Brasil
Missão Panamá: Governo Federal firma acordo de cooperação logística e negocia ampliação de serviços entre os países
A missão oficial do governo federal ao Panamá, encerrada nesta quarta-feira (28), marcou um novo passo na integração da infraestrutura sul-americana. Como parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, cumpriu uma agenda estratégica na Cidade do Panamá, focada na atração de investimentos e na troca de tecnologia logística.
O saldo da viagem inclui a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Brasil e o Panamá e avanços nas negociações para ampliar a malha aérea entre os dois países, consolidando o papel do Brasil como protagonista na logística regional.
Durante seu discurso na abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, o presidente Lula destacou o avanço do programa Rotas de Integração Sul-Americana. “Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos. São dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de infovias e linhas de transmissão, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos”, disse.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a presença do Brasil no Panamá reafirma o compromisso do país em liderar o desenvolvimento da infraestrutura regional. “O objetivo é fazer um conjunto de reuniões bilaterais para fortalecer a agenda do desenvolvimento econômico, sobretudo com o olhar para o setor portuário, para o setor da aviação, para o setor da infraestrutura brasileira e ver de que forma o Brasil pode ampliar as parcerias com esses países que fazem parte de toda essa região”, disse.
Parceria portuária e corredor verde
Um dos pontos altos da missão foi a formalização da parceria técnica voltada ao setor portuário. O documento assinado estabelece quatro pilares de cooperação: aumento da competitividade via novas rotas, descarbonização, modernização tecnológica (com uso de inteligência artificial e Big Data) e capacitação profissional.
O acordo prevê ainda estudos para a criação de um “Corredor Verde” entre o Brasil e o Canal do Panamá; rota por onde transitam cerca de 5,8 milhões de toneladas de cargas por ano. O objetivo é incentivar o uso de combustíveis sustentáveis na navegação, alinhando a eficiência logística às metas globais de redução de emissões.
Ainda como parte da agenda, a comitiva realizou uma visita técnica às eclusas de Cocolí, infraestrutura estratégica que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e reduz drasticamente as distâncias do comércio marítimo internacional. A equipe conheceu de perto a operação do canal, que serve de rota para milhões de toneladas de cargas brasileiras anualmente. A visita reforçou o papel vital desse corredor logístico para a competitividade do Brasil, facilitando o fluxo de importações e exportações com parceiros da Ásia e da América do Norte.
Agenda política
Na noite de terça-feira (27), o ministro acompanhou o presidente Lula em reunião com o presidente do Chile, José Antonio Kast, reforçando os laços diplomáticos e econômicos. Já nesta quarta (28), a comitiva participou do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, organizado pelo CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina).
Ainda no campo da articulação regional, a comitiva brasileira reuniu-se nesta quarta-feira com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. O encontro bilateral, realizado logo após a abertura do Fórum Econômico, teve como foco central o debate sobre infraestrutura física e oportunidades de investimento entre os dois países, reforçando o compromisso do governo federal em destravar gargalos logísticos e potencializar o comércio na América do Sul.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Fonte: Portos e Aeroportos
Brasil
MME publica diretrizes para leilão inédito de armazenamento de energia em baterias no Brasil
O Ministério de Minas e Energia publicou, nesta quarta-feira (3/6), a Portaria Normativa que estabelece as diretrizes e a sistemática do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias – LRCAP de 2026 – Armazenamento. A medida representa um marco para a modernização do setor elétrico brasileiro, ao viabilizar a contratação de sistemas de baterias em larga escala para reforçar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a iniciativa une segurança energética, transição energética e a política industrial desenvolvida pelo governo liderado pelo presidente Lula.
“O Brasil dá mais um passo decisivo para modernizar o seu sistema elétrico. O leilão de baterias vai permitir armazenar energia e entregá-la nos momentos em que o sistema mais precisa, aumentando a estabilidade, aproveitando melhor as fontes renováveis e estimulando a produção nacional de equipamentos estratégicos para a transição energética”, afirmou.
A novidade é que o certame será estruturado em dois leilões distintos, nos dias 2 e 4 de dezembro. O primeiro, denominado LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional, será destinado a sistemas de armazenamento de energia em baterias que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização, conforme critérios de credenciamento no âmbito do Sistema CFI do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). O segundo, denominado LRCAP de 2026 – Armazenamento, será aberto a todos os projetos de sistemas de armazenamento em baterias.
Os leilões terão como objetivo contratar disponibilidade de potência, em megawatts (MW), a partir de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias eletroquímicas. Esses equipamentos poderão armazenar energia elétrica e devolvê-la ao sistema quando houver necessidade operativa, contribuindo para o atendimento da demanda nos horários de maior consumo. Em paralelo, também contribuem para a gestão de excedentes de geração renovável e para o aumento da flexibilidade do SIN.
Armazenamento Nacional
O LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional, por ser realizado primeiro, terá a prioridade no atendimento da demanda a ser definida, observada a capacidade produtiva nacional apurada e a quantidade definida para atendimento às necessidades de potência do Sistema Interligado Nacional – SIN.
Quem poderá participar do leilão
Somente poderão participar do leilão novos Sistemas de Armazenamento de Energia – SAEs, ou seja, baterias novas, conectadas ao Sistema Interligado Nacional – SIN.
Esses empreendimentos poderão ter ponto de conexão próprio ou compartilhar o ponto de conexão e as instalações de interesse restrito com outros agentes. A regra amplia as possibilidades de participação, favorece o melhor aproveitamento da infraestrutura elétrica existente ou planejada e assegura que os projetos contratados representem nova capacidade de armazenamento para atendimento ao sistema elétrico.
Contratos
Em ambos os casos, os contratos terão 15 anos de duração, com início de suprimento em 1º de agosto de 2028.
A contratação será feita por meio de Contratos de Potência de Reserva de Capacidade (CRCAPs), com remuneração pela disponibilidade da potência contratada. Os empreendimentos vencedores deverão atender aos comandos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para recarga e descarga, tanto na programação diária quanto na operação em tempo real.
Critérios
Entre os principais requisitos técnicos previstos estão a disponibilidade mínima de 30 MW, capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência total mínima de 85%, tempo máximo de recarga completa de seis horas e atendimento aos requisitos técnicos de conexão definidos por ONS e EPE, incluindo funcionalidades de grid-forming.
O cadastramento dos projetos junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) será realizado entre 15 de junho de 2026 e 31 de julho de 2026. Excepcionalmente, a apresentação de Licença Prévia, Licença de Instalação ou Licença de Operação não será requisito para a habilitação técnica, cabendo ao edital definir o prazo para obtenção do licenciamento ambiental pelos projetos vencedores.
Para o leilão com conteúdo nacional, a assinatura do contrato ficará condicionada à apresentação de documentação comprobatória emitida pelo BNDES, referente ao credenciamento do sistema de armazenamento no Sistema CFI. A medida busca compatibilizar a contratação de potência para segurança do sistema elétrico com o estímulo à indústria nacional de equipamentos para armazenamento de energia.
A portaria também prevê mecanismos de competitividade locacional. Projetos conectados em pontos do SIN que proporcionem benefícios sistêmicos adicionais poderão fazer jus, exclusivamente para fins de competição no leilão, à aplicação de bonificação locacional, conforme estudos da EPE e do ONS. Esses pontos estão definidos no Anexo II da Portaria.
Esse mecanismo busca valorizar empreendimentos cuja localização contribua de forma mais eficiente para a operação e a expansão do sistema elétrico, considerando aspectos como a redução de restrições de transmissão, o alívio de carregamentos em áreas críticas, o aumento da confiabilidade do atendimento e a melhor integração dos recursos contratados às necessidades elétricas do SIN.
Com a publicação da portaria, o MME consolida as bases para a primeira contratação estruturada de sistemas de armazenamento em baterias. A iniciativa reforça o papel das baterias como tecnologia estratégica para a transição energética brasileira, ao ampliar a confiabilidade do sistema e permitir maior integração de fontes renováveis variáveis à matriz elétrica nacional.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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