Paraná
Missão do Paraná ao Japão fortalece cooperação na área de ciência e tecnologia
Com foco em parcerias na área de ciência e tecnologia, uma delegação do Paraná concluiu nesta quarta-feira (10) as atividades de uma missão na Ásia, depois de sete dias de agenda intensa dedicada ao fortalecimento de laços com instituições do Japão. A comitiva, formada por representantes do Governo do Estado e do Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), visitou locais estratégicos como Tóquio e Tsukuba, com objetivo de avançar em cooperações nas áreas de biotecnologia, bioeconomia e sustentabilidade.
Em Tóquio, capital do país asiático, a agenda incluiu reuniões com a Associação Japonesa de Bioeconomia (JBA), onde foram discutidas tendências da indústria farmacêutica, políticas de biotecnologia e aspectos regulatórios para produção em larga escala de biotecnologias microbianas. Outro destaque foi a visita ao Instituto de Microbiologia da empresa Kyowa Kako, que abordou aplicações industriais da microbiologia, especialmente no tratamento de efluentes e lodo biológico.
Em novembro de 2024, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) assinou um Memorando de Entendimento (MOU) com a Kyowa Kako para implementar uma tecnologia no tratamento de lodo de esgoto. A parceria, consolidada a partir de resultados de um projeto-piloto concluído em setembro do ano passado em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Curitiba, tem como objetivo transformar os resíduos orgânicos em fertilizantes agrícolas seguros, gerando benefícios econômicos e ambientais para o Estado.
O diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina, destaca a importância de consolidar parcerias internacionais para alavancar a transferência de tecnologia e promover o desenvolvimento sustentável. “A missão reforçou o compromisso do Paraná em adaptar tecnologias japonesas à realidade brasileira, especialmente na área ambiental e de bioeconomia, abrindo caminho para avanços significativos em inovação e formação de recursos humanos, em alinhamento com as políticas de desenvolvimento estratégico do Paraná e do Brasil”, explica.
A agenda incluiu, ainda, visitas ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST) e ao Centro Internacional de Pesquisa em Ciências Agrícolas do Japão (Jircas), onde foram discutidas oportunidades em agricultura sustentável e segurança alimentar. As discussões estabeleceram bases para futuras colaborações que beneficiarão tanto o Paraná quanto o Japão, combinando o conhecimento tecnológico japonês com as necessidades e potencialidades do setor produtivo do Paraná.
COOPERAÇÃO ACADÊMICA – Na província de Ibaraki, na região de Kanto, as atividades aconteceram na Universidade de Tsukuba, onde foi firmado um acordo entre o Centro de Inovação em Pesquisa de Plantas de Tsukuba (T-PIRC) e a Associação de Ensino, Pesquisa e Extensão do Biopark (Biopark Educação). Viabilizada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), a cooperação objetiva projetos conjuntos em biociências e agricultura sustentável, com o intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores.
A parceria também inclui o compartilhamento de estudos acadêmicos e a busca por financiamento para iniciativas bilaterais. Na prática, essa troca de recursos amplia as oportunidades para pesquisadores e instituições paranaenses, que passam a ter acesso a bancos genéticos vegetais e metodologias validadas por uma das principais universidades de pesquisa do mundo. Os paranaenses poderão trabalhar dados científicos, acelerando o desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade agrícola e ambiental do estado.
ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO – Localizado em Toledo, na região Oeste do Estado, o Biopark é um dos 489 ambientes credenciados pelo Governo do Paraná no Sistema de Ambientes Promotores de Inovação (Separtec), o que possibilita acesso a políticas de fomento para projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Com capacidade para instalar centenas de empresas em uma infraestrutura entre as mais modernas do Brasil, o complexo do Biopark integra educação, pesquisa e negócios, além de parcerias estratégicas que fortalecem o ecossistema de inovação paranaense. Atualmente, são mais de 200 empresas instaladas.
COMITIVA – A delegação paranaense contou com a participação do diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Aurélio Pelegrina; do vice-presidente do Biopark Educação, Paulo Rocha; e do diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark Educação, Tiago Mendes.
Fonte: Governo PR
Paraná
Programa de irrigação no Noroeste do Paraná avança com a compra de torres de fluxo
O programa IrrigaSIM, coordenado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), deu um novo passo nesta quinta-feira (21). Em uma reunião no Gabinete de Gestão e Informações do Palácio Iguaçu, foi anunciada a aquisição de cinco torres de fluxo que serão instaladas em áreas do Noroeste do Paraná.
Uma torre de fluxo mede continuamente a troca de gases (como vapor d’água e dióxido de carbono) e calor entre a vegetação e a atmosfera, permitindo calcular com precisão a evapotranspiração real da lavoura (transferência de água da superfície da Terra para a atmosfera em forma de vapor). O investimento para a compra das torres passa de R$ 10 milhões, recursos da Fundação Araucária, também viabilizados pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).
O diretor de Gestão de Negócios do IDR-PR, Richard Golba, destacou o trabalho realizado para a criação da Lei de Segurança Hídrica, feita em parceria entre várias instituições, e que também embasa as ações do IrrigaSIM. “Nossa expertise é fazer alianças e buscar parcerias. Tudo foi fruto de muito debate, muito estudo. Vale destacar que esta é uma legítima iniciativa do governador Ratinho Junior, que tem cobrado para que isso vá a campo”, ressaltou.
O projeto iniciou em 2024 envolvendo a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento, que seguem colaborando com o projeto. O IrrigaSIM é um apoio tecnológico ao Irriga Paraná. O projeto envolve sensoriamento remoto e modelos para a evapotranspiração de culturas. As partes se comprometem a trocar informações científicas, organizar missões, seminários e workshops, e apoiar atividades de pesquisa e inovação.
“Esse é mais um passo importante dado pelo Governo do Estado para que, com o apoio da tecnologia, possamos ter mais conhecimento e, assim, tomar as decisões certas em relação ao uso da água. Esse modelo de irrigação terá impacto direto na produção paranaense, beneficiando toda a população do Estado”, afirmou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.
A Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial também passou a fazer parte do projeto. Agora a pasta vai ajudar com os dados coletados durante o projeto. Estudos e visitas técnicas já foram realizados na região Noroeste do Paraná, que é a região que mais sofre com a seca.
“Esse projeto foi concebido para trazer ao Paraná uma segurança em campo com relação à água para que a produção agrícola e a potencialidade do Estado na agricultura continuem sendo fortes. E naturalmente, dentro desses cenários, a gente sabe que existe todo um campo de apoio por trás das coisas, e a inteligência artificial é um fator hoje preponderante”, ressaltou Marcos Stamm, secretário de Inovação e Inteligência Artificial.
“No Paraná, mais de 40% do PIB é do agronegócio. Mais de 14% de grãos produzidos no Brasil saem do Estado do Paraná. Então é muito importante a irrigação sustentável, porque a água é nosso bem maior e que precisa ser bem utilizado, bem aplicado, para trazer resultados satisfatórios e propícios não só à produção, mas para a sustentabilidade do nosso Estado”, complementou Jean Rafael Puchetti Ferreira, chefe do Centro Estadual de Desburocratização da Casa Civil, que atuou na governança da integração entre os órgãos públicos para viabilizar o projeto.
Desde a época da pandemia, quando esteve pessoalmente no Nebrasca conhecendo os sistemas de irrigação da região, o diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso, aprendeu sobre as tecnologias e trouxe todas as informações para as articulações dentro do Governo do Paraná.
“Esse trabalho é resultado de dois anos de pesquisa, de aprimoramento e estreitamento institucional para que o Paraná seja inovador em matéria de irrigação. Não só o estudo que vem sendo feito, o resultado desse projeto também será a formação de pessoas capacitadas para conduzirem esse processo de irrigação no estado do Paraná”, ressaltou Tarso.
ETAPAS – Os estudos vão fazer a classificação agroclimática do Paraná identificando mais áreas aptas à irrigação de grãos como soja, milho e feijão. O trabalho é realizado por 14 pesquisadores do Simepar, dois pós-doutores, sete doutores e cinco mestres.
Assim que as cinco torres de fluxo forem instaladas e calibradas, começarão a coletar dados micrometeorológicos reais no campo. Com isso, será possível modelar variáveis hidrológicas em programas de computador, como a espacialização da evapotranspiração, ajuste do coeficiente de cultura e medição da infiltração do solo.
Os modelos determinarão as melhores taxas de irrigação por diferentes métodos, e também será possível obter via imagens de drones o fluxo de carbono, mensurar o carbono no solo e medir o fluxo de gases de efeito estufa, comparando e validando com os dados das torres de fluxo.
A integração entre os dados ambientais, hidrológicos, e de balanço de carbono será feita em uma plataforma de Inteligência Artificial, que dará suporte à tomada de decisão no manejo irrigado. Todo esse trabalho otimiza o uso da água e do solo, mitiga emissões de Gases de Efeito Estufa e promove a sustentabilidade agrícola no Estado.
Cinco áreas serão acompanhadas durante o plantio em outubro / novembro – colheita março / abril; cultura março / abril – colheita julho / agosto; e cultura julho / agosto – colheita outubro / novembro. Os resultados dos estudos apontam redução estimada de até 30% no consumo de água na agricultura.
“Já tivemos várias reuniões técnicas para a discussão dos passos, e agora que o projeto oficialmente está lançado e o orçamento disponível, podemos seguir o cronograma, com a compra das torres e modelagem do uso de água e evapotranspiração”, explicou Christofer Neale, diretor do Water For Food, instituto do Nebrasca que orienta o projeto, e de onde veio a inspiração para todo o trabalho.
Com uma população de 1,9 milhão de pessoas, o Nebrasca, localizado na região central dos Estados Unidos, investiu cerca de US$ 6,8 bilhões para a instalação de 96 mil poços utilizados nos atuais sistemas de irrigação. A medida foi necessária devido às grandes variações de precipitação de chuva e das diferenças de solo nas diferentes regiões do estado americano.
O aquífero do Nebrasca é mais preservado do que o de outros estados americanos, como o Texas, por exemplo. Isso se deve justamente ao fato dos investimentos feitos nos atuais sistemas de irrigação, que utilizam os recursos hídricos de forma mais sustentável, reduzindo o impacto no meio ambiente.
WORKSHOP – Na tarde desta quinta-feira aconteceu, no auditório do Simepar, o Workshop Águas Subterrâneas no Paraná, que apresentou detalhes do IrrigaSIM e trouxe debates sobre a importância do monitoramento das águas subterrâneas e da modelagem aplicada à gestão de aquíferos, além de outorga e regularização.
O evento contou com apresentações dos pesquisadores do Simepar e do professor Christopher Neale, envolvidos no IrrigaSIM, além de palestras do professor Gustavo Athaide, da UFPR, do professor Glauco Zely da Silva Eger, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e de Nizara Sanches, do Instituto Água e Terra (IAT). As atividades encerraram com uma mesa-redonda, para debater os desafios do setor.
PRESENÇAS – Também estiveram presentes na reunião o professor João Carlos Bespalhok Filho, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que capacita alunos para atuarem no projeto; e Raul Alberto Marcon, coordenador de Gestão de Recursos Hídricos na Sanepar, que acompanha a implantação de cada etapa do estudo.
Fonte: Governo PR
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