Brasil
MJSP promove oficina sobre cuidado coletivo ao uso de drogas entre povos indígenas
Brasília, 07/10/2025 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realiza, de terça a quinta-feira (7 a 9), a Oficina Povos Indígenas na Política sobre Drogas: Ferramentas para o Cuidado Coletivo ao Uso Problemático de Álcool e Outras Drogas, na Fiocruz Brasília. O evento promove o diálogo e a troca de conhecimentos entre lideranças e profissionais de saúde indígena, fortalecendo a integração entre saberes tradicionais e políticas públicas de cuidado.
A iniciativa é da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), com apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), por meio do Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (CDESC).
Participam da oficina profissionais que atuam como Referências Técnicas (RTs) dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e especialistas em medicinas indígenas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O objetivo é construir diretrizes e metodologias de cuidado voltadas ao enfrentamento do uso abusivo de álcool e de outras drogas entre povos indígenas, especialmente em territórios prioritários para as ações da Senad.
A secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Marta Machado, destaca a importância de valorizar e sistematizar os saberes tradicionais para o aprimoramento das políticas públicas.
“Reunimos lideranças e profissionais que atuam há muito tempo nos DSEIs. A ideia é que, a partir desse encontro de saberes, possamos avançar de forma integrada, considerando tanto as necessidades dos territórios quanto os conhecimentos já construídos por essas comunidades para lidar com os impactos do tráfico e do consumo de álcool e outras drogas”, afirma.
Articulação interministerial e inclusão social
A Estratégia Nacional Povos Indígenas na Política sobre Drogas, coordenada pela Senad e que reúne nove ministérios, tem como foco a articulação institucional e o estímulo à participação social no enfrentamento ao uso abusivo de álcool e outras drogas em comunidades indígenas.
A oficina também irá contribuir para a definição de diretrizes, metodologias e prioridades para o funcionamento dos Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Povos Indígenas, implementados pela Senad. O primeiro centro já está em funcionamento em Tabatinga (AM), na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru — região que enfrenta fortes impactos do tráfico de drogas sobre a população indígena.
Os CAIS garantem acesso a direitos, inclusão social, integração às redes intersetoriais e promoção da cidadania para pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas com demandas relacionadas ao uso de drogas.
Entre os temas debatidos durante o evento estão: política sobre drogas e impactos nos territórios; ferramentas de cuidado; proteção e saberes das medicinas indígenas; e experiências dos trabalhadores dos DSEIs.
No primeiro dia da oficina, o Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário apresentou pesquisas sobre o tráfico de drogas na Amazônia e seus efeitos no meio ambiente, além do conceito de Desenvolvimento Alternativo aplicado à política sobre drogas.
Brasil
Ministério da Saúde mobiliza SAMU 192 para treinar equipes e apoiar estudo clínico com polilaminina
O Ministério da Saúde mobilizou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) da capital paulista para apoiar a identificação e o encaminhamento de pacientes ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP). Os voluntários elegíveis poderão participar de um estudo clínico sobre o uso da polilaminina no tratamento de lesões agudas da medula espinhal.
Em reunião com o Ministério da Saúde nesta sexta-feira (18), foi definido que o SAMU fará adaptação no protocolo desses casos e treinamento específico das equipes para identificar as pessoas que se enquadrem nos critérios dos ensaios, previstos para começarem no dia 24 deste mês.
A polilaminina será aplicada em cinco voluntários, que tenham sofrido lesão na medula há menos de 72 horas e atendam aos demais critérios estabelecidos pelo protocolo da pesquisa. A ação representa um avanço regulatório e científico no país ao viabilizar o desenvolvimento de uma nova terapia para pacientes com lesões na medula espinhal e integrar a pesquisa clínica diretamente à assistência no Sistema Único de Saúde (SUS).
Baseada em um protocolo validado e conduzida por pesquisadores capacitados, a parceria exige que o SAMU de São Paulo identifique prontamente os casos com o perfil exigido, viabilizando o rápido encaminhamento ao HC-FMUSP.
Articulação
Além do SAMU, a articulação do Ministério da Saúde envolve o HC-FMUSP e o laboratório responsável pela pesquisa. Também foi acertado que o treinamento das equipes da capital paulista poderá ser utilizado por serviços de urgência de cidades próximas, caso seja identificada a necessidade de ampliar a área de encaminhamento de pessoas socorridas para o estudo.
O estudo foca especificamente em pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal torácica (entre as vértebras T2 e T10), ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica. A previsão é recrutar cinco voluntários nesta etapa. A inclusão no estudo dependerá de atendimento rigoroso aos critérios clínicos. Após a aplicação da polilaminina, os pacientes serão acompanhados por seis meses.
A polilaminina é um medicamento desenvolvido a partir da laminina, proteína naturalmente produzida pelo organismo humano e fundamental para a manutenção da estrutura celular e regeneração do tecido nervoso. Em casos de trauma medular, ocorre
o rompimento das estruturas responsáveis por conduzir os impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo.
Pesquisa clínica
Os estudos são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.
A fase 1 do ensaio clínico foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e visa confirmar a segurança da polilaminina. Caso os resultados sejam positivos, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, quando a eficácia do tratamento será avaliada de forma mais ampla. O registro comercial do medicamento só poderá ser solicitado após a conclusão da terceira etapa.
Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu recursos na pesquisa básica, contribuindo para a construção de uma base científica sólida antes da aplicação em seres humanos. A pesquisa busca desenvolver alternativas para a regeneração tecidual e funcional.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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