigração.
O espaço também disponibiliza ações de qualificação social e profissional, além de iniciativas de incentivo ao empreendedorismo e à economia solidária.
Além disso, a unidade conta com um Laboratório de Informática para a realização de cursos a distância e uma área de Autoatendimento Orientado, onde a equipe do Sine auxiliará os cidadãos no acesso aos serviços disponíveis em ambientes virtuais.
A unidade oferece ainda atendimento especializado de assistentes sociais e psicólogos, ampliando o suporte oferecido aos trabalhadores e à população em busca de oportunidades, orientação e acesso às políticas públicas de emprego e renda.
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