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Ministro André de Paula debate cooperação agropecuária e abertura comercial com o Suriname

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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu, nesta terça-feira (26), o ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Suriname, Mike Noersalim. O encontro teve como foco a ampliação do comércio agropecuário bilateral e o fortalecimento da cooperação técnica e sanitária entre os dois países.

Durante a reunião, André de Paula destacou que o encontro representa uma oportunidade estratégica para aprofundar o diálogo e consolidar os laços de cooperação entre Brasil e Suriname. “Temos um histórico sólido de cooperação entre a Embrapa e o Suriname, com iniciativas já desenvolvidas em áreas como cana-de-açúcar, arroz, cacau, pecuária e agricultura sustentável”, afirmou.

O ministro surinamês, Mike Noersalim, ressaltou que a cooperação entre os dois países poderá gerar benefícios mútuos, contribuindo para o desenvolvimento das populações e o fortalecimento da segurança alimentar regional.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, destacou o potencial de expansão das relações comerciais entre os países. Segundo ele, o Brasil aguarda o retorno sobre propostas de certificados sanitários para a exportação de carnes, bem como o envio dos requisitos para exportação de pintos de um dia. “Acreditamos que o fornecimento de pintos de um dia pode ser uma excelente oportunidade para o Suriname desenvolver ainda mais sua indústria avícola. Assim como já fazemos com diversos países da região, estamos prontos para fornecer material genético de alta qualidade, reconhecido mundialmente”, declarou.

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Na reunião também foi destacada a formalização de um termo de cooperação técnica voltado ao controle e à erradicação da mosca-da-carambola, praga quarentenária presente na região amazônica e considerada uma das principais ameaças fitossanitárias para a fruticultura. A praga afeta frutas como carambola, manga, goiaba e cítricos, provocando perdas produtivas, restrições comerciais e aumento dos custos de controle. O fortalecimento das ações conjuntas de vigilância de fronteira e monitoramento fitossanitário foi apontado como fundamental para evitar a disseminação da praga entre os países.

A delegação do Suriname também relatou preocupação com os impactos da doença conhecida como vassoura-de-bruxa da mandioca, que vem afetando áreas produtoras do país. A praga provoca deformações, brotações excessivas, redução do desenvolvimento das plantas e queda significativa da produtividade das lavouras de mandioca. Diante desse cenário, o governo surinamês manifestou interesse em ampliar a cooperação técnica com o Brasil em ações de pesquisa, monitoramento fitossanitário, manejo integrado e desenvolvimento de estratégias de contenção da doença.

As delegações trataram ainda da cooperação para a introdução de cultivares de maracujá adaptadas às condições climáticas do país, da regularização de operações envolvendo importações de arroz brasileiro, dos desafios logísticos relacionados ao transporte de produtos agropecuários e do fortalecimento da cooperação técnica em genética vegetal e animal.

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Comércio agropecuário entre Brasil e Suriname

O comércio bilateral entre os dois países apresentou crescimento significativo nos últimos anos, passando de US$ 26,7 milhões, em 2016, para aproximadamente US$ 54,9 milhões em 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, destacaram-se os aumentos nas exportações brasileiras de carne bovina industrializada, com crescimento de 240%, e de bebidas alcoólicas, com alta de 172%.

Em 2025, os principais produtos exportados pelo Brasil para o Suriname foram carne de frango in natura (cerca de US$ 7,7 milhões), preparações de carne (US$ 3,2 milhões), óleo de soja refinado (US$ 2 milhões), alimentação infantil (US$ 1,6 milhão) e café solúvel (US$ 1,3 milhão).

As principais importações brasileiras provenientes do Suriname concentram-se em cigarros e arroz.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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