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Mercado de leite deve passar por fase de reequilíbrio e ajustes em 2026

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Setor lácteo inicia 2026 em cenário de ajuste e transição

O mercado brasileiro de leite e derivados começa 2026 em um período de reequilíbrio, após um ano de forte expansão na produção. Segundo análise da StoneX, o crescimento expressivo da captação de leite em 2025, impulsionado por boas margens e custos sob controle, resultou em um desequilíbrio entre oferta e demanda, pressionando preços e rentabilidade de toda a cadeia produtiva.

De acordo com Juliana Torres, analista de inteligência de mercado da StoneX, o excesso de leite disponível levou à queda generalizada dos preços, encerrando o ano com margens estreitas, especialmente para os produtores. Para 2026, a expectativa é de estabilidade na produção, sem novos aumentos expressivos no volume captado.

“A compressão das margens observada no fim do ano passado tende a moderar a produção, sobretudo a partir do segundo trimestre, favorecendo um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda”, explica a analista.

Preços mais baixos devem estimular consumo e recompor margens

Os preços pagos ao produtor começaram o ano em níveis mais baixos, o que pode impulsionar o consumo doméstico. No entanto, esse cenário impõe o desafio de recuperar as margens tanto dos produtores quanto da indústria.

Os primeiros sinais dessa recuperação já são perceptíveis: o mercado spot (negociações entre indústrias) registrou alta em janeiro, após meses consecutivos de queda no segundo semestre de 2025. Esse movimento sinaliza melhor equilíbrio entre oferta e demanda e maior firmeza no mercado de derivados.

A expectativa da StoneX é que os preços se recuperem gradualmente ao longo de 2026, repetindo o padrão observado em 2024. Essa melhora, porém, depende da capacidade do mercado de absorver a produção e do comportamento dos custos.

“O setor inicia 2026 com margens comprimidas, mas a combinação entre custos mais estáveis e preços em recuperação pode trazer algum alívio no primeiro semestre, desde que o equilíbrio entre oferta e demanda se consolide”, aponta Juliana Torres.

Varejo deve repassar parte dos aumentos ao consumidor

No varejo, os preços dos lácteos refletiram o excesso de oferta em 2025, apresentando deflação no IPCA e tornando os produtos mais acessíveis ao consumidor. Essa redução não ocorreu por queda no consumo, mas pela abundância de leite no mercado.

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Em 2026, a tendência é de recomposição parcial de preços nas gôndolas. Conforme Juliana, há espaço para repasses moderados, já que a queda de preços foi mais acentuada no campo e no atacado. Entretanto, esses reajustes devem ser graduais e seletivos, dependendo da renda das famílias, da demanda interna e das estratégias comerciais do varejo.

Importações seguem relevantes, mas perdem força no início do ano

No comércio exterior, as importações de lácteos encerraram 2025 em níveis ainda elevados, mas inferiores aos dos anos anteriores. Em janeiro de 2026, houve leve aumento mensal, embora os volumes continuem menores do que os registrados em 2024 e 2025.

Segundo Juliana Torres, o mercado interno segue amplamente abastecido, e o principal fator para isso é a alta produção nacional observada no último ano. Apesar da menor dependência externa, as importações ainda desempenham papel importante no equilíbrio da oferta doméstica.

Acordo Mercosul-União Europeia traz novos desafios para o setor

No cenário internacional, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia surge como ponto de atenção para a indústria láctea a partir de 2026. Ainda em fase de tramitação no Parlamento Europeu, o acordo prevê redução gradual de tarifas e criação de cotas para produtos como leite em pó, manteiga e queijos, ao longo de até dez anos.

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Embora não configure um livre comércio pleno, o avanço das cotas pode ampliar a presença de produtos europeus no mercado brasileiro, especialmente de itens com maior valor agregado e produtividade superior.

“Enquanto as exportações do Mercosul para a Europa seguem residuais, as importações do bloco europeu já são relevantes. As novas cotas ampliam esse espaço, reforçando a necessidade de ganhos de eficiência e competitividade da cadeia láctea regional”, avalia Juliana.

Perspectivas: reequilíbrio gradual e foco em eficiência

O setor lácteo brasileiro entra em 2026 com margens reduzidas, mas com um cenário que aponta para recuperação gradual dos preços e ajuste entre produção e consumo. A tendência é de que o mercado se estabilize ao longo do ano, desde que as condições de custo e demanda permaneçam favoráveis.

A busca por eficiência produtiva, o controle de custos e a adaptação ao ambiente comercial internacional serão determinantes para o desempenho da cadeia do leite nos próximos meses.

Especial Leite I Visão 2026 – StoneX Digital

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtor tem até o dia 30 para entregar declaração do ITR e evitar multa

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Proprietários e possuidores de imóveis rurais têm até as 23h59 de 30 de setembro para entregar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) de 2026. Quem perder o prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 50, além de possíveis dificuldades para comprovar a regularidade fiscal da propriedade.

A obrigação alcança pessoas físicas e jurídicas que sejam proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais. Também precisam declarar usufrutuários, condôminos e contribuintes que tenham perdido a posse ou a propriedade entre 1º de janeiro e a data da entrega, inclusive em casos de transferência ou incorporação da área ao patrimônio do expropriante.

As situações de imunidade e isenção previstas na legislação permanecem fora da obrigatoriedade. Como o enquadramento depende das características do imóvel, da área e da forma de exploração, o produtor deve confirmar se a propriedade atende aos requisitos antes de deixar de apresentar a declaração.

A principal mudança em 2026 está no canal de entrega. Todas as pessoas jurídicas, independentemente do tamanho do imóvel, e as pessoas físicas com propriedades superiores a 100 hectares devem utilizar obrigatoriamente o serviço digital Minhas Declarações do ITR, disponível na área de imóveis do Portal de Serviços da Receita Federal.

O acesso exige conta gov.br nos níveis Prata ou Ouro e pode ser realizado por computador, celular ou tablet. O próprio contribuinte pode entregar a declaração ou autorizar um procurador digital.

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A plataforma reúne os imóveis vinculados ao mesmo contribuinte, recupera dados cadastrais, permite preencher e transmitir declarações, consultar recibos e fazer retificações. Quem possui várias propriedades também pode importar e enviar declarações em lote.

Pessoas físicas com imóvel rural de até 100 hectares podem escolher entre o serviço digital e o Programa ITR 2026 instalado no computador. Essa alternativa não está disponível para pessoas jurídicas nem para pessoas físicas com áreas superiores a 100 hectares.

A Receita Federal recomenda verificar os dados cadastrais da propriedade antes da transmissão. Informações incorretas sobre área, utilização do imóvel, atividades produtivas e áreas ambientais podem provocar divergências, cobrança adicional de imposto ou necessidade de retificação.

Caso o contribuinte identifique erro, omissão ou informação inexata depois do envio, poderá apresentar uma declaração retificadora, desde que a Receita ainda não tenha iniciado um procedimento de fiscalização. A nova declaração substitui integralmente a anterior.

O imposto inferior a R$ 100 deve ser pago de uma única vez até 30 de setembro. Valores a partir de R$ 100 podem ser divididos em até quatro parcelas mensais e sucessivas, desde que nenhuma seja inferior a R$ 50. A primeira parcela também vence no último dia do prazo.

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Na versão web, o pagamento pode ser realizado por Pix, transferência eletrônica disponível, cartão de crédito ou Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). Eventuais encargos cobrados pela instituição financeira ou operadora do cartão devem ser observados pelo contribuinte.

A entrega em atraso gera multa de 1% por mês ou fração, calculada sobre o imposto devido. O valor mínimo da penalidade é de R$ 50, mesmo quando o imposto apurado for menor.

Além da multa, a pendência pode dificultar a emissão de certidões e a comprovação da regularidade fiscal do imóvel. Essa documentação costuma ser analisada em operações de crédito rural, financiamentos, garantias, compra e venda e transferência da propriedade.

Em 2025, a Receita Federal recebeu quase 6 milhões de declarações dentro do prazo. Com a proximidade do encerramento do período de entrega, a recomendação é não deixar o envio para o último dia, principalmente para quem ainda precisa aumentar o nível da conta gov.br, corrigir dados cadastrais ou reunir informações sobre a propriedade.

Fonte: Pensar Agro

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